21/07/2011

Thiago Mello no programa "Para Todos" da TV Brasil




Recebi em casa, em São Paulo no novo endereço da BossaFilmes, Aline Beckstein e a equipe do programa Para Todos da TV Brasil, e o resultado foi um bate papo sobre discos, sobre o blog Bossa-Brasileira, Maysa, Noel Rosa, Délora Bueno, Trio Surdina, cinema e mais... São exibidos trechos do documentário Noel Rosa produzido em 2010 e do documentário longa-metragem Com Carinho de Maysa ainda inédito em produção pela BossaFilmes.

Apenas para corrigir a informação: a matéria diz que sou Paranaense, mas nasci em São Paulo, na cidade de Campinas. Morei alguns anos em Curitiba, mas a loja de CDs onde redescobri a voz da Maysa fica em Florianópolis, onde também morei muitos anos. É isso, quero agradecer a TV Brasil, a Aline e toda a equipe pela oportunidade, muito obrigado!

No Ar: Música Calma



“Thiago você tem que fazer um podcast!!” disse um amigo dias atrás. Eu fiz. Sem pretensão, apenas com vontade de colocar músicas que gosto na ordem que talvez combinem. Dos dias de hoje ao passado, sem se prender a estilos ou modinhas… Música Calma. Para afastar os móveis, jogar as almofadas no chão, ascender aquele incenso, abrir as janelas e fechar os olhos… Se quiserem dançar também, fiquem à vontade!


30/04/2011

NOEL ROSA / BossaFilmes no Cinema - Festival In-Edit Brasil 2011


O mini-documentário Noel Rosa produzido em 2010 por Thiago Mello para a BossaFilmes tem a honra de participar do Festival In-Edit Brasil 2011, o Festival Internacional do Documentário Musical, como parte da mostra Curta Um Som 2 - Caminhos do Samba. O curta será exibido nos cinemas Olido em São Paulo dia 03.05 15:00hs, na Matilha Cultural dia 05.05 19:00hs e no Rio de Janeiro dia 09.05 14:00hs no Unibanco Arteplex Rio, Sala 3.

20/02/2011

Trio Nagô 1955 “Trio Nagô” [Continental LPP 35]


Três vozes. A fórmula se repete a partir da década de 1920, como fenômeno musical nas Américas. Do country ao jazz norte-americano, passando pela música mexicana, cubana, andina, paraguaia e brasileira, todo o continente se comoveu com a formação de três vozes se irisando em matizes diferentes.

Dentre a infinidade dos trios vocais da música universal, merece destaque o Trio Nagô, que no Brasil, ao lado do Trio Irakitan, foram os melhores exemplos na arte de vocalizar em trio. Foi o Trio Nagô quem desbravou o caminho e modelou os padrões dos arranjos adotados mais tarde pelos outros trios brasileiros, inclusive o Irakitan. A fórmula musical soava mágica, misturava o som dos trios latinos com o som do agreste, com as histórias dos poetas repentistas, dos violeiros, pescadores e jangadeiros de olhar mareado, cantando mistérios e prodígios, valentes como cangaceiros.

No final da década de 1940, em Fortaleza no Ceará, o alfaiate Mário Alves costumava receber dois amigos pelas manhãs em sua pequena loja de costuras, para prosear e cantar. Mário cortava e costurava cantando, enquanto os amigos Evaldo Gouveia e Epaminondas de Souza o acompanhavam com voz e violão. A coisa não passava de brincadeira. Mário encerrava o expediente e voltava para casa, enquanto Evaldo e Epaminondas esticavam a cantoria até altas horas nos botecos de Fortaleza. Um dia alguém os ouviu cantando e os indicou para uma audição na rádio local. Pouco tempo depois, estavam no Rio de Janeiro representando o Ceará no programa do César de Alencar na Rádio Nacional. A apresentação lhes rendeu um contrato com a Rádio Jornal do Brasil no Rio de Janeiro. Era 1950.

Trio Nagô em fotografia promocional da gravadora Decca na França.

Dois anos depois, já haviam se apresentado nas mais importantes casas do Rio e de São Paulo e assinado contrato com a Rádio Record. Foram lançados diversos discos de 78 rotações e iniciaram as turnês nacionais. Os primeiros long-playings saíram pelas gravadoras Rádio, Sinter e Continental - mais tarde gravam também pela RCA Victor. Na TV Record, ganham programa próprio e fazem muito sucesso, com direito a fã-clubes de garotas gritando e suspirando por Evaldo e Epaminondas, os galãs boêmios do trio.

Acompanhando o êxito dos trios internacionais, fizeram turnês no México, Argentina, Uruguai e outros países da América Latina. Evaldo que tinha medo de avião - ia de ônibus para os shows pelo Brasil enquanto os companheiros voavam - agora era obrigado a cruzar os mares pelo ar. Nos Estados Unidos, gravaram programas de TV e discos de 78 rpms. Em seguida na Europa, obtêm êxito na França, Inglaterra e Portugal. Com a repercussão da temporada de Paris, o produtor Max de Rieux do selo Decca, contrata o trio para a gravação de mais uma coleção de canções lançadas em discos de 10 polegadas, compactos e 78 rpms. Gravações inéditas no Brasil. Na volta, são ovacionados e condecorados por autoridades pela divulgação da nossa cultura no exterior. Mesmo famoso, Mário Alves continua a trabalhar desenhando e costurando também para o Trio.

Esta história de sucesso que possui ainda outros capítulos, hoje corre o risco de ser esquecida. O Trio Nagô se quer é lembrado pelos historiadores. Depois de uma breve separação no final dos anos 50, o Trio se refez no início da década de 60, gravando alguns LPs, onde adotaram o repertório e a harmonia da bossa-nova com brilho, mas já sem o sucesso. O Trio Irakitan ocupou o posto com dignidade e qualidade. Evaldo Gouveia tornou-se compositor respeitado, fez história na série de sambas-canção escritas em parceria com Jair Amorim - são os autores de “Alguém Me Disse”. De Epaminondas e Mário pouco se soube, o Trio Nagô encerrou suas atividades em meio a desentendimentos e pouca visibilidade.

Em audição com o produtor francês Max de Rieux da Decca, Evaldo ao piano.

Neste disco, lançado pela Continental em 1955, o Trio Nagô é registrado na sua melhor forma. Estão aqui as clássicas “Aquarela Cearense” de Waldemar Ressurreição e “Mocambo de Paia” de Gilvan Chaves. Dorival Caymmi não poderia ficar de fora e comparece numa belíssima interpretação de “Dora”. Assim como Ary Barroso, sua “Terra Seca” [“...trabaia, trabaia negô...”] ganha versão definitiva e sua “Na Baixa do Sapateiro” também é interpretada com brilho. Vale destacar “Prece ao Vento” de Alcyr Pires Vermelho, Gilvan Chaves e Fernando Luiz, com assovios e efeitos para lembrar o vento. O conjunto que os acompanha também merece atenção, com percussão, piano, órgão, baixo acústico e acordeon, tudo muito discreto e eficiente. Ouve-se até uma guitarra elétrica em alguns momentos, saturada com dissonância inacreditável para a época... Seria obra do Evaldo Gouveia? Difícil dizer, mas a guitarra exótica está lá.

A fantástica capa deste disco foi desenhada pelo argentino Paez Torres, artista gráfico radicado no Brasil. Este é o Trio Nagô, um dos maiores mistérios da história da música brasileira.
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Trio Nagô em foto do Stúdio Adolfo, São Paulo.

01 Prece ao Vento [Alcyr Pires Vermelho, Gilvan Chaves, Fernando Lobo] toada
02 Mocambo de Paia [Gilvan Chaves] toada
03 Terra Sêca [Ary Barroso] samba
04 Dora [Dorival Caymmi] samba
05 Aquarela Cearense [Waldemar Ressureição] samba
06 Na Baixa do Sapateiro [Ary Barroso] samba
07 Louco da Praia [Graça Batista, Alvaro Castilho] canção
08 Ladeira do Amor [Graça Batista, Amado Régis] corrido
Este disco é um presente do site Bossa Brasileira e não pode ser comercializado.

o Trio Nagô canta “Saudades da Bahia” de Dorival Caymmi no filme “Chico Fumaça” dirigido por Victor Lima, com arranjos para orquestra de Radamés Gnattali.

Délora Bueno “Cânticos Brasileiros” 1955 [Odeon LDS 3009]



Você provavelmente nunca leu o nome de Délora Bueno em livros ou ouviu seu nome citado nas conversas sobre música brasileira, mas ela foi dona de uma bela voz, dedicou sua vida a música e teve sua parcela de importância na história da nossa música popular.

Délora Bueno foi uma das primeiras artistas brasileiras reconhecidas fora do Brasil. Filha de pai brasileiro [pianista] e mãe norte-americana, nasceu nos Estados Unidos mas cresceu e se educou no Brasil entre o Rio de Janeiro, Salvador, Recife e Minas Gerais, naturalmente absorvendo toda essa diversidade cultural. No Rio de Janeiro, estudou piano na Escola Nacional de Música. Em 1944, voltou com a família para os Estados Unidos e continuou a estudar piano e canto no Juilliard School de Nova York.

Na década de 1940 nos Estados Unidos, havia outra cantora brasileira fazendo muito sucesso, a estrela de cinema Carmen Miranda, que encantava os americanos com sua mistura ingênua de graça, sensualidade, deboche e caricatura. Os americanos, claro, queriam mais, e numa América rendida pela “pequena notável”, Délora Bueno acabou na mira dos executivos da indústria musical. Ela já vinha se destacando nas salas de concerto e em aparições no rádio, sempre apresentando nossa música, logo comandava também um programa na TV com 15 minutos de duração no ano de 1949, antes mesmo da TV estrear no Brasil.

O “Délora Bueno Show” fez sucesso, com ela a vontade em frente as câmeras. Logo expandiram o programa para 30 minutos, rebatizado de “Flight to Rhythm”. Num cenário de boate fictícia o “Club Rio”, Délora agora dividia o microfone com o cantor Miguelito Valdez, uma orquestra, dançarinos e atores que interagiam com os cantores-apresentadores. No programa, Délora também cantava músicas do repertório de Carmen Miranda...

Ela sabia que só sobreviveria se mostrasse seu próprio valor. Eram tempos em que não existiam artistas fabricados, tinha que se ter talento, e muito talento para se sobressair. Assim, Délora Bueno se destacou com seu talento genuíno, incorporou à sua música elementos folclóricos e deixou de lado o deboche. Foi solista em grandes orquestras como a de Paul Whiteman, a da Força Aérea dos Estados Unidos e da Banda da Marinha Norte-Americana.

Neste disco o contralto delicado de Délora Bueno é registrado em sua melhor forma, gravado no Brasil pela gravadora Odeon em 1955. O repertório é impecável, os arranjos incríveis e a voz doce de Délora, perfeita. “...é difícil, tão difícil separar dois coração...”

O resultado é genial, com a elegância peculiar das gravações brasileiras na década de 1950. Délora Bueno é acompanhada por orquestra, coro e conjunto regional - infelizmente não creditados. O disco abre com a belíssima valsa amazônica “Tambatajá” de Waldemar Henrique em gravação definitiva. Continua nas brejeiras “Óia o Sapo”, “Toca-Toca”, “Pingo Dágua” e “Tayeiras” retiradas do folclore. “Cobra Grande” é outra belíssima valsa amazônica de Waldemar Henrique, também em gravação definitiva; de sabor psicodélico, com a orquestra desenhando paisagens de sonhos - no caso de pesadelo. O gosto de interior do Brasil aparece nas famosas “Maringá” do mestre Joubert de Carvalho e “Casinha Pequenina” [tradicional] com destaque para o acordeon. É de se emocionar. Para fechar o disco, Délora convida a galopar com Ary Barroso em “Meu Trolinho”. Com arranjos de metais em brasa, letras alternando inglês e português e percussão marcada, “Meu Trolinho” remete à Carmen Miranda e aumenta uma certa impressão circense que acompanha todo disco, como que lembrando que é necessário ser um pouco criança para entender e se apaixonar pelo universo musical da Délora Bueno.



Délora Bueno “Cânticos Brasileiros” 1955 [Odeon LDS 3009]


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01 Tambatajá [Waldemar Henrique] canção amazônica
02 Óia o Sapo [tradicional] canção
03 Toca-Toca [tradicional] canção
04 Pingo D'água [Osvaldo de Souza] canção
05 Cobra Grande [Waldemar Henrique] canção amazônica
06 Maringá [Joubert de Carvalho] canção
07 Tayeiras [tradicional]
08 Casinha Pequenina [tradicional]
09 Upa! Upa! Meu Trolinho [Ary Barroso] marcha


Este disco é um presente do site Bossa-Brasileira e não pode ser comercializado.

Para ouvir outro belo disco de Délora Bueno, lançado em 1962, visitem a página do meu amigo Simon Boutman, que voltou a editar o seu excelente site, o Unbreakable Microgooves para nossa alegria.

Oscar Borgerth & Léo Peracchi “Música e Romance 1” 1954 [Musidisc MV 006]

Difícil descrever a experiência que é ouvir “Música e Romance volume 1”, um dos discos mais bonitos que tivemos o prazer de postar no Bossa Brasileira.

Léo Peracchi e Oscar Borgerth gravaram apenas piano e violino interpretando melodias eruditas à moda romântica da metade do século passado. Na contracapa nenhum texto, apenas o catálogo de lançamentos da gravadora Musidisc em 1954, data em que deve ter sido lançado este long-playing. Também não há registros de um segundo volume com Oscar Borgerth e Léo Peracchi.

“Música e Romance” possui apenas uma composição brasileira “Flor da Noite” de Radamés Gnattali, as outras faixas são de autores internacionais como Dvórak, Debussy, Chopin, Vecsey, Granados e Brahms.

A bossa está presente na interpretação fantástica dada pelos dois músicos. Um som de abismo, de doce beleza em tonalidades cruéis, escuras. Como se deixasse um rastro, um alento no ambiente. “Romance”? As melodias se sucedem como em uma evocação. Como grito de liberdade, ou uma ode às vitimas da segunda guerra mundial. Delirante como um sonho.

Oscar Borgerth & Léo Peracchi “Música e Romance volume 1” [Musidisc MV006]

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Léo Peracchi é considerado um dos maiores músicos brasileiros, foi arranjador, compositor, maestro, instrumentista e professor. Ao lado de Radamés Gnattali é responsável pela introdução de elementos inovadores dentro da orquestração na música brasileira. E como Radamés, transitava com naturalidade pelos universos populares e eruditos. Seu estilo como arranjador é inconfundível e considerado moderno até hoje.

Oscar Borgerth quase não é lembrado hoje. Foi gênio em seu instrumento, o violino, e um dos nomes mais importantes da música clássica do Brasil na época, premiado por diversas vezes aqui e no exterior. Oscar estudou violino com Orlando Frederico no Instituto de Música do Rio de Janeiro e completou sua formação em Viena. Atuou sob regência de Eleazar de Carvalho e Villa-Lobos em turnês internacionais e foi importante intérprete da obra de Hekel Tavares. Contribuiu muito para a divulgação da música erudita brasileira pelo mundo.

Cada detalhe, cada glissando do violino, cada passeio do piano, cada toque, tudo é executado com grande delicadeza e entrega, os músicos dando o melhor, muito mais que simples seriedade e profissionalismo. Paixão e amor a arte. Esta não é uma gravação qualquer, houve um motivo e uma história, seria interessante um dia descobrir...

Perdoe-nos as eventuais imperfeições no áudio. Possuímos dois exemplares deste LP e ambos estão em péssimo estado de conservação, sendo impossível obter um som mais limpo sem comprometer a audição. Ainda assim, do mar de ruídos emergiu um som satisfatório.

“Música e Romance” com Oscar Borgerth e Léo Peracchi, nos faz lembrar de lugares distantes e pessoas amadas, uma trilha sonora perfeitas para os sonhos.

Para saber mais sobre Léo Peracchi visite o belíssimo site do Maestro que inclui biografia, discografia e muito mais mantido pelo Sesc SP.

01 Canções que Minha Mãe me Ensinou [Dvorák]
02 Humoreske [Dvorák]
03 Flor da Noite [Radamés Gnattali]
04 Valsa Opus 39 Número 15 [Brahms]
05 La Plus Que Lemte [Debussy]
06 Noturno Opus 72 [Chopin]
07 Dança Hespanhola número 5 [Granados]
08 Valsa Triste [Vecsey]

Oscar Borgerth: violino
Léo Peracchi: piano

Este disco é um presente do site Bossa-Brasileira e não pode ser comercializado.


Oscar Borgerth em retrato assinado por Cândido Portinari

Rosina Pagã 1957 "Sucessos Com Rosina Pagã" [Rádio 0025V]

Caso raro de hype na pré-história da música brasileira, as Irmãs Pagãs - Elvira e Rosina Cozzolino - fizeram enorme sucesso e incendiaram o rádio brasileiro com sensualidade e o nome sugestivo. Tinham voz rouquinha e afinada, de pouca projeção, mas com graça natural e interpretação cheia de malícia. Eram também muito bonitas. Nasceram no interior de São Paulo, mas entraram no rádio no Rio de Janeiro, pelas mãos de produtor Gilberto de Andrade, no início da década de 1930.

Naquele tempo associar música à sensualidade não significava a mesma coisa que hoje, com a vulgarização do tema. Mesmo assim para a mentalidade da época, uma mulher possuía péssima reputação apenas por ser cantora de rádio. Que dizer de cantoras se insinuando sensualmente em trejeitos vocais e nas letras das canções... Havia modelos similares no exterior e nosso país tropical não poderia deixar de produzir suas representantes legítimas, ainda mais sob o requebro das batucadas. Nos palcos dos cassinos e teatros de revista as roupas que [des]cobriam as vedetes diminuíam cada vez mais e timidamente saíam dos recintos fechados para escandalizar a “sociedade” nas praias cariocas. No morro, a coisa não era novidade. Mas na praia, as oxigenadas Rosina e Elvira estão entre as pioneiras, seguidas da vedete Luz Del Fuego e da cantora Dora Lopes. Quatro artistas entre as primeiras mulheres que usaram biquínis nas praias do Brasil nos anos 40 e 50 do século passado. Pois é, este país deve muito a elas.

Rosina Pagã “Sucessos Com Rosina Pagã” 1957 Rádio 0025 V

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Mas nem todas as cantoras participavam da bagunça, Linda e Dircinha, as Irmãs Batista [!!] eram o antídoto às Pagãs, como representantes das meninas “de família” - intento que não durou muito devido ao próprio comportamento das Batista. A verdade é que de Dalva de Oliveira à Maysa, todas as cantoras brasileiras foram do balacobaco.~

As mulheres que cantavam no rádio tinham que competir de igual para igual com os marmanjos, donos literalmente do pedaço. Aracy de Almeida e Araci Côrtes, por exemplo, caíam nas rodas de samba, não levavam desaforo para casa de ninguém e deram muito trabalho para os delegados dos subúrbios do Rio. Marília Batista com pose de dama e tudo, também não ficava atrás. O fato é que se faziam respeitadas.

O início da década de 1930 foi época de ouro dos conjuntos vocais masculinos, como os Anjos do Inferno e o Bando da Lua e de cantores como Francisco Alves e Mário Reis. Carmen Miranda ainda gravava no Brasil, fazia grande sucesso e sua irmã Aurora também. Outra Carmen, a Barbosa também encantava no rádio. As Irmãs Pagãs eram amigas da turma do rádio, cantavam informalmente nas festas e despertavam paixões. O olhar fatal quando eram fotografadas e as poses propositalmente sensuais em quase nudez, eram o elemento de promoção/provocação. Mas não era apenas isso, suas vozes tinham uma bossa incomum, mostrando grande talento, os discos de 78 rpms que deixaram são a prova.

Quando a dupla se desfez Elvira se retirou temporariamente do mundo artístico e Rosina mudou-se para o exterior, continuando a cantar e participou de alguns filmes no México e nos Estados Unidos. Quando voltava ao Brasil, em pequenas temporadas, Rosina fazia questão de gravar. As Irmãs Pagãs não foram facilmente esquecidas. Elvira, retorna como atriz em filmes no Brasil e na América Latina. Sempre em papéis sensuais elas nunca conseguiram se distanciar da imagem que usaram em seu favor.

Este disco trás pelo menos duas maravilhas na voz de Rosina Pagã. Ele não é de todo bom, ela gravou algumas besteiras. O conjunto ajuda bastante, com piano vigoroso em algumas faixas lembrando a pegada do Britinho, puxando o ritmo marcado. Os destaques são um samba fantástico do Assis Valente “Não Sossega Não” - cantado com tanta graça por Rosina que somos rendidos pelo seu encanto - e o cha-cha-cha “Nunca” com a voz em efeito similar ao que obtinham as Irmãs Pagãs. “Maracangalha” de Dorival Caymmi também aparece em grande forma na voz de Rosina com belo solo de acordeon entre palmas e percussão marcada.

Já entre as besteirinhas estão os sucessos da moda na época como “Que Será, Será” versão Nadir Corte Real, “Le Piano Du Pauvre”, as baladinhas teens “Conversa de Telefone”, “Mamãe Quero Dançar” e “Mambo Rock” - sim amigos um rock, ainda que vestido de mambo - com solo de piano alucinante... Exótico não? Pra animar festinha bizarra...

Mas não se engane que aqui a coisa é boa! “Não Sossega Não” e “Nunca” valem o disco todo. Coisa finíssima. E mesmo nos momentos exóticos, temos a voz de Rosina Pagã que por si só é uma brasa!

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01 Que Será Será [Jay Livigston, Ray Evans, versão Nadir Corte Real] valsa
02 Não Sossega Não [Assis Valente] batucada
03 Nunca [Guty Cardenas] cha-cha-cha
04 Maracangalha [Dorival Caymmi] samba
05 Piano do Pobre [Le Piano Du Pauvre] [Leo Ferré] fox
06 Conversa de Telefone [Steve Allen, versão Lourival Faissal] fox
07 Mamãe Quero Dançar [letra de Lourival Faissal] cha-cha-cha
08 Mambo Rock [B. Reichner, M. Phillips, J. Ayre] mambo rock

este disco é um presente do site bossa-brasileira e não pode ser comercializado.

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acima, a irmã Elvira Pagã no tempo do balacobaco...

abaixo trecho do filme "Alô, Alô Carnaval" de Adhemar Gonzaga, 1936, com as lendárias Irmãs Pagãs

09/11/2010

BossaFilmes apresenta "Noel Rosa" HD 2010


Por ocasião do centenário de nascimento de Noel Rosa a BossaFilmes produziu o curta-metragem documental “Noel Rosa” em HD mesclando imagens de época, fotografias, depoimentos e animações.

As imagens mostram o Rio de Janeiro romântico na década de 30 do século passado, os elementos de uma modernidade recém conquistada, a brasilidade, a faculdade de medicina, o samba do morro descendo ao asfalto e as grandes paixões de Noel Rosa: a poesia, as mulheres da boemia e os automóveis.

“Noel Rosa” foi indicado como finalista para o 6° Prêmio BRAVO! Bradesco Prime, organizado pela revista BRAVO! e teve trechos exibidos na elegante Sala São Paulo, na cerimônia de entrega dos prêmios que teve Noel Rosa como homenageado em apresentações do ator Lázaro Ramos e da cantora Roberta Sá, entre outros.

“Uma aproximação entre o universo do compositor e o do cinema russo dos anos 20.” - Revista BRAVO!

com
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Noel Rosa
Aracy de Almeida
Almirante
Marília Batista
Adoniran Barbosa
Ismael Silva
Elizeth Cardoso
Braguinha
Pixinguinha
Francisco Alves
Carmen Miranda
e os artistas gráficos Lan e Paez Torrez

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Noel Rosa - BossaFilmes HD 2010
direção, edição, restauração de imagens & som, desenho de som por Thiago Mello
restauração de imagens e acervos Luiz Octavio Bueno,
Gabriel Gonzaga
supervisão de áudio
Caique Benigno
agradecimentos Luiz Octavio Bueno, Caique Benigno, Gabriel Gonzaga, Ângela de Almeida & Lira Neto

Noel Rosa da BossaFilmes na Sala São Paulo, outubro 2010, na entrega do Prêmio Bravo! Bradesco Prime dos melhores do ano.

30/03/2010

"A Bossa Brasileira de Heitor Villa-Lobos" [BRLP 004]

É com grande felicidade que trago aqui o álbum “A Bossa Brasileira de Heitor Villa-Lobos”, uma coleção de melodias selecionadas dentro da face, digamos, popular na vasta e pouco conhecida obra de nosso maestro-compositor mais genial. Longe de qualquer pretensão didática, produzimos uma coleção com algumas das nossas melodias favoritas do mestre, na intenção de captarmos um pouco a bossa da sua música. Como colcha de retalhos, há gravações de diferentes artistas registradas em diferentes épocas, selecionadas entre intérpretes que tiveram a trajetória musical de alguma forma ligada à música de Villa-Lobos.

Sob a pauta erudita estão canções populares brasileiras: valsas, canções folclóricas, choros, serestas, modinhas, cirandas, estudos, prelúdios e até uma adaptação de canção indígena. “A Bossa Brasileira de Heitor Villa-Lobos” traz um pouco do mundo genial de melodia, construção e forma que há na música do compositor. Uma música que ao mesmo tempo em que sinaliza ao futuro, com estruturas cíclicas, repetições e dissonâncias, parte de um sólido conhecimento de toda música do passado. Elementos que moldam uma música atemporal.

A coleção está dividida em duas partes, porém propomos uma audição integral dos volumes, a ordem das faixas percorre diversos caminhos indicados pelo mestre em cada composição, como viagem ao mundo dos sonhos. Onde sopranos do quilate de Lia Salgado, Bidú Sayão, Maria Lúcia Godoy e Cristina Maristany, se juntam a vozes populares como as de Inezita Barroso, Maria Bethânia, Cida Moreira, Monica Salmaso e Gisa Nogueira. E os pianos geniais de Alceu Bocchino, Arnaldo Estrela, José Echaniz, Miguel Proença, Homero de Magalhães, Murillo Santos, Antônio Guedes Barbosa e Sonia Maria Strutt, se juntam a perfeição dos violões de Turíbio Santos, Laurindo Almeida, Waltel Branco, Sebastião Tapajós, Antônio Carlos Barbosa Lima e Sérgio Assad.

Todas as faixas merecem audição atenta, mas vale destacar algumas melodias. Como a belíssima “Valsa da Dor”, interpretada por Arnaldo Estrela, de modulação ao mesmo tempo sofisticada e singela. Ou a adaptação da ciranda infantil “Que Lindos Olhos”, interpretada pelo pianista Homero de Magalhães, na qual Villa-Lobos imprime beleza na melodia em diversos fragmentos interligados.

Ary Barroso & Villa-Lobos em 1958.

A belíssima “Evocação” surge grande na voz de Lia Salgado, uma das mais completas intérpretes do Lied Brasileiro. Com ela há ainda uma fantástica adaptação da ciranda “Nesta Rua”, a divertida “Vida Formosa”, a densa “Inhapopê” e numa gravação rara, a minimalista “Canção do Marinheiro” com poema de Gil Vicente.

Nossa querida Lenita Bruno comparece perfeita no “Lundú da Marquesa de Santos” com orquestra sob direção do genial maestro Léo Peracchi. Já Maria Lúcia Godoy, uma das mais belas vozes que a música de Villa-Lobos já conheceu, canta a enigmática “Saudades da Minha Vida”, a bonita “Modinha” com poesia de Manuel Bandeira, “Realejo” e a “Canção da Folha Morta” com letra do poeta Olegário Mariano.

Bidú Sayão, considerada uma das mais completas cantoras líricas de todos os tempos, aparece em gravações onde a orquestra é regida pelo próprio maestro-compositor, a famosa “Ária” da “Bachiana Brasileira no. 5”, com letra de Ruth Valadares Correia, e a belíssima “Melodia Sentimental”, com poesia de Dora Vasconcelos - talvez a mais bela canção brasileira, que também aparece em outra belíssima gravação na voz e na interpretação de Maria Bethânia.


Bidú Sayão e Villa-Lobos em 1959.

A pianista Sonia Maria Strutt, sobrinha de Villa-Lobos, participa com muita competência em gravações datadas do final dos anos 50, como “Artimanhas” e a incrível “Nenê Vai Dormir” ambas da “Suíte Infantil no. 1” composta em 1912. E em “Manquinha” e “Acordei de Madrugada”, ambas do “Guia Prático” de 1932. Tanto nas adaptações quanto nas composições próprias, o ouvido atento perceberá traços de melodias de ninar tradicionais na musica, numa linguagem que se aproxima claramente da usada hoje nos samplers. Já o “Prelúdio no. 1” é interpretado com surpreendente sentimento pelo Antônio Carlos Barbosa e Lima, em gravação de 1959 quando o violonista tinha apenas 13 anos de idade.

“Viola Quebrada” composta sob poema de Mário de Andrade, aparece na voz de Cristina Maristany e no piano de Alceu Bocchino, responsáveis também pela interpretação da canção indígena “Hozani-na” e pelo belo “ponto de macumba” “Estrela É Lua Nova”. Já “Cantilena”, melodia tradicional “de pretos do recôncavo baiano” [como anotado no selo do disco original de 1955] adaptada por Villa-Lobos, é cantada com propriedade por Inezita Barroso.

A canção de ninar “Terezinha de Jesus” desconstruída por Villa, com o auxilio do piano de Homero de Magalhães, abre a segunda parte do álbum e é uma dos momentos mais incríveis da coleção. Outra peça belíssima para violão é o “Prelúdio no. 2” interpretado pelo grande Waltel Branco em uma gravação registrada em 1974. Seguida pelo registro de 1957 do violão de Laurindo Almeida com “Gavotta Choro”.
O famoso ”Trenzinho do Caipira” é totalmente recriado por Egberto Gismonti, em uma gravação radical, onde aparecem sons do sertão brasileiro modulados por sintetizadores.

O grande violonista Turíbio Santos comparece em “Prelúdio no. 5 em Ré Maior”, no “Estudo no. 1 em Mi Menor” e em uma gravação rara de 1960 ao lado de Oscar Caceres “A Lenda do Caboclo”. Há ainda os violões de Sérgio Assad e do mestre Sebastião Tapajós. Além da personalidade de Cida Moreira na recriação da densa “Canção do Amor” e a doçura de Monica Salmaso para “Cai a Tarde”, ambas sob poemas de Dora Vasconcelos.

Encerrando a coleção, Gisa Nogueira canta o samba “Quando Uma Estrela Sorri”, assinado por Villa-Lobos, pelo jornalista e compositor David Nasser e pelo grande sambista Donga. Samba criado nas ocasiões em que Villa ao lado dos bambas subia o morro para beber mais um pouquinho da fonte pura da bossa. Mas esta, já é outra história...

Feche os olhos e ouça.





“A Bossa Brasileira de Heitor Villa-Lobos” - primeira parte BRLP 004/A

“A Bossa Brasileira de Heitor Villa-Lobos” - segunda parte BRLP 004/B

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Primeira Parte

01 Arnaldo Estrela “Valsa da Dor” [Heitor Villa-Lobos] 1958
02 Sonia Maria Strutt “Artimanhas” [Heitor Villa-Lobos] 1959
03 Lia Salgado & Alceu Bocchino “Evocação” [Villa-Lobos, S. Salema] 1957
04 Lenita Bruno “Lundú da Marquesa de Santos” [Villa-Lobos, Viriato Correia] 1959
05 Turíbio Santos “Prelúdio no. 5 em Ré Maior” [Heitor Villa-Lobos] 1971
06 José Echaniz “Boneca de Pano” [Heitor Villa-Lobos] 1955
07 Sonia Maria Strutt “Nenê Vai Dormir” [Heitor Villa-Lobos] 1959
08 Maria Lúcia Godoy & Miguel Proença “Saudades da Minha Vida” [Villa-Lobos, Milano] 1983
09 Bidú Sayão, orquestra reg. Villa-Lobos “Melodia Sentimental” [Villa-Lobos, Dora Vasconcelos] 1959
10 Turíbio Santos “Estudo no. 1 em Mi Menor” [Heitor Villa-Lobos] 1963
11 Inezita Barroso “Cantilena” [adaptação Villa-Lobos, recolhido por Sodré Viana] 1955
12 Antônio Carlos Barbosa Lima “Prelúdio no. 1” [Heitor Villa-Lobos] 1959
13 Maria Lúcia Godoy “Modinha” [Villa-Lobos, Manuel Bandeira] 1977
14 Sebastião Tapajós “Cadência” [Heitor Villa-Lobos] 1968
15 Cristina Maristany & Alceu Bocchino “Viola Quebrada” [Villa-Lobos, Mário de Andrade] 1960
16 Lia Salgado & Murillo Santos “Nesta Rua” [adaptação Villa-Lobos] 1959
17 Maria Lúcia Godoy & Miguel Proença “Realejo” [Villa-Lobos, A. Moreira] 1983
18 Cida Moreira “Canção do Amor” [Villa-Lobos, Dora Vasconcelos] 2007
19 Homero de Magalhães “Que Lindos Olhos” [adaptação Villa-Lobos] 1960



Segunda Parte

01 Homero de Magalhães “Terezinha de Jesus” [adaptação Villa-Lobos] 1960
02 Lia Salgado & Alceu Bocchino “Vida Formosa” [ambientação Villa-Lobos] 1957
03 Maria Lúcia Godoy & Miguel Proença “Canção da Folha Morta” [Villa-Lobos, Olegário Mariano] 1983
04 Sonia Maria Strutt “Manquinha” [Heitor Villa-Lobos] 1959
05 Waltel Branco “Prelúdio no. 2” [Heitor Villa-Lobos] 1974
06 Laurindo Almeida “Gavotta Choro” [Heitor Villa-Lobos] 1957
07 Sérgio Assad “Mazurka Choro” [Heitor Villa-Lobos] 1978
08 Lia Salgado & Murillo Santos “Nhapopê” [adaptação Villa-Lobos] 1959
09 Cristina Maristany & Alceu Bocchino “Hozani-na” [adaptação Villa-Lobos] 1960
10 Egberto Gismonti “O Trenzinho do Caipira” [Heitor Villa-Lobos] 1987
11 Turíbio Santos & Oscar Caceres “Lenda do Caboclo” [Heitor Villa-Lobos] 1960
12 Sérgio Assad “Chorinho” [Heitor Villa-Lobos] 1978
13 Cristina Maristany & Alceu Bocchino “Estrela É Lua Nova” [adaptação Villa-Lobos] 1960
14 Homero de Magalhães “A Condessa” [adaptação Villa-Lobos] 1960
15 Sonia Maria Strutt “Acordei de Madrugada” [Heitor Villa-Lobos] 1959
16 Lia Salgado & Murillo Santos “Canção do Marinheiro” [Villa-Lobos, Gil Vicente] 1959
17 Antônio Guedes Barbosa “Prelúdio, Bachianas no. 4” [Heitor Villa-Lobos] 1986
18 Bidú Sayão, orquestra reg. Villa-Lobos “Ária, Bachianas no. 05” [Heitor Villa-Lobos, Correia] 1959
19 Maria Bethânia “Melodia Sentimental” [Villa-Lobos, Dora Vasconcelos] 2003
20 Monica Salmaso “Cai a Tarde” [Villa-Lobos, Dora Vasconcelos] 1999
21 Gisa Nogueira “Quando Uma Estrela Sorri” [Villa-Lobos, Donga, David Nasser] 1974


Este disco é um presente exclusivo
do site
bossa-brasileira.blogspot.com
e não pode ser comercializado.

25/12/2009

Feliz Natal!

O Bossa-Brasileira deseja aos amigos e visitantes um Feliz Natal!
Nosso muito obrigado a todos que visitam o site, deixam comentários

e nos seguem com interesse e carinho!

Um Feliz Natal brasileiro com muita música, paz e amor a todos!

27/10/2009

"Minha" Dolores Duran

Dolores Duran foi uma das maiores compositoras e intérpretes da Música Brasileira, ouso mesmo dizer que da música mundial. Foi com felicidade que recebi o convite do Milan para elaborar esta coleção de canções para seu site Parallel Realities Studio, que sempre enfoca belas vozes femininas do Brasil.

Dolores Duran é um caso único na história da nossa música. Surgiu como menina-prodígio capaz de impressionar o exigente Ary Barroso na sua primeira aparição frente aos microfones de uma emissora de rádio. Tornou-se, no auge de sua trajetória, uma bela mulher, dona de uma personalidade magnética, mulata de musicalidade absoluta e um par de bochechas que teimavam em sustentar o constante e largo sorriso.
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Sua voz rouquinha de emissão não muito potente cantou a tristeza de maneira impressionante, porém, ao mesmo tempo era capaz de levantar o astral de todos à sua volta com intermináveis anedotas e imitações das manias e trejeitos dos seus colegas da boemia carioca. Era o centro das atenções em todas as mesas que freqüentava, aliando graça, inteligência e sagacidade. Seus versos rebuscados e confessionais em “A Noite do Meu Bem”, são até hoje muitas vezes interpretados em tom de tristeza, sendo a música na verdade, uma ode à alegria de se encontrar o ser amado. Dolores tinha facilidade em aprender línguas e absorveu de maneira genial a música e a cultura de outros países, cantando perfeitamente em inglês, francês, espanhol e italiano. A consciência política a levou a se apaixonar pelo socialismo, e ela chegou a se apresentar na antiga União Soviética ao lado de Nora Ney, Jorge Goulart do Conjunto Farroupilha entre outros artistas. Num mundo profissional totalmente machista e bastante racista, onde a criatividade duelava marcadamente com a competição musical, ela conseguiu impor respeito, dando um passo além de muitos de seus colegas e contemporâneos. Sua arte é atemporal. Dolores Duran é um patrimônio artístico deste país.

Nesta coleção procurei selecionar de seu repertório, as canções baseando a escolha num tom pessoal. O resultado me surpreendeu, pois acabou mostrando o quanto moderna era a sua interpretação, e o quanto modernos eram também os compositores, os arranjos e o repertório escolhido a dedo pela grande sensibilidade da cantora. Para o efeito ser completo, o ideal é ouvir a coleção como um disco, na seqüência, do início ao fim. São sambas, sambas-canção, boleros, jazz e até mesmo baião, em uma viagem por todo o mundo musical particular de Dolores. Os fonogramas também receberam um leve tratamento digital para dar unidade ao som. Entre as canções em outras línguas há até mesmo uma em esperanto - “Nigraj Manteloj”, versão para a famosa “Coimbra” [de Errao, Galhardo, na versão de Baena].
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Não poderiam ficar fora grandes interpretações que se tornaram também sucessos como “My Funny Valentine” [Rodgers, Hart], “Canção da Volta” [Ismael Netto, Antônio Maria], “A Noite do Meu Bem” [Dolores Duran], “Conversa de Botequim” [Noel Rosa e Vadico], “Viva Meu Samba” [de Billy Blanco] e “Por Causa de Você” [a parceria mais famosa de Dolores Duran e Antônio Carlos Jobim]. Ao lado destas, algumas canções menos conhecidas, porém não menos geniais, como “Estranho Amor” [do mestre Garoto com letra de David Nasser], “Quem Foi?” [de Nestor de Hollanda e Jorge Tavares], “Ave Maria Lola” [S. Siaba], “Bom É Querer Bem” [de Fernando Lobo], “Onde Estará Meu Amor?” [da compositora Lina Pesce] e a incrível “Minha Toada” [composição de Dolores Duran e do saudoso Edson França, outro gênio musical, mais conhecido pela bela voz a frente do Trio Irakitan].

Em todos os gêneros e paisagens musicais por onde Dolores Duran passeou, há genialidade, doçura, humor e muita emoção. Modelando assim uma rara perfeição musical capaz de emocionar até mesmo as pedras do caminho. Afinal, passada a tristeza da perda, não importa se ela nos deixou cedo, importa sim, o que ela nos deixou. Divido então, um pouco da “Minha” Dolores, com todos vocês.

“Minha Dolores por Thiago Mello”
2009 [Bossa-Brasileira & Parallel Realities Studio]

01 Bom É Querer Bem [Fernando Lobo]
02 My Funny Valentine [Rodgers, Hart]
03 Solidão [Dolores Duran]
04 A Noite do Meu Bem [Dolores Duran]
05 Estranho Amor [Garoto, David Nasser]
06 Ave Maria Lola [S. Siaba]
07 Minha Toada [Edson França, Dolores Duran]
08 Na Asa do Vento [Luiz Vieira, João do Vale]
09 Viva Meu Samba [Billy Blanco]
10 A Banca do Distinto [Billy Blanco]
11 Conversa de Botequim [Noel Rosa, Vadico]
12 Manias [Flávio Cavalcanti, Celso Cavalcanti]
13 Nigraj Manteloj [Coimbra em Esperanto] [Errao, Galhardo, Baena]
14 Sinceridad [G. Perez]
15 An Affair to Remember [Adamson, Mcarey, Chandler, Warren]
16 Onde Estará Meu Amor? [Lina Pesce]
17 Canção da Volta [Ismael Netto, Antônio Maria]
18 Quem Foi? [Nestor de Hollanda, Jorge Tavares]
19 Pra Que Falar de Mim? [Ismael Netto, Macedo Neto]
20 Por Causa de Você [Dolores Duran, Antônio Carlos Jobim]

Este disco é um presente dos blogs:
Parallel Realities Studio & Bossa-Brasileira
E não pode ser comercializado.

04/09/2009

No Ar! Trailer do documentário "Com Carinho de Maysa"

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É com grande felicidade que trazemos aqui o trailer do primeiro longa-metragem da Bossa Filmes: “Com Carinho de Maysa”, atualmente em fase de produção e ainda sem previsão de lançamento. O primeiro trailer oficial ja está no ar: no youtube e no vimeo. Também está no ar o blog do filme. Nosso muito obrigado à todos os amigos, colaboradores, pesquisadores e envolvidos direta ou indiretamente no projeto!

Este filme é uma declaração de amor que fazemos à Maysa e uma declaração de amor que Maysa faz à seu público.

05/07/2009

Dóris Monteiro 1957 “Dóris Monteiro” [Columbia LPCB 35045]

O Brasil possui cantoras magníficas, mas dentre todas elas, há uma que merece todo o nosso carinho e destaque. Trata-se da grande Dóris Monteiro, que ainda hoje canta, com 55 anos de atividade profissional, ela está cantando lindamente por sinal, com o mesmo brilho, o que mais uma vez nos enche de alegria e orgulho! Por este motivo trazemos este LP aqui - novamente uma colaboração do grande amigo Clóvis de Curitiba, nosso imenso obrigado!

Este é um LP pouco conhecido de Dóris Monteiro, no formato de 10 polegadas, lançado em 1957. No repertório está, entre outras preciosidades, a gravação original de “Mocinho Bonito”, um clássico de Billy Blanco, grande sucesso na época e considerada como uma das gravações inaugurais da bossa nova. A matriz deste disco, se existir, está escondida nas prateleiras empoeiradas do que restou do acervo da Columbia. Apenas mais um exemplo do descaso histórico com a nossa música. Excluindo “Mocinho Bonito” os outros fonogramas não foram até hoje relançados em nenhum formato. Portanto, trata-se de uma jóia rara.
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Em 1957 Dóris Monteiro já era uma grande estrela, e havia sido eleita Rainha do Rádio por dois anos consecutivos. Seu “fio de voz”, como diziam alguns colegas, era também a marca de uma cantora moderna e sofisticada, que sabia ser ao mesmo tempo simples e sofisticada, e muito popular, agradando a todos os ouvintes, técnicos, produtores e colegas músicos da nossa Era do Rádio. Além de cantar também atuou frente ao microfone como locutora e disc-jokey [!] e também fez sucesso nas telas de cinema como atriz, chegando a ganhar prêmios. Uma bela trajetória. Ainda nos anos 40, podia ser apenas uma menina com a mãe sempre ao lado “de guarda”, mas quando cantava, transmitia poesia pelas ondas do rádio. E é assim neste disco. Dos primeiros acordes de “Faça de Conta”, bonita composição de Fernando César, até o último segundo da enfumaçada “Meu Tema”, de Édson Borges, este disco é todo, uma grande beleza.

Aqui, ela registrou duas composições de Maysa, que recém havia surgido no cenário musical como um furacão de sucesso e expressão artística. São duas músicas do primeiro disco da Maysa, lançado um ano antes: “Marcada” e “Resposta”. Duas belas composições, que ao ganharem interpretação da já experiente colega, são prova do quanto reverenciada Maysa foi no meio musical, ao mesmo tempo em que fazia enorme sucesso popular. As interpretações de Dóris Monteiro para estas duas canções são belíssimas, muito particulares, com toda a sua personalidade musical. Vale lembrar que Maysa ainda não havia gravado nem o seu segundo LP quando Dóris Monteiro lançou este. Uma bela homenagem, que deixou Maysa muito feliz. Que compositor não gostaria de ter uma música sua interpretada por Dóris Monteiro? Elas chegaram a dividir o microfone nesta época em programas no rádio.

“Dóris Monteiro” é um LP belíssimo, é a música brasileira elegante dos anos 50. Durante muitos anos se criticou o samba-canção, ainda hoje é tido como um estilo menor, cafona, sem importância. Há quem diz que se aparenta do tango e do bolero, que o piano tem vibrato, que a orquestra desliza, que as letras são melosas, ou até mórbidas o que for... Nada disso importa! Quem não tem sentimentos que não sinta... há quem sente, isso sem dúvida! A voz, mesmo que por “um fio”, tem a toda a doce dimensão da poesia daqueles dias. Mesmo que nem todas as canções sejam espetaculares como “Mocinho Bonito”, “Resposta” ou “Faça de Conta”. A contracapa é outra atração, com texto assinado pelo compositor Fernando César, onde certa altura ele afirma - “...Dóris não é nada daquela ‘figura para Ibrahim ver’... ...humana, dá-se ao luxo de acumular as qualidades de mulher bonita e inteligente...” - impregnado pelo machismo da mentalidade da época.

Dóris Monteiro, o maestro Eleazar de Carvalho e o cantor Lúcio Alves - início da década de 50.

Os arranjos do disco são incríveis, vem com a assinatura da orquestra toda original de Renato de Oliveira. Há violinos, acordeons, sax, percussão em primeiro plano e piano, tudo arranjado no maior capricho, como convém ao maestro, abrilhantando as composições. Uma preciosidade - que mais dizer de um disco que reúne a orquestra de Renato de Oliveira, mais a voz de Dóris às composições de Fernando César, Maysa, Billy Blanco, Édson Borges, Eduardo Luiz e Amado Régis?

Na incrível “Minha Obsessão” [de Nando e J. Marques] a voz cheia de estilo, enche o ambiente atravessando o espaço - chega a arrepiar - Dóris canta uma letra que traduz perfeitamente a atmosfera geral: “...é obsessão / é atroz, é cruel, é fatal / é um doce veneno que embriaga, seduz e afinal / mata lentamente como a flor cheirosa de espinhos mortais... / ...é melhor que eu procure esquecer / o que só desenganos me traz / terminemos sim, e outro amor, nunca mais!”

Dóris Monteiro 1957 “Dóris Monteiro” [Columbia LPCB 35045]

01 Faça de Conta [Fernando César] bolero
02 Marcada [Maysa] samba-canção
03 Real Conclusão [Eduardo Luiz, Amado Régis] toada
04 Mocinho Bonito [Billy Blanco] samba
05 Resposta [Maysa] samba-canção
06 Minha Obsessão [Nando, J. Marques] bolero
07 Só Pode Ser Você [Fernando César] fox
08 Meu Tema [Édson Borges] beguine

Arranjos e orquestra sob regência do Maestro Renato de Oliveira

13/06/2009

Rosa Pardini 1959 “Eu, O Luar & Você” [RCA Victor BBL 1143]

É com emoção que trago mais esta beleza da discografia brasileira, quase perdida no espaço-tempo. Um disco lindo, que deve ser degustado com calma e cuidado, como convém a toda grande obra de arte. Trata-se do terceiro LP da cantora Rosa Pardini, “Eu, o Luar e Você” [BBL 1143] primeiro na gravadora RCA Victor, lançado em 1959, com arranjos e regência do maestro Erlon Chaves, um de seus primeiros trabalhos à frente de uma grande orquestra.

Um mergulho no universo da música brasileira não seria completo se não fossem trazidos à tona artistas que - por puro descaso - caíram no esquecimento, mesmo dotados de características marcantes e trabalhos artisticamente irretocáveis. Para tanto, o trabalho de recuperação dessa memória é indispensável.

Rosa Pardini faz parte deste time de artistas. Cantora nascida em São Paulo em 1926. Teve a voz treinada nos ambientes da música clássica, mas era apaixonada pela música popular. Descoberta em 1943, pelo então diretor artístico da Rádio São Paulo, Oduvaldo Vianna, Rosa Pardini foi durante as décadas de 40 e 50, destaque em emissoras da capital paulista. Gravou diversos 78 rpms e um LP em 10 polegadas com o grande maestro Enrico Simonetti. Apareceu também no cinema e foi apelidada pelo locutor Alberto Nagib de “Pássaro de Ouro”, devido a sua voz cristalina.

Este é seu terceiro disco. São canções, choros e valsas, algumas clássicas do cancioneiro brasileiro, que nas mãos do maestro Erlon Chaves, ganham roupagem ousada e moderna, mesmo respeitando a tradição brasileira das modinhas, valsas e serestas. O resultado é no mínimo fantástico. Há aqui gravações definitivas para grandes clássicos como “Tamba-Tajá” do cancioneiro amazônico de Waldemar Henrique e “Guacyra” de Hekel Tavares e Joraci Camargo.


Registrado em 1959, o disco fez sucesso popular e se destacou numa época em que as gravadoras apostaram em vozes femininas de talento para registrarem discos ousados artisticamente, e se equilibravam entre a música erudita e a popular. Cantoras menos populares como Maria Helena Raposo, Lia Salgado, Leda Coelho e Délora Bueno, conseguiram a proeza de lançar LPs clássicos nestes moldes. Lenita Bruno em 1958 havia registrado pelo selo Festa a obra-prima “Modinhas Fora de Moda”, do qual este disco de Rosa Pardini, é também parente próximo.

Rosa Pardini foi casada com Wanderley Taffo, maestro, clarinetista e arranjador genial, na época conhecido por Siles, líder de um conjunto bastante atuante nas décadas de 40 e 50 em rádios, TVs e discos. Desta união nasceu o guitarrista Wander Taffo. No início dos anos 60 ela diminui a freqüência nas rádios e TVs, mas continua a cantar, infelizmente porém não registra mais discos.

Apenas por ter nos deixado “Eu, o Luar e Você”, Rosa Pardini merece figurar entre as grandes artistas da voz no Brasil. É ouvir, e tirar as próprias conclusões. De minha parte, posso apenas comentar a beleza e a delicadeza dos arranjos e da dicção perfeita da cantora, como na faixa título, que abre o álbum, de autoria de Sivan Castelo Neto - “Eu, o Luar e Você” tem a orquestra discreta emoldurada por harpas, num estilo que apenas na década de 50 seria possível registrar.

“Guacyra” clássico de Hekel Tavares e Joraci Camargo ganha arranjo de bossa, como se dizia na época, com a clarineta - provavelmente o próprio Siles - e um violão já anunciando novos tempos. O arranjo é ousado e brinca de modernidade. Já em “O Que Eu Queria Dizer”, também do mestre Hekel Tavares em parceria com Mendonça Jr, Rosa Pardini surge cheia de ternura transpirando a exata emoção que os autores impregaram tanto na letra quanto na melodia.

Em “Chorinho” o clima se alegra com uma beleza única e o ritmo dolente, Pardini mostra que sua voz também era perfeita para o samba e o chorinho. “...e os três / vão por este mundão que se chama saudade / conduzindo três almas, demais brasileiras /serena tanto / enquanto alguém que ama / abre a janela e espia sobre o luar / que é mesmo um dia / embranquecendo a amplidão...” A poesia é maravilhosa, mas não pára por aqui...

O maestro Waldomiro Lemke, o cantor Agostinho dos Santos e o maestro Erlon Chaves, autor dos arranjos deste disco, foto 1959.

“Se Tu Soubesses” [George Moran, Christóvão de Alencar], traz a cantora de volta ao samba-canção, num arranjo cheio de sutilezas. O lado fecha com “Chuva e Vento” dos consagrados compositores Alberto Ribeiro e José Maria de Abreu. Melodia com não sei o que de moderno, os arranjos novamente na bossa do violão e do clarinete, mas com vibrafone e coro completando a maravilha, tudo soando terrivelmente estranho e moderno: “a chuva cai... / é o pranto amor / da dor universal...”

O lado B abre com “Modinha” de Jayme Ovalle, com letra do poeta Manuel Bandeira, canção que jáhavia sido gravada com grande beleza por Lenita Bruno, e a versão de Rosa Pardini também é belíssima, com destaque para o naipe de cordas. De autoria do maestro Marcelo Tupynambá, de quem Pardini foi crooner em sua orquestra durante anos, está o belíssimo samba “Mal Estar”, com acompanhamento de regional de choro: “Eu não sei bem por que, sinto-me a envolver / um mal estar / sempre que você / sorrindo chega assim a dizer / você como vai?...” Simplesmente lindo!

Harpas e orquestra retornam em “Noite de Garoa” assinada por Amil. Que se para alguns não é uma música brilhante tem pelo menos uma linha na letra, digna de se destacar como fantástica: “...por que soluças tanto ó coração? / não vês que está traçada a minha meta / deixa eu que sofra com resignação /do próprio mal de ter nascido poeta...” Não é incrível?

Há ainda “Tamba-Tajá” de Waldemar Henrique e “A Carícia de Tuas Mãos” valsa pouco conhecida do mestre Joubert de Carvalho. E para encerrar disco, uma canção brejeira - quase um lamento sertanejo - de beleza sublime, composta por outro mestre Laurindo de Almeida [será que ele fez parte na gravação deste disco?]: “Minha Saudade”. “...minha viola não mais geme que maldade / chora tristemente essa saudade... ...quero conviver com a natureza / quero frente a tal beleza / ser menor que não sei que...” Depois disso, não há mais o que dizer, apenas calar e ouvir... Uma boa viagem!

Rosa Pardini 1959 “Eu, O Luar & Você” [RCA Victor BBL 1143]

01 Eu o Luar e Você [Sivan Castelo Netto]
02 Guacyra [Hekel Tavares, Joraci Camargo]
03 O Que Eu Queria Dizer ao Seu Ouvido [Hekel Tavares, Mendonça Jr.]
04 Chorinho [Waldemar Henrique, Bruno de Menezes]
05 Se Tu Soubesses [George Moran, Christóvão de Alencar]
06 Chuva e Vento [José Maria de Abreu, Alberto Ribeiro]
07 Modinha [Jayme Ovalle, Manuel Bandeira]
08 Mal-Estar [Marcelo Tupynambá]
09 Noite de Garoa [Amil]
10 Tamba-Tajá [Waldemar Henrique]
11 A Carícia de Tuas Mãos [Joubert de Carvalho]
12 Minha Saudade [Laurindo de Almeida]

Arranjos e orquestra sob regência do Maestro Erlon Chaves.

Quero agradecer ao amigo e colecionador Clóvis Cordeiro, de Curitiba, quem gentilmente cedeu este e outros discos para digitalização.

Bossa-Brasileira 2009

Queridos amigos, leitores e acompanhantes do Bossa-Brasileira:

Quero informar à todos que não encerramos as atividades!
Porém, estamos totalmente absorvidos por um outro projeto - também sobre música brasileira, do qual falaremos aqui mais adiante - e que tem tomado todo nosso tempo e dedicação. É por uma boa causa, nos intervalos procurarei trazer aqui mais alguns discos, assim que for possível.

Quero deixar pública minha gratidão para com os amigos, colecionadores e pesquisadores Clóvis Cordeiro [de Curitiba] e ao Gabriel Gonzaga [de São Paulo] que gentilmente nos emprestaram alguns de seus raros itens de seus acervos pessoais, discos que assim que for possível, entrarão aqui. Meu muito obrigado à eles e um grande abraço!

E também meu muito obrigado à todos que nos visitam diariamente, mandam emails, comentam, nos enviam sugestões e discos... um abração à todos!

Thiago Mello