23/03/08

Luiz Americano 1958 "Chora Saxofone" [RCA Victor BBL 1005]

É uma grande honra postarmos aqui um disco do clarinetista Luiz Americano, tanto pela raridade como pela qualidade e importância. A história musical de Luiz Americano se confunde com o desenvolvimento da música popular no Brasil. Filho de mestre de banda, Luiz Americano Rêgo nasceu em Aracaju no ano de 1900. Com o pai iniciou os estudos no clarinete aos 13 anos de idade. Ingressou no exército como músico instrumentista e viajou para o Rio de Janeiro, deixando a farda aos 22 anos para iniciar a longa carreira de músico profissional na então capital federal. A partir da década de 20 grava e se apresenta com as mais importantes orquestras do período, como as de Justo Nieto, Romeu Silva, Simon Boutmann, Raul Lipoff e outras, além de atuar em inúmeros conjuntos regionais. Depois de uma temporada trabalhando na Argentina, Luiz volta ao Rio e funda um dos primeiros conjuntos de jazz a surgirem no Brasil. Por não gostar de viajar deixou de acompanhar Carmen Miranda nos Estados Unidos, no entanto mesmo sem ter ido à terra do jazz, ganhou elogio do mestre do clarinete Benny Goodman.

Luiz Americano era veterano quando gravou este LP para a RCA Victor em 1958, ao lado de um conjunto regional para registrar um apanhado sublime de choros e valsas. Na maioria composições próprias anteriormente gravadas, ao lado de números de Joubert de Carvalho, Eduardo Patané e outros. Coisa muito séria. O que ouvimos aqui é o sax e a clarineta rirem e chorarem alternadamente, brincando com os sentidos do ouvinte com leveza e ironia impressionantes, nos transportando a uma outra dimensão onde a música é coisa divina, saída direto do coração e tocada por anjos.

Luiz Americano 1958 “Chora Saxofone” [RCA Victor BBL 1005]

01 Lágrimas de Virgem [Luiz Americano]
02 Numa Seresta [Luiz Americano]
03 Suely [Eduardo Patané]
04 Léa [Luiz Americano]
05 Assim Mesmo [Luiz Americano]
06 É do Que Há [Luiz Americano]
07 Lêda [Luiz Americano]
08 Tempero da Chiquinha [Luis de Souza, M. H. Santos]
09 Negrinha [Joubert de Carvalho]
10 Valina [Luiz Americano, Daniel Lustosa]
11 Choro de Caetetu [M. H. Santos, Salin Salomão]
12 Garrincha [Luiz Americano]

Norberto Baldauf e Seu Conjunto 1960 "Encontro Dançante" [Odeon MOFB 3137]


Este disco com o Conjunto do Norberto Baldauf é um pequeno tesouro perdido. Foi gravado pela Odeon em 1960, quando o conjunto gaúcho já era bastante conhecido e tinha vários discos lançados. “Encontro Dançante” a primeira vista parece um disco comum, no padrão da época. O repertório é incrível, com músicas que então faziam sucesso e até números da bossa nova, como “Este Seu Olhar”, “Brigas Nunca Mais” e uma belíssima versão de “Eu Sei Que Vou Te Amar” todas de Antônio Carlos Jobim, sendo que as duas últimas com letras de Vinicius de Moraes. Vale destacar ainda as latinas “La Barca”, “El Bodeguero” e também a italiana e divertida “Scapricciatiello”.

“Encontro Dançante” impressiona pela técnica, variedade e criatividade do conjunto e também pela sonoridade do registro em estúdio. Há som de órgão com Solovox, guitarra elétrica, piano vigoroso, acordeon, baixo marcante, ritmo sincopado e um eventual coro. São elementos simples que tomam dimensões inesperadas. Pode-se ouvir a satisfação dos músicos ao interpretar com tanto brilho e força canções mesmo singelas, que se tornam quase brincadeira irresistível de dança. Aliás, é um disco “Para Dançar” conforme se dizia na época, de primeiríssima qualidade...



01 Bom Que Dói [Luis Bonfá]
02 La Barca [Roberto Cantoral]
03 A Certain Smile [Paul Francis Webster, S. Fain]
04 Este Seu Olhar [Antônio Carlos Jobim]
05 Tu Me Acostumbraste [F. Dominguez]
06 To The Ends Of The Earth [J. Sherman, N. Sherman]
07 Scapricciatiello [F. Albano, P. Vento]
08 Da Cor do Pecado [Bororó]
09 El Bodeguero [E. R. Egues]
10 Brigas Nunca Mais [Antônio Carlos Jobim, Vinicius de Moraes]
11 Non Dimenticar [P. G. Redi, M. Galdieri]
12 Eu Sei Que Vou Te Amar [Antônio Carlos Jobim, Vinicius de Moraes]

28/02/08

Lenita Bruno 1968 Lenita Bruno em Hollywood [Fermata FB 235]

Entre os muitos discos de bossa nova gravados nos Estados Unidos depois de 1965 há aqueles que realmente impressionam. Abraçada comercialmente por nossos vizinhos, a bossa nova impulsionou a indústria fonográfica norte americana ao lado do rock, firmando os dois estilos como principais produtos do comércio de discos na época. As gerações acostumadas à música mais sofisticada, como o jazz, tiveram na bossa uma injeção de ar puro e renovação. Muita música boa de verdade foi produzida e gravada, assim como muita coisa descartável. Nossa bossa foi trilha para ajudar a vender diversos produtos, de refrigerantes a passagens aéreas, de balas e chocolates a toalhas de banho, não havia limite para a imaginação dos nossos vizinhos. Tudo era bossa nova. Alguns artistas brasileiros embarcaram na onda e tivemos uma grande evasão de talentos atrás de melhores condições de trabalho. Muitos destes se entregaram ao sistema comercial, mas outros insistiram na arte. Luiz Henrique, Walter Wanderley e Lenita Bruno fizeram parte deste segundo grupo.

Lenita Bruno, treinada no canto lírico e intérprete de canções do universo musical norte americano durante as décadas de 40 e 50, abraçou a bossa nova com muita beleza e sofisticação em seus discos gravados nos Estados Unidos. Depois de deixar dois LPs clássicos como “Por Toda a Minha Vida” e “Modinhas Fora de Moda” [do selo Festa], Lenita partiu em 1964 e gravou com nomes como Laurindo de Almeida, Bud Shank, Claire Fisher e outros.

Este LP foi gravado em Hollywood, a edição nacional lançada em 1968 pelo selo Fermata [FB 235] omitiu como de costume, os nomes dos músicos e arranjadores. Mas é bastante possível que estejam presentes o órgão de Walter Wanderley [o toque inconfundível] e a bateria do mestre Paulinho. Com letras traduzidas para o inglês Lenita canta clássicos de Jobim [“Este Seu Olhar”, “Desafinado” e “Chega de Saudade”], Dorival Caymmi [“Acalanto”], Chico Buarque de Hollanda [“A Banda”, “Carolina” e “Tem Mais Samba”], Dolores Duran [“A Noite do Meu Bem”], Djalma Ferreira e Luis Antônio [“Cheiro de Saudade” e “Murmúrio”] e outros. Tudo emoldurado por belos arranjos com destaque para os metais, percussão, piano e órgão hammond marcantes. Um clássico. Agradecimentos ao Sr. Clóvis de Curitiba por ceder sua cópia para a nossa masterização digital.

Lenita Bruno 1968 Lenita Bruno em Hollywood [Fermata FB 235]


01 All I Need Is All I Want [Tem Mais Samba] [C. Buarque, vrs. M. Bergman, vrs. A. Bergman]
02 Off Key [Desafinado] [Jobim, Mendonça, Vrs. G. Lees]
03 That Look You Wear [Este Seu Olhar] [Antônio Carlos Jobim, vrs. G. Lees]
04 Summer Flower [Carolina] [Chico Buarque de Hollanda, vrs. C. M. Jones, vrs. N. Green]
05 Stay My Love [Dá-me] [Adilson Godoy, vrs. F. Jay]
06 Velvet [A Noite do Meu Bem] [Dolores Duran, vrs. F. Landesman]
07 No More Blues [Chega de Saudade] [Jobim, de Moraes, vrs. J. Hendricks, vrs. J. Cavanaugh]
08 Sleep My Dear One [Acalanto] [Dorival Caymmi, vrs. L. Hayton]
09 Taste Of Sadness [Cheiro de Saudade] [Djalma Ferreira, Luis Antônio, vrs. N. Miller]
10 One Heartache Ago [Murmúrio] [Djalma Ferreira, Luis Antônio, vrs. B. Raleigh]
11 Marching Along With The Band [A Banda] [C. Buarque, vrs. R. Cowen, vrs. L. Kerr]

07/02/08

Luiz Cláudio 1959 Luiz Cláudio [RCA Victor BBL 1065]

LP espetacular, registra a maturidade artística de Luiz Cláudio, importante compositor e cantor que atuou da década de 50 até o início dos anos 80. Nascido em Minas Gerais, Luiz Cláudio ainda menino formou seu primeiro trio vocal. “Descoberto” por um produtor de rádio, passa a cantar na capital Belo Horizonte. A transição aos discos foi rápida e já com suas próprias composições. Acompanhando-se com um violão discreto e cantando de maneira mansa e voz aveludada, Luiz Cláudio teve influência de Lúcio Alves, Dick Farney e Tito Madi, além dos cantores de fox norte-americanos escutados através do rádio. Sua música chamou a atenção rapidamente da juventude e se tornou grande sucesso. Atuou em um programa próprio de TV e despontou como cantor romântico de bom gosto e compositor privilegiado, gravando sambas, sambas-canção, bossa nova, toadas, fox, jazz, música regional e até mesmo rock. Este disco registra a encruzilhada em que estava a música brasileira no momento que surgia a bossa nova. João Gilberto já havia gravado, e há algum tempo apareciam aqui e ali, os sambas sincopados com a nova batida. Luiz Cláudio embarcou na onda antes mesmo dela se formar e gravou neste LP, no ritmo novo a faixa “Menina Feia” de Oscar Castro Neves e Luvercy Fiorinni, autores da clássica “Chora Tua Tristeza”. O arranjo foi feito de improviso, “sem partes escritas” como diz o encarte - ninguém sabia direito o que era que estes rapazes estavam gravando. O resultado é fantástico.

Panorama variado, o LP possui arranjos orquestrais exuberantes, especialmente em “Amor Sem Adeus” de Luiz Bonfá e Antônio Carlos Jobim - onde uma dimensão inesperada parece tomar conta do som, arranjo de Mozart Brandão. Efeito semelhante há em “Noite de Ficar Sozinho” de autoria do próprio Luiz Cláudio com arranjo do maestro Nelsinho. Há ainda a balada “Meu Anjo Azul”, versão de Fred Jorge para “My Blue Angel” sucesso de Glen Stuart. A parceria entre Luiz Cláudio e o grande Fernando César, rendeu “História”, com arranjo latino do maestro Carioca - destaque no piano. “Carinho e Amor” sucesso de Tito Madi, também ganha arranjo sincopado. O fox intimista “Eu, Você e o Luar” de Hilário Alves e Celso Garcia, foi gravado apenas com violão, voz e um trombone - arranjo radical do Nelsinho, de clima enfumaçado de cabaré. O lado B do disco abre com a ótima guarânia - ritmo regional com raízes no Paraguai - “Oração de Amor” de autoria de Arsênio de Carvalho e Lourival Faissal. Melodia linda emoldurada por arranjo perfeito ao clima da canção. O disco volta ao samba-canção com “Só Deus”, sucesso de Evaldo Gouveia e Jair Amorim, com uma combinação do registro grave da voz do Luiz Cláudio com arranjo perfeito pontuado por oboés e flautas. Sucesso também na voz de Maysa. Seguem ainda a bossa “Vou Fazer um Samba” novamente de Evaldo Gouveia. O fox em clima de big-band de Getúlio Macedo, “A Canção do Inverno”. O bolero de Floriano Faissal e Bruno Marnet, “Desencanto” traz belo naipe de metais, e finalmente o LP encerra com o grande destaque já citado: “Amor Sem Adeus”.

Luiz Cláudio lançado em 1959, pela RCA Victor [catálogo BBL 1065] é um dos muitos discos antológicos que foram lançados naquele último ano da década, como que abrindo espaço para as novas sonoridades que seriam absorvidas pela música popular brasileira a partir daí.


Luiz Cláudio 1959 Luiz Cláudio [RCA Victor BBL 1065]


01 Noite de Ficar Sozinho [Luiz Cláudio]
02 Menina Feia [Oscar Castro Neves, Luvercy Fiorinni]
03 Meu Anjo Azul [My Blue Angel] [Glenn Stuart, versão Fred Jorge]
04 História [Luiz Cláudio, Fernando César]
05 Carinho e Amor [Tito Madi]
06 Eu, Você e o Luar [Hilário Alves, Celso Garcia]
07 Oração de Amor [Arcenio de Carvalho, Lourival Faissal]
08 Só Deus [Evaldo Gouveia, Jair Amorim]
09 Vou Fazer Um Samba [Evaldo Gouveia, Almeida Rêgo]
10 Canção do Inverno [Getúlio Macedo]
11 Desencanto [Floriano Faissal, Bruno Marnet]
12 Amor Sem Adeus [Luiz Bonfá, Antônio Carlos Jobim]

Orquestra regida pelo Maestro Zaccarias
Sob Arranjos de Nelsinho, Carioca, e de Luiz Cláudio

22/01/08

Cantos de Aves do Brasil 1961 [Sabiá SCLP 10502]

Atravessando os movimentos da natureza, a primeira música a ser produzida no Brasil ressoava nos harmônicos impressionantes do canto dos nossos pássaros. A maior diversidade de espécies vegetais e animais sobre o planeta, produz sonoridades que assombram e nos levam a refletir sobre a grandiosidade da força maior que move este mundo, da qual nós seres conscientes temos nada mais do que dever de assegurar a sua continuidade.

No final dos anos 50, o engenheiro brasileiro Johan Dalgas Frisch, filho do ornitólogo e desenhista de aves Svend Frisch, partiu para regiões selvagens do interior do Brasil para se tornar um dos pioneiros em gravações desse gênero em todo o mundo. Registrando com equipamentos modestos os sons produzidos pelos animais da floresta, especialmente os pássaros, a sua grande paixão.

No início dos anos 60, a gravadora Copacabana criou o selo Sabiá especialmente para lançar estas gravações, que despertaram grande interesse, mesmo fora do país. Sendo que este é o primeiro volume de um total de quase 20 discos. “Cantos de Aves do Brasil”, teve grande sucesso comercial e se tornou um dos clássicos da discografia brasileira.

Conforme o padrão usado na época para gravações “educativas”, a narração feita por Oswaldo Calfat, pode soar datada, mas registra de maneira competente toda a intenção do autor, com roteiro de Martin Bueno de Mesquita, em nos levar a uma viagem sonora através das matas brasileiras. Há cantos impressionantes como os emitidos pelos Tucanos, hipnóticos como os do pequeno Saci, ou em escala cromática como os da Tovaca. Há também sons igualmente impressionantes de insetos, Rãs e Cigarras.

“Cantos de Aves do Brasil” nos alerta hoje do quanto estamos afastados da nossa própria natureza. A maior parte dos sons registrados aqui, não são mais ouvidos pela maioria das pessoas nas grandes cidades. Como disse no alto de sua sabedoria um pescador de mais de 80 anos nativo da Barra da Lagoa, aqui em Florianópolis: “que tristezas estarão reservadas ao homem no dia em que ele não mais escutar o canto dos passarinhos...”

Cantos de Aves do Brasil 1961 [Sabiá SCLP 10502]

Vozes da Amazônia 1964 [Sabiá SBLP 40375]

Vozes da Amazônia 1964 [Sabiá SBLP 40375]

“Vozes da Amazônia” faz parte da série lançada pela gravadora Copacabana, com o selo Sabiá, iniciada após o sucesso de “Cantos de Aves do Brasil”. Desta vez Johan Dalgas Frisch recria a expedição do explorador espanhol Don Francisco de Orellana, que em 1542 seguiu o curso do rio Maranhão até seu encontro com o mar. A narração ao romancear os fatos acompanhando a expedição, prejudica um pouco a audição, o foco deveria ter permanecido na fauna como no primeiro disco. Mas estão aqui os sons de diversos animais, não apenas de aves. Com destaque para o impressionante canto hipnótico do Uirapurú, gravado aqui pela primeira vez. Segundo uma lenda amazônica o canto do Uirapurú, que segundo dizem ocorre apenas uma vez por ano, tem a propriedade de trazer felicidade a quem quer que o escute. Fica aqui nosso desejo de felicidade a todos os amigos neste ano de 2008 que inicia!

22/12/07

Natal no Brasil Volume 2 [BRLP 102]

Com o segundo volume da coletânea Natal no Brasil, o Bossa-Brasileira se despede das atividades neste ano de 2007. Desejamos a todos os amigos um Feliz Natal e um ano novo com muita paz, muito amor e muita música para todos nós.

O lado mais nostálgico e contemplativo do Natal Brasileiro é representado neste segundo volume. São faixas que resgatam a memória afetiva do Natal no Brasil, é o momento em que a festa cede espaço para a reflexão, reforçando o significado religioso da celebração universal que tomou moldes únicos na cultura brasileira. Estão presentes as vozes de Ângela Maria, Francisco Alves, Carlos Galhardo, Orlando Silva, Dalva de Andrade, Paraguassú, Ivon Curi, João Dias, Gastão Formenti, Inezita Barroso; além das vozes de duos como Tonico e Tinoco, Alvarenga e Ranchinho, Laranjinha e Zequinha, Flauzinho e Florêncio, Duo Brasil Moreno, Irmãs Maria, mais os conjuntos do guitarrista Poly, do Maestro Radamés Gnattali e outros. Entre os compositores estão nomes como os de David Nasser, Francisco Alves, Lamartine Babo, Mário Albanese entre muitos outros. É um convite a relembrarmos de uma época em que o Natal significava muito mais do que infelizmente significa hoje.

Natal no Brasil Volume 2 [BRLP 102]

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01 Ângela Maria "Outros Natais" [Cláudio Luiz] 1956
02 Francisco Alves "Cantiga de Natal do Brasil" [Násser, Martins, Francisco Alves] 1951
03 Paraguassú "Natal dos Caboclos" [Ariovaldo Pires, Paraguassú] 1938
04 Carlos Galhardo "Sonho de Natal" [Sanches de Andrade] 1941
05 Alvarenga e Ranchinho "Meu Presente" [Alvarenga e Ranchinho]
06 Flauzinho e Florêncio "Sinos de Natal" [Flauzinho, Florêncio] 1939
07 João Dias "Jingle Bells" [Pierpont versão Evaldo Rui] 1951
08 Orlando Silva "A Valsa do Natal" [Hilton Gomes, Sivan] 1953
09 Laranjinha e Zequinha "Natal no Sertão" [Reinaldo Santos, Vicente Lia] 1953
10 Irmãs Maria "Nosso Natal" [Irmãs Maria]
11 João Dias "Fim de Ano" [Francisco Alves, David Nasser] 1951
12 Dalva de Andrade "Alegre Natal" [Nina Sercil] 1959
13 Tonico e Tinoco "Papai Noel" [Tonico e Tinoco] 1956
14 Inezita Barroso "Entrai Pastorinhas" [loa pastoril do sec XVIII] 1959
15 Poly e Coro "Estrela do Menino Pobre" [Mário Albanese, Gioia Jr] 1961
16 Gastão Formenti "Sonhos de Natal" [Henrique Vogeler, J. Menra, Lamartine Babo] 1929
17 Ângela Maria "Não Chore Linda Criança" [Guido Medina, Harry Marques] 1954
18 Ivon Curi "Quando Chega o Natal" [Sereno] 1957
19 Poly e Coro "Natal dos Caboclos" [Ariovaldo Pires, Paraguassú] 1961
20 Duo Brasil Moreno "Noite Feliz" [Franz Gruber, versão Mário Zan] 1956
21 Trio Madrigal, Trio Melodia & Conjunto Radamés Gnattali "Cantigas de Natal parte 1"

Feliz Natal!

21/12/07

Natal no Brasil Volume 1 [BRLP 101]

O Bossa-Brasileira tem a felicidade de apresentar Natal no Brasil, uma coletânea em dois volumes apresentando a música brasileira do passado criada especialmente para a celebração do Natal. São 20 faixas neste primeiro volume com músicas registradas entre 1933 e 1956 por diversas casas gravadoras. O Brasil, nosso gigante tropical, não poderia apenas reeditar as canções natalinas em voga há muitos anos mundo afora. Criamos canções próprias, muitas vezes tão ou mais belas, e tão fortemente gravadas em nosso imaginário, quanto as “estrangeiras”. São as músicas do Natal Brasileiro que esta coletânea resgata. O Natal que era [e ainda é] celebrado nas casas simples dos recantos pacatos dos sertões, nas cidades sopradas pelo vento salgado que vem do nosso mar, nas vilas e moradias cravadas nas serras e no manto escuro das mata fechadas. O Natal no Brasil é cantado em verso e melodia por nossas maiores vozes do passado: as vozes de Francisco Alves, Aurora Miranda, Carlos Galhardo, Orlando Silva, Dalva de Oliveira, Elizeth Cardoso, Leny Eversong, Ângela Maria e João Dias, Carmen Miranda, Dick Farney, Alvarenga e Ranchinho, Blackout, Neide Fraga e Zelinha do Amaral. Os cantores tem acompanhamento especial de maestros e conjuntos como os de Radamés Gnattali, Maestro Fon-Fon, Maestro Severino Filho, os conjuntos Diabos do Céu, Trio Madrigal, Trio Melodia, Aloysio e seu Conjunto e outros infelizmente não creditados. Entre os compositores estão nomes como Ary Barroso, Herivelto Martins, Hervé Cordovil, Lina Pesce e David Nasser.

Natal no Brasil - Volume 1 [BRLP 101]

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01 Conjunto Radamés Gnattali "Introdução: Cantigas de Natal parte 2" [introdução]
02 Carlos Galhardo & Diabos do Céu "Boas Festas" [Assis Valente] 1933
03 Aurora Miranda "Natal Divino" [Milton Amaral] 1935
04 Leny Eversong "Prece de Natal" [Saccomani, Tedesco, Melo] 1956
05 Neide Fraga "Quando Chega o Natal" [Sereno]
06 Zelinha do Amaral "Presente de Natal" [Alvarenga, Ranchinho] 1936
07 Francisco Alves "Meu Natal" [Ary Barroso, Francisco Alves] 1934
08 Aurora Miranda "Sinos de Natal" [André Filho] 1934
09 Carmen Miranda "Dia de Natal" [Hervé Cordovil] 1935
10 Francisco Alves & Coro "Natal" [Herivelton Martins, Rogério Nascimento] 1945
11 Elizeth Cardoso "Cantiga de Natal" [Lina Pesce] 1956
12 Dick Farney "Feliz Natal" [Armando Cavalcanti, Klécius Caldas] 1949
13 Angela Maria & João Dias "Papai Noel Esqueceu" [David Nasser, Herivelto Martins] 1956
14 Francisco Alves "Sinos de Natal" [Victor Simon, Wilson Roberto] 1951
15 Blackout "Natal das Crianças" [Blackout] 1956
16 Alvarenga & Ranchinho "Noite de Natal" [Alvarenga, Newton Teixeira] 1941
17 Orlando Silva "Noite de Natal" [Maugéri Neto, Maugéri Sobrinho] 1952
18 Carlos Galhardo "Feliz Natal" [Ghiaroni, Peterpan] 1950
19 Dalva de Oliveira & Roberto Inglez "Noite de Natal" [Franz Gruber, versão Mário Rossi]
20 Trio Madrigal, Trio Melodia & Conjunto Radamés Gnattali "Cantigas de Natal parte 2"

Feliz Natal!

18/12/07

Radamés Gnattali 1955 "Samba em 3 Andamentos" [Sinter SLP 1037]


“Há que falar também de um compositor novo, mal conhecido dos paulistas, o gaúcho Radamés Gnattali. Tem uma habilidade extraordinária para manejar o conjunto orquestral, que faz soar com riqueza e estranho brilho. É certo que “jazzifica” um pouco demais para o meu gosto defensivamente nacional, mas apesar de sua mocidade, já domina a orquestra como raros entre nós. É a nossa maior promessa do momento.” Este texto foi publicado originalmente no jornal O Estado de São Paulo, em 12 de fevereiro de 1939. Seu autor foi o escritor, poeta, compositor e musicólogo Mário de Andrade. Mais que profético, Mário foi incisivo: “é a nossa maior promessa.” E foi. Tanto que passados quase 70 anos a afirmação resiste: em toda a longa trajetória de músico brasileiro, Radamés Gnattali justamente teve habilidades extraordinárias, dominou sua arte como poucos, sim “jazzificou” também, mas criou música brasileira de grande riqueza e estranho brilho.

Este disco em 10 polegadas foi lançado pela gravadora Sinter em 1955, traz o seu piano e uma partitura ousada: na bela capa assinada por Bréves há uma inscrição que diz: “a história musical do samba”. O disco foi lançado quando Radamés já era grande nome no cenário artístico brasileiro. Na contracapa Paulo Santos escreve: “O Samba em Três Andamentos consta de três peças sem ligação entre si ... porém podem ser usadas sem interrupção, como uma suíte de caráter popular, ou isoladamente pois cada andamento é em si uma peça autônoma. Não houve preocupação de fazer algo diferente ou erudito. Apenas apresentou o piano tal como se executa hoje em dia...” Como se executará amanhã, seria mais apropriado.

Radamés reservou para esta gravação o direito de apenas tocar o piano, a partitura orquestral escrita por ele ficou a cargo de Lyrio Panicalli e foi curiosamente composta sem a adição de instrumentos de sopro, apenas cordas, piano e percussão - a cargo do mestre Luciano Perrone. Em “Samba em Três Andamentos” Radamés Gnattali sintetiza talvez pela primeira vez, a possibilidade de se sofisticar o samba sem alterar a sua essência. O resultado é o samba moderno, o mesmo que desafiou Vinicius de Morais, que seduziu Antônio Carlos Jobim, que pasmou Egberto Gismonti. O dedilhado inusitado e preciso antecipa em anos luz, a música brasileira posterior e a atual.

Este disco é também um dos raros registros do Maestro Radamés Gnattali tocando solo ao piano em todo o lado B - o lado A é ocupado pela suíte-título. Nas cinco peças para piano solo, Radamés está à vontade em choros, valsas e um samba-canção. Ainda que despidas do acompanhamento orquestral do “Samba em Três Movimentos” estas são também peças de música mágica que espelham o retrato preciso do que o Maestro batizou de história musical do samba. E que bela lição!


o Maestro em fotografia de 1934

Radamés Gnattali 1955 "Samba em 3 Andamentos" [Sinter SLP 1037]

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01 Samba em 3 Andamentos 1º Movimento Samba de Morro [Gnattali]
02 Samba em 3 Andamentos 2º Movimento Samba-canção [Gnattali]
03 Samba em 3 Andamentos 3º Movimento Samba Batucada [Gnattali]
Radamés Gnattali: piano
Luciano Perrone: bateria e ritmo
Orquestra de Cordas dirigida pelo maestro Lyrio Panicalli


04 Canhoto [Gnattali] choro
05 Vaidosa [Gnattali] valsa
06 Noturno [Gnattali] samba-canção
07 Perfumosa [Gnattali] valsa
08 Porque [Gnattali] choro
Radamés Gnattali: piano

Outras informações sobre Radamés Gnattali podem ser encontradas no excelente website:

http://www.radamesgnattali.com.br/

Radamés Gnattali em fotografia de 1940.

07/11/07

"Os Duetos de Francisco Alves e Mário Reis" 1930 - 1932 Odeon [MODB 3075]


Já foi dito que o Brasil é um país de cantores. Olhando para trás, no caleidoscópio histórico dos grandes ídolos da voz, temos a confirmação. A introdução do rádio e sua grande influência na vida das pessoas tornaram possível o surgimento de fenômenos de popularidade em massa - alguns deles com a aura de “vozes de ouro” do rádio. Eram tempos em que a produção podia ser permeada pela qualidade artística do que se ouvida nos aparelhos. Nenhuma destas vozes porem teve o mesmo efeito no coração brasileiro como a voz , digamos, fenomenal de Francisco Alves. Ele foi o primeiro grande ídolo do rádio e do disco, esteve presente na formação do teatro e do cinema por aqui. Sem intenção, criou uma escola de influencia direta em todo o desenvolvimento da música brasileira. Foi um artista de ouvido apurado, afinação e timbres perfeitos e de bom gosto impecável. Compositor importante, ao lado das boas histórias de que “inventava” parcerias, ou mesmo as comprava, há também provas que ele realmente chegou a alterar tempos, compassos e corrigir as composições de seu agrado sem pedir participação na edição. Há também histórias envolvendo sua relação por vezes autoritária com seus “colaboradores”, como os amigos e companheiros de boemia Noel Rosa e Ismael Silva. Menino pobre, Francisco Alves foi engraxate, cresceu trabalhando em uma fábrica de chapéus, convivendo com boêmios e sambistas. Não assinava contratos, preferindo empenhar a palavra, era admirado por todos os seus colegas de profissão e ganhou o apelido de “Chico Viola, o Rei da Voz”.

Mesmo tendo iniciado a trajetória artística um tanto depois, foi Mário Reis quem primeiro colocou a cadência necessária ao samba, mais tarde absorvida por Chico. No texto de contra capa deste disco, Lúcio Rangel afirma: “apesar de mais novo em idade e em arte, foi Mário Reis quem exerceu influencia sobre a maneira de cantar de seu companheiro mais velho, como aliás, sobre todos os cantores da época, que moderaram os seus impulsos para o bel canto e passaram a pronunciar as palavras, interpretando dentro do ritmo exigido.” Levado pelo compositor Sinhô aos estúdios, Mário Reis teve também grande sucesso e deixou gravações históricas.

A gravadora Odeon valendo-se da amizade entre seus maiores cantores, lançou uma série de discos em 78 rotações com eles cantando em dueto. Era o início dos anos 30 e o resultado foi pouco mais de 11 discos antológicos. Além das duas vozes distintas que interagem entre si criando efeitos inesperados, a música que as acompanha não é menos sublime. Segundo Lúcio Rangel, os conjuntos “eram todos eles constituídos pelos mesmos músicos, alguns dos melhores da época: o pistonista Djalma, o trombonista Ismerino Cardoso, o pianista Romualdo Peixoto [Nonô], o baterista Walfrido Silva, o violonista Arthur Nascimento [Tute] e Luperce Miranda, mestre do cavaquinho e do bandolin. Outros instrumentistas estão presentes mas os que enumeramos eram constantes em todos os conjuntos que acompanhavam a dupla. O discófilo de ouvido apurado poderá reconhecer no côro, em diversos números, as vozes de Noel Rosa, Ismael Silva e Nilton Bastos.” Incrível... Logo após as primeiras gravações da dupla, um conjunto chamado “Ases do Samba” foi criado pelos dois cantores mais Lamartine Babo. Com este grupo, sem Lamartine, mas com Nonô, Noel Rosa e o bandolinista Peri Cunha, partiram em Março de 32 para uma excursão ao sul do país, se apresentando com grande êxito em Curitiba, Porto Alegre, e até mesmo em Florianópolis.

Este disco de 10 polegadas, lançado em 1955, reúne algumas destas gravações. Sambas e marchas eternos como “Formosa” de Nássara e J. Ruy, “Se Você Jurar” de Francisco Alves, Ismael Silva e Nilton Bastos e “Fita Amarela” de Noel Rosa. Sambas que foram famosos na época, como “Estamos Esperando” de Noel Rosa, “Mas Como... Outra Vez?” de Noel em parceria com Francisco Alves, num belo arranjo que começa como marcha e termina como um fox irado; e minha favorita “Tudo Que Você Diz” uma bela e moderna melodia de Noel Rosa, ainda mais realçada pelas vozes de Mário Reis e Francisco Alves. Há ainda “Marchinha do Amor” de Lamartine Babo e mais dois sambas do trio Francisco Alves, Ismael Silva e Nilton Bastos: “Não Há” e “Arrependido”. É uma grande alegria disponibilizarmos este disco, como escreveu Lúcio Rangel: Francisco Alves e Mário Reis, a maior dupla de cantores da nossa música popular, anos depois de gravarem seus históricos discos, continuam a despertar a mesma emoção, a mesma alegria, tal encanto de suas interpretações, tal beleza que sabiam imprimir aos números que, em boa hora, registraram para a posteridade.”

Os Duetos de Francisco Alves e Mário Reis
1955 Odeon [MODB 3075]

01 Marchinha do Amor [Lamartine Babo] marcha 1931
02 Fita Amarela [Noel Rosa] samba 1932
03 Formosa [Nássara, J. Ruy] marcha 1932
04 Se Você Jurar [Francisco Alves, Ismael Silva, Nilton Bastos] samba 1930
05 Mas Como... Outra Vez? [Francisco Alves, Noel Rosa] marcha 1932
06 Arrependido [Francisco Alves, Ismael Silva, Nilton Bastos] samba 1931
07 Estamos Esperando [Noel Rosa] samba 1932
08 Tudo Que Você Diz [Noel Rosa] samba 1932
09 Não Há [Francisco Alves, Ismael Silva, Nilton Bastos] samba 1930

31/10/07

Araci de Almeida 1951 "Noel Rosa" [Continental Volume 2]

Com este álbum bastante especial, marcamos a volta das atividades em nosso site, agora em novo visual. O motivo é simples: este é um dos primeiro álbuns produzidos no Brasil. Trata-se do segundo volume de um álbum que trazia três discos de 78 rpms [os dois volumes totalizam seis discos] encadernados com capas duras como num álbum de fotografias, daí a origem do uso desta palavra para descrevê-los.

“Noel Rosa” foi lançado no início de 1951, seguindo uma tendência do mercado norte-americano, que vinha organizando os discos de 78 rpms em coleções encadernadas já há alguns anos. No Brasil, as pioneiras a lançarem estes álbuns foram a representante nacional da gravadora Capitol e a Continental. Entre 1950 e 1951 a Continental lançou três destes álbuns, os dois volumes de “Noel Rosa” na voz de Araci de Almeida e um outro com músicas do compositor Sinhô na voz do cantor Mário Reis. Estes foram os primeiros lançamentos fonográficos no Brasil a ganharem capas coloridas e textos informativos, elementos que mais tarde caracterizariam os long-playings. Os dois volumes de “Noel Rosa” trazem na capa uma belíssima gravura colorida feita por Di Cavalcanti especialmente para este lançamento, um assombro de criatividade que se fazia presente naqueles anos, como valorização da cultura nacional.

Além da bela embalagem, o segundo volume de “Noel Rosa” na voz de Araci de Almeida, coloca novamente a cantora ao lado da orquestra de Radamés Gnattali para mais seis regravações de sambas consagrados de Noel Rosa. Há um longo texto sobre o sambista da Vila Isabel de autoria de Lúcio Rangel, além de sua auto caricatura. Sobre Araci o texto ficou à cargo de Fernando Lobo, com caricatura de Augusto Rodrigues datada de 1947. E claro, há a música, os clássicos como “Feitio de Oração”, “Silêncio de Um Minuto”, “Pra Que Mentir”, “Três Apitos”, “Com que Roupa” e “O Orvalho Vem Caindo”, estas últimas em arranjos animados com participação vocal e instrumental dos trios Madrigal e Melodia. Contrastando com os sambas-canção doloridos que ganham dimensão na interpretação consagrada da “Dama do Encantado”. Os arranjos oscilam entre a tímidamente entre as orquestrações originais e a inovação. Não há música ou passagem que se destaque em um disco perfeito, mas ouso opinar que aqui está a mais bela gravação de “Feitio de Oração”. Segundo Noel Rosa, Uma Biografia de João Máximo e Carlos Didier [Editora da UNB, 1990], “Três Apitos” ainda era inédita em discos e “Silêncio de Um Minuto”, seria gravada pela primeira vez com a letra completa - a gravação anterior foi feita em 1940 pela grande cantora Marília Batista, tão importante para a obra de Noel quanto Araci, e que estará sendo revisitada em futuros posts por aqui.

Para ir além, o primeiro volume deste álbum histórico foi postado alguns meses atrás pelo site loronix, e pode ser baixado aqui. Nele estão as faixas “Palpite Infeliz”, “Conversa de Botequim”, “Feitiço da Vila”, “Último Desejo”, “Não Tem Tradução” e “O X do Problema” Fica a indicação e o nosso agradecimento.


Araci de Almeida ao lado do avião produzido em homenagem a Noel em foto de José Medeiros, 1949; abaixo auto caricatura do sambista.


Araci de Almeida “Noel Rosa” Volume 2
1951 Continental

caricatura de Aracy feita por Augusto Rodrigues em 1947.


01 Pra Que Mentir [Noel Rosa, Vadico] samba-canção 78 rpm 16391 A
02 Silêncio de Um Minuto [Noel Rosa] samba-canção 78 rpm 16391 B
03 Feitio de Oração [Noel Rosa, Vadico] samba 78 rpm 16392 A
04 Três Apitos [Noel Rosa] samba-canção 78 rpm 16392 B
05 Com Que Roupa [Noel Rosa] samba 78 rpm 16393 A
06 O Orvalho Vem Caindo [Noel Rosa, Kid Pepe] samba 78 rpm 16393 B

abaixo Aracy é beijada por Ary Barroso nos estúdios da Rádio Tupi, ao fundo Carlos Galhardo.

Margarida Lopes de Almeida 1955 "Recital" [Festa LPI 1004]

Na década de 1950 era comum o lançamento de discos com recitais de poesia no Brasil. Alguns destes LPs se tornaram grandes sucessos de vendas, como o “Bilac em Hi-Fi” disco da gravadora Musidisc, lançado em 1957, com o rádio-ator Floriano Faissal declamando Olavo Bilac, que chegou a estar no topo das paradas, segundo revistas da época. À exemplo da Musidisc, a Odeon e a RGE também colocaram na praça discos explorando este mercado. No entanto, nenhum outro selo foi tão radical quanto o pequeno Festa, fundado pelo jornalista, sonhador e boêmio, Irineu Garcia.

O selo Festa formou um catálogo tão impressionante quanto numeroso, com registros históricos das vozes e da obra de autores como Carlos Drummond de Andrade, Manuel Bandeira, Vinicius de Moraes, Cecília Meirelles, Guilherme de Almeida, Olegário Mariano, Menotti Del Picchia, Jorge Amado, Pablo Neruda... A lista é longa. Além dos próprios autores declamando seus poemas, os discos da gravadora Festa também destacavam atores conhecidos como Margarida Lopes de Almeida, Paulo Autran e outros. Um LP lançado por João Villaret, ator muito famoso na época, se destacou entre as vendagens do selo e fez enorme sucesso. O que talvez tenha incentivado Irineu a expandir sua gravadora e se aproximar da música. Seguindo o alto padrão de qualidade que buscava para seus discos, editou obras eruditas brasileiras e aos poucos foi se enamorando da música popular.

Conta o amigo Dorival Caymmi que: “o Irineu [Garcia] fazia aquilo por paixão, procurando artistas novos pela noite...” Apaixonado e convivendo com o meio desde os anos 40, Irineu não tardou a perceber que a produção musical no Brasil de sua época era algo de genial. “O interesse dele voltou-se para Elizete Cardoso, mas aí João Gilberto nem era conhecido ainda...” - continua Dorival. No entanto, através de Vinicius de Moraes, Irineu Garcia colocou pela primeira vez em um mesmo estúdio Antônio Carlos Jobim, João Gilberto e Elizeth Cardoso para registrarem “Canção do Amor Demais” [1958 Festa LDV 6002], disco considerado divisor de águas na história da nossa música.

O selo Festa ainda editou dois LPs fantásticos da cantora Lenita Bruno, ao lado da orquestra de seu marido, o grande maestro e pianista Leo Peracchi, e entre outros, colocou na praça discos de artistas fundamentais como Radamés Gnattali, Vadico e Nicolino Cópia.

Aqui temos Margarida Lopes de Almeida, atriz e declamadora, filha do casal de escritores Júlia Lopes de Almeida e Filinto de Almeida - estão entre os fundadores da Academia Brasileira de Letras -, interpretando poemas brasileiros com as inflexões vocais típicas da época, em dois “estilos” diferentes. No lado A: poesia digamos mais “tradicional”, representada por nomes do passado como Martins Fontes - na lúgubre e fantástica descrição da cidade de São Paulo em “Serenata”, e Olavo Bilac - com o famoso “Via Láctea”: “...amai para entendê-las, pois só quem ama pode ter ouvido capaz de ouvir e entender estrelas.” No mesmo “espírito” estão Raul Machado, Afonso Lopes de Almeida [irmão de Margarida] e Artur de Sales - em “A Música dos Bilros” foram incluídos ruídos típicos destes pequenos instrumentos de madeira usados pelas rendeiras, em uma tradição secular que perdura do Brasil colônia e ainda pode ser encontrada em comunidades mais ou menos isoladas, distribuídas pelo nordeste e especialmente na Ilha de Santa Catarina, na cidade de Florianópolis.

Já o lado B é preenchido por uma poesia um bocado mais “moderna”: com Cecília Meireles, Carlos Drummond de Andrade, Mário Quintana, Guilherme de Almeida e Manuel Bandeira. “Há nos versos qualquer coisa que vai diretamente à emoção do ouvinte; este não tem tempo de ligar idéias, perceber intenções, as quais só na leitura pode com vagar apreender. A poesia ouvida tem de ser sentida imediatamente; é necessário que o poema impressione, seja pelo efeito da voz, seja pela possibilidade de efeitos plásticos que o intérprete ponha em jogo na representação”. Escreveu a artista Margarida Lopes de Almeida na contra capa deste pequeno LP em 10 polegadas lançado pelo extraordinário selo Festa em 1955, selo criado pelo sonhador Irineu Garcia que se preocupava até mesmo em creditar os artistas que faziam suas capas, nomes como Lígia Clark, Di Cavalcanti..., aqui: Athos Bulcão, com fotografia de Hess.



Recital de Margarida Lopes de Almeida
1955 Festa [LPI 1004]

01 Via Láctea [Olavo Bilac]
02 Serenata [Martins Fontes]
03 Póstuma [Raul Machado]
04 Ciranda [Afonso Lopes de Almeida]
05 A Música dos Bilros [Artur de Sales]
06 Romance de Nossa Senhora da Ajuda [Cecília Meireles]
07 Passagem da Noite [Carlos Drummond de Andrade]
08 Canção Balet [Mário Quintana]
09 Velocidade [Guilherme de Almeida]
10 Os Sinos [Manuel Bandeira]

06/08/07

Stellinha Egg 1956 "Músicas do Nosso Brasil" [RCA Victor BLP 3022]

Ao lado de Inezita Barroso e Délora Bueno, Stellinha Egg se dedicou ao universo da música folclórica e chegou a ser reconhecida como principal intérprete do estilo. Nasceu em Curitiba e se destacou no rádio em São Paulo. Em 1945 casou-se com o genial maestro Lindolfo Gaya, que passou a arranjar seus discos, numa união também musical. Ao voltar de uma temporada no exterior, Stellinha ganhou um programa de TV dedicado à música folclórica do Brasil e do mundo. Gravou discos em produção luxuosa, um deles para crianças e lançou diversos clássicos do mestre Dorival Caymmi – alguns presentes aqui. Dorival, na época, declarou ser Stellinha a intérprete preferida de suas músicas.

“Músicas do Nosso Brasil” foi editado pela RCA Victor em 1956 em disco de 10 polegadas. As faixas haviam sido lançadas em diversos 78 rotações entre 1951 e 1954. São gravações antológicas de valor histórico e artístico incontestável. Canções, baiões, toadas e os chamados “batuques” - tudo em coesão impressionante, não parecendo tratar-se de uma coletânea. Ao vestir com tal exuberância algumas destas canções, Gaya não imaginou a dimensão histórica que o trabalho representaria. O disco é uma fusão entre música popular e elementos musicais das religiões afro-brasileiras. Algumas das músicas são adaptações de cantos e batuques apresentados de forma magnífica com orquestra e coral. O resultado chega a ser lisérgico como em “Recado à Yemanjá”, “O Vento” ou “A Lenda do Abaeté”.

Stellinha Egg tinha uma voz incomum, de brasilidade deliciosa. Em “Lamento Negro” [afro-samba muitos anos antes de Baden & Vinicius? Com certeza!] ela faz scats em yorubá, exalta “Xangô” e a certa altura parece estar “tomada”, isso enquanto a orquestra vira e revira do avesso as linhas de sopros e violinos escritos por Gaya em uma explosão de energia impressionante. Já “A Lenda do Abaeté” é lírica, orquestra e cantora em sintonia perfeita: “O luar prateia tudo, coqueiral, areia e mar... Credo-cruz que esconjuro, quem falou no Abaeté?”. Que voz! Caymmi não se rendeu à toa... Do mesmo modo, as versões de “O Mar” e “O Vento” são talvez as mais belas já gravadas.

“Músicas do Nosso Brasil” de Stellinha Egg, arranjos de Gaya é uma obra-prima. Belo, divertido, intrigante e misterioso. E também histórico e fundamental. Como bônus, incluímos duas faixas presentes nos 78 rpms que originaram o LP, mas não entraram na edição final: “Noite de Temporal” e “Nunca Mais” ambas de autoria de Dorival Caymmi. Ganhamos este presente do amigo Simon Boutman que edita o blog dos microssulcos. Depois de uma breve ausência o Simon voltou com a mesma qualidade, e ainda nos brindou com esta jóia! Nosso imenso obrigado.

acima: Stellinha no estúdio da TV Rio, em seu programa semanal.

Stellinha Egg “Músicas do Nosso Brasil”
1956 RCA Victor [BPL 3022]

01 Luar do Sertão [Catulo da P. Cearense, J. Pernambuco] canção 1952
02 Prenda Minha [Tradicional, adpt. Stellinha Egg] baião 1951
03 Recado à Yemanjá [Roskilde, Stellinha Egg] toada-baião 1954
04 O Vento [Dorival Caymmi] canção praieira 1953
05 Baião de Diamantina [H. de Almeida, R. Paes] baião 1953
06 Lamento Negro [Constantino Silva, H. Porto] macumba 1954
07 Lenda do Abaeté [Dorival Caymmi] batuque 1954
08 O Mar [Dorival Caymmi] canção 1953

09 Nunca Mais [Dorival Caymmi] samba-canção 1954
10 Noite de Temporal [Dorival Caymmi] batuque 1954

Arranjos para orquestra e coro do maestro Gaya.

05/08/07

Onilda Figueiredo 1957 "A Voz de Onilda Figueiredo" [Mocambo LP 10026]

Este LP de 10 polegadas da gravadora Mocambo é uma das jóias da discografia brasileira nos anos 50. Onilda Figueiredo era quase uma menina quando gravou o bolero “Nunca! Jamais!” em um disco de 78 rpm de 1956. Foi um estrondoso sucesso no país inteiro. A versão feita pelo maestro Nelson Ferreira para o bolero original em castelhano de Lalo Guerrero, foi incluída no repertório de Ângela Maria, Ivon Cury, Neusa Maria, Rosa Pardini, Zezé Gonzaga e outros. Entre 1956 e 1958 a faixa “Nunca! Jamais!” foi uma das músicas mais ouvidas no Brasil. Nenhuma destas gravações no entanto, teve o mesmo êxito que a original lançada por Onilda, fato que levou a Mocambo a editar um long-play completo com sua então estrela, Onilda Figueiredo.

Fundada em Recife por Adolfo Rozenblit e seu irmão, a Mocambo produziu um catálogo bastante expressivo. Nunca ameaçou a hegemonia das “grandes” fábricas, mas no auge de sua atuação [entre 56 e 59] a Mocambo teve filiais em São Paulo, Rio de Janeiro e Porto Alegre, lançou inúmeros discos nacionais, licenciou outras diversas gravações estrangeiras, e ainda pôde contar com a direção artística de ninguém menos que Ary Barroso.

Foi neste cenário que a Mocambo colocou nas lojas do país “A Voz de Onilda Figueiredo” em 1957: registro único desta cantora de voz doce, “rouquinha”, interpretação meiga e um sotaque incrível que só adicionou charme às suas gravações. Vale destacar o trabalho do maestro Nelson Ferreira, que resultou num colorido todo especial às faixas. Piano, naipe de cordas, trompete, sax, flautas e percussão marcada. O repertório é basicamente de boleros, mas é uma delícia e de uma elegância surpreendente. Há uma bela canção de Fernando César, “O Luar e Você” [em orquestração primorosa!], e um divertido “calypso” em versão de E. Rodrigo. Além de “Nunca! Jamais!” e do bolero “Se Deus Assim o Quis”, outro belo momento é “À Beira Mar”, versão em português para um grande sucesso de Bienevido Granda, com direito a introdução especial do maestro Nelson Ferreira.

“A Voz de Onilda Figueiredo” é um disco que soa muito bonito passados 50 anos de seu lançamento. É o retrato sonoro de uma época, o registro muito especial de uma grande cantora e merece seu espaço na discografia da boa música brasileira.

No escritório da Mocambo: Adolfo Rozenblit o dono, os jornalistas Ari Vasconcelos, Brício de Abreu e Ary Barroso o diretor.

Onilda Figueiredo "A Voz de Onilda Figueiredo"
1956 Mocambo [LP 10026]

01 Nunca! Jamais! [L. Guerrero, vrs. Nelson Ferreira]
02 Se Deus Assim o Quis [L. Quintero, vrs. Nelson Ferreira]
03 Loucura [Nelson Ferreira]
04 O Luar e Você [Fernando César]
05 Mamãe Quero Dançar [Manning, Hoffman, vrs. Eduardo Rodrigo]
06 A Beira Mar [José Barros, vrs. Nelson Ferreira]
07 Loucura Passional [Nelson Navarro, vrs. Nelson Ferreira]
08 Tu Em Meus Braços [Margarida Menezes Figueiredo]
Arranjos para orquestra do maestro Nelson Ferreira.

03/08/07

Elizeth Cardoso em imagens


Preparamos este fragmento do filme “É Fogo na Roupa” de 1952, com direção de Watson Macedo, onde Elizeth Cardoso canta o samba “Ingratidão” para alimentarmos o youtube.com com imagens da “divina”. “É Fogo na Roupa” é uma das inúmeras comédias musicais que dominaram o nosso cinema nos anos 50, também chamadas de chanchadas. Elizeth Cardoso participou de várias, em algumas até se arriscou como atriz. Aqui, ela está exuberante, em um cenário simples e bonito - reparem no tamanho do salão. Na cena ainda estão a atriz e cantora Heloísa Helena e o figuraça Ivon Curi. Detalhe interessante: quem apresenta Elizeth é Renato Côrte-Real, locutor, apresentador e irmão do produtor Roberto Côrte-Real [o “descobridor” de Maysa]. Renato empregou sua voz na Rádio Nacional e ela se tornaria um ícone tanto na história da radiodifusão brasileira, quanto da própria década de 1950. O amigo Charles Sobrinho apurou o nome correto do samba e sua autoria: se chama “Ingratidão” de Greco, Albanir e Rutinaldo. Nosso muito obrigado!

O fragmento abaixo já estava no youtube.com e é um registro da TV Cultura feito em 1970, com Elizeth Cardoso cantando ao lado do grande Zimbo Trio, “Sei Lá Mangueira” clássico dos bambas Paulinho da Viola e Hermínio Bello de Carvalho. Fantástico.


01/08/07

de Noel Rosa: Maysa & Rildo Hora em "O Último Desejo"

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Maysa e Rildo Hora dividiram o palco em um especial sobre Noel Rosa produzido pela TV Globo em 1975. Maysa foi apaixonada pela obra de Noel, mas infelizmente não gravou nenhuma de suas músicas em discos. Meses atrás, no entanto, alguém teve a felicidade de incluir este belo registro de "O Último Desejo", com Maysa ao lado do improviso do grande compositor e instrumentista Rildo Hora, em uma reportagem da emissora sobre o ilustre sambista. Lindo e histórico.

27/07/07

o violão mágico de Luiz Bonfá

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Luiz Bonfá pertence ao grupo de músicos que mudou a história da música brasileira, sendo também um dos responsáveis por fazer o mundo se apaixonar por ela. De mestre nas cordas de seu instrumento, a compositor de alta qualidade, Luiz Bonfá deixou um legado inestimável, universo a ser descoberto por todo apaixonado pela nossa música. É um prazer apresentarmos aqui dois fragmentos sensacionais em imagens e som, encontrados no youtube.com, com Luiz Bonfá no programa do cantor e apresentador de TV Perry Como, nos Estados Unidos bem no início dos anos 60. Luiz toca magistralmente “Samborelo” e “Tenderly” como solista, em seguida o cantor americano o acompanha em uma versão em inglês de “Manhã de Carnaval”. Nosso muito obrigado a quem postou estes vídeos.

Luiz Bonfá e Maria Helena Toledo "Cavaquinho"


Maria Helena Toledo foi esposa de Luiz Bonfá, e também cantora de voz muito gostosa. Iniciou muito jovem no rádio de Minas Gerais no duo Irmãs Toledo, ao lado da irmã Rosana, que depois também teve bela carreira de cantora. Maria Helena entretanto gravou pouco, apenas dois LPs registrados nos Estados Unidos ao lado do marido ao violão.

O fragmento em vídeo mostra o casal em uma entrevista no Brasil, gravada provavelmente em 1966. Eles tocam “Cavaquinho”, que está no fantástico disco “Brasiliana”, em um momento especial e raro.

03/07/07

Maysa 1960 "Manhã de Carnaval"

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É uma satisfação apresentarmos mais um vídeo de Maysa para o youtube.com. O segundo fragmento de sua apresentação na TV japonesa, em 1960. O número é “Manhã de Carnaval” de Antônio Maria e Luiz Bonfá. Mesmo contrariada pela sonoridade dos playbacks japoneses, Maysa se entrega à canção. São minutos preciosos de sua imagem em close, cantando. A voz e a imagem que semanalmente visitava os lares brasileiros, em horário nobre, para a audição de música de primeira qualidade, no final dos anos 50 e início dos 60.

25/06/07

"...ser brasileiro é uma felicidade!" Orlando Silva



O Cantor das Multidões é um documentário produzido pela Cinemateca do Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, no final dos anos 1960. Produzido por Osvaldo Caldeira, o filme passeia em preto e branco com delicadeza por um Rio de Janeiro de outros tempos, para contar a história emocionante de Orlando Silva, o “Cantor das Multidões”.

Mais do que documento histórico, o filme é uma verdadeira obra de arte, retrato imperdível de uma época única em nossa música, além de uma aula de cinema. Poucos são os momentos em que a memória musical é filmada com tanta singularidade e singeleza. Há participações de Bororó, Bibi Ferreira e outros. A idéia de produzir o documentário a partir de um programa de televisão sobre Orlando Silva, sem parecer óbvio ou piegas, foi de grande felicidade. Um exemplo, sem dúvida. Belíssimas são as canções e a interpretação, o que explica o título do filme e o apelido do cantor.

O vídeo foi postado no youtube.com em três partes, e foi gravado de uma exibição no Canal Brasil. Nossos imensos agradecimentos a quem os postou.


"A Internacional" Leny Eversong


O site youtube.com já é a maior videoteca pública do mundo, e todo o seu conteúdo está disponível a apenas um click. Encontramos a diva Leny Eversong em imagens gravadas em 1957 de suas apresentações na TV norte-americana, no programa do tradicional Ed Sullivan.

“El Cubanchero” e “Jezebel” são apresentadas no début da cantora em telas norte-americanas. Em ambas as cenas, Leny está linda e é bastante aplaudida. Passados 50 anos, o público brasileiro tem a oportunidade de ver a sua Leny Eversong, “A Internacional”, brilhando novamente.


12/06/07

Maysa 1960 "Meu Mundo Caiu"


Mais um vídeo da Maysa para o youtube.com. Desta vez é o fragmento de "Meu Mundo Caiu", letra e música de sua autoria, gravado no Japão em 1960, durante uma apresentação em uma emissora de TV. A gravação é antológica, registro único e bastante similar aos programas que Maysa fazia na TV brasileira ao final dos anos 50 e início dos 60. Maysa só não entende o playback gravado no Japão. Sem conseguir atingir a sutileza do ritmo do samba-canção brasileiro, os japoneses gravaram "Meu Mundo Caiu" como um bolero ou um tango. Em outro momento ela parece pedir em vão, estalando os dedos, que a câmera fechasse o close em seu rosto. Resultado: olhar perdido de Maysa e o momento histórico do primeiro artista brasileiro a se apresentar na ilha japonesa.


06/06/07

Viva Maysa!


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Se estivesse viva, Maysa estaria completando hoje, dia 06 de Junho, 71 anos de idade. Para lembrar a data postamos este vídeo produzido em 1974, em que ela canta na praia de Maricá, onde morou. A música é “Chuvas de Verão” de Fernando Lobo, que havia sido lançada em 1970 no disco “Ando Só, Numa Multidão de Amores” [Philips R765.116L]. As imagens são de um especial da TVE dirigido por Liana da Rocha, que captou Maysa de forma extremamente delicada. Viva Maysa!