20/02/2011

Oscar Borgerth & Léo Peracchi “Música e Romance 1” 1954 [Musidisc MV 006]

Difícil descrever a experiência que é ouvir “Música e Romance volume 1”, um dos discos mais bonitos que tivemos o prazer de postar no Bossa Brasileira.

Léo Peracchi e Oscar Borgerth gravaram apenas piano e violino interpretando melodias eruditas à moda romântica da metade do século passado. Na contracapa nenhum texto, apenas o catálogo de lançamentos da gravadora Musidisc em 1954, data em que deve ter sido lançado este long-playing. Também não há registros de um segundo volume com Oscar Borgerth e Léo Peracchi.

“Música e Romance” possui apenas uma composição brasileira “Flor da Noite” de Radamés Gnattali, as outras faixas são de autores internacionais como Dvórak, Debussy, Chopin, Vecsey, Granados e Brahms.

A bossa está presente na interpretação fantástica dada pelos dois músicos. Um som de abismo, de doce beleza em tonalidades cruéis, escuras. Como se deixasse um rastro, um alento no ambiente. “Romance”? As melodias se sucedem como em uma evocação. Como grito de liberdade, ou uma ode às vitimas da segunda guerra mundial. Delirante como um sonho.

Oscar Borgerth & Léo Peracchi “Música e Romance volume 1” [Musidisc MV006]

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Léo Peracchi é considerado um dos maiores músicos brasileiros, foi arranjador, compositor, maestro, instrumentista e professor. Ao lado de Radamés Gnattali é responsável pela introdução de elementos inovadores dentro da orquestração na música brasileira. E como Radamés, transitava com naturalidade pelos universos populares e eruditos. Seu estilo como arranjador é inconfundível e considerado moderno até hoje.

Oscar Borgerth quase não é lembrado hoje. Foi gênio em seu instrumento, o violino, e um dos nomes mais importantes da música clássica do Brasil na época, premiado por diversas vezes aqui e no exterior. Oscar estudou violino com Orlando Frederico no Instituto de Música do Rio de Janeiro e completou sua formação em Viena. Atuou sob regência de Eleazar de Carvalho e Villa-Lobos em turnês internacionais e foi importante intérprete da obra de Hekel Tavares. Contribuiu muito para a divulgação da música erudita brasileira pelo mundo.

Cada detalhe, cada glissando do violino, cada passeio do piano, cada toque, tudo é executado com grande delicadeza e entrega, os músicos dando o melhor, muito mais que simples seriedade e profissionalismo. Paixão e amor a arte. Esta não é uma gravação qualquer, houve um motivo e uma história, seria interessante um dia descobrir...

Perdoe-nos as eventuais imperfeições no áudio. Possuímos dois exemplares deste LP e ambos estão em péssimo estado de conservação, sendo impossível obter um som mais limpo sem comprometer a audição. Ainda assim, do mar de ruídos emergiu um som satisfatório.

“Música e Romance” com Oscar Borgerth e Léo Peracchi, nos faz lembrar de lugares distantes e pessoas amadas, uma trilha sonora perfeitas para os sonhos.

Para saber mais sobre Léo Peracchi visite o belíssimo site do Maestro que inclui biografia, discografia e muito mais mantido pelo Sesc SP.

01 Canções que Minha Mãe me Ensinou [Dvorák]
02 Humoreske [Dvorák]
03 Flor da Noite [Radamés Gnattali]
04 Valsa Opus 39 Número 15 [Brahms]
05 La Plus Que Lemte [Debussy]
06 Noturno Opus 72 [Chopin]
07 Dança Hespanhola número 5 [Granados]
08 Valsa Triste [Vecsey]

Oscar Borgerth: violino
Léo Peracchi: piano

Este disco é um presente do site Bossa-Brasileira e não pode ser comercializado.


Oscar Borgerth em retrato assinado por Cândido Portinari

Rosina Pagã 1957 "Sucessos Com Rosina Pagã" [Rádio 0025V]

Caso raro de hype na pré-história da música brasileira, as Irmãs Pagãs - Elvira e Rosina Cozzolino - fizeram enorme sucesso e incendiaram o rádio brasileiro com sensualidade e o nome sugestivo. Tinham voz rouquinha e afinada, de pouca projeção, mas com graça natural e interpretação cheia de malícia. Eram também muito bonitas. Nasceram no interior de São Paulo, mas entraram no rádio no Rio de Janeiro, pelas mãos de produtor Gilberto de Andrade, no início da década de 1930.

Naquele tempo associar música à sensualidade não significava a mesma coisa que hoje, com a vulgarização do tema. Mesmo assim para a mentalidade da época, uma mulher possuía péssima reputação apenas por ser cantora de rádio. Que dizer de cantoras se insinuando sensualmente em trejeitos vocais e nas letras das canções... Havia modelos similares no exterior e nosso país tropical não poderia deixar de produzir suas representantes legítimas, ainda mais sob o requebro das batucadas. Nos palcos dos cassinos e teatros de revista as roupas que [des]cobriam as vedetes diminuíam cada vez mais e timidamente saíam dos recintos fechados para escandalizar a “sociedade” nas praias cariocas. No morro, a coisa não era novidade. Mas na praia, as oxigenadas Rosina e Elvira estão entre as pioneiras, seguidas da vedete Luz Del Fuego e da cantora Dora Lopes. Quatro artistas entre as primeiras mulheres que usaram biquínis nas praias do Brasil nos anos 40 e 50 do século passado. Pois é, este país deve muito a elas.

Rosina Pagã “Sucessos Com Rosina Pagã” 1957 Rádio 0025 V

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Mas nem todas as cantoras participavam da bagunça, Linda e Dircinha, as Irmãs Batista [!!] eram o antídoto às Pagãs, como representantes das meninas “de família” - intento que não durou muito devido ao próprio comportamento das Batista. A verdade é que de Dalva de Oliveira à Maysa, todas as cantoras brasileiras foram do balacobaco.~

As mulheres que cantavam no rádio tinham que competir de igual para igual com os marmanjos, donos literalmente do pedaço. Aracy de Almeida e Araci Côrtes, por exemplo, caíam nas rodas de samba, não levavam desaforo para casa de ninguém e deram muito trabalho para os delegados dos subúrbios do Rio. Marília Batista com pose de dama e tudo, também não ficava atrás. O fato é que se faziam respeitadas.

O início da década de 1930 foi época de ouro dos conjuntos vocais masculinos, como os Anjos do Inferno e o Bando da Lua e de cantores como Francisco Alves e Mário Reis. Carmen Miranda ainda gravava no Brasil, fazia grande sucesso e sua irmã Aurora também. Outra Carmen, a Barbosa também encantava no rádio. As Irmãs Pagãs eram amigas da turma do rádio, cantavam informalmente nas festas e despertavam paixões. O olhar fatal quando eram fotografadas e as poses propositalmente sensuais em quase nudez, eram o elemento de promoção/provocação. Mas não era apenas isso, suas vozes tinham uma bossa incomum, mostrando grande talento, os discos de 78 rpms que deixaram são a prova.

Quando a dupla se desfez Elvira se retirou temporariamente do mundo artístico e Rosina mudou-se para o exterior, continuando a cantar e participou de alguns filmes no México e nos Estados Unidos. Quando voltava ao Brasil, em pequenas temporadas, Rosina fazia questão de gravar. As Irmãs Pagãs não foram facilmente esquecidas. Elvira, retorna como atriz em filmes no Brasil e na América Latina. Sempre em papéis sensuais elas nunca conseguiram se distanciar da imagem que usaram em seu favor.

Este disco trás pelo menos duas maravilhas na voz de Rosina Pagã. Ele não é de todo bom, ela gravou algumas besteiras. O conjunto ajuda bastante, com piano vigoroso em algumas faixas lembrando a pegada do Britinho, puxando o ritmo marcado. Os destaques são um samba fantástico do Assis Valente “Não Sossega Não” - cantado com tanta graça por Rosina que somos rendidos pelo seu encanto - e o cha-cha-cha “Nunca” com a voz em efeito similar ao que obtinham as Irmãs Pagãs. “Maracangalha” de Dorival Caymmi também aparece em grande forma na voz de Rosina com belo solo de acordeon entre palmas e percussão marcada.

Já entre as besteirinhas estão os sucessos da moda na época como “Que Será, Será” versão Nadir Corte Real, “Le Piano Du Pauvre”, as baladinhas teens “Conversa de Telefone”, “Mamãe Quero Dançar” e “Mambo Rock” - sim amigos um rock, ainda que vestido de mambo - com solo de piano alucinante... Exótico não? Pra animar festinha bizarra...

Mas não se engane que aqui a coisa é boa! “Não Sossega Não” e “Nunca” valem o disco todo. Coisa finíssima. E mesmo nos momentos exóticos, temos a voz de Rosina Pagã que por si só é uma brasa!

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01 Que Será Será [Jay Livigston, Ray Evans, versão Nadir Corte Real] valsa
02 Não Sossega Não [Assis Valente] batucada
03 Nunca [Guty Cardenas] cha-cha-cha
04 Maracangalha [Dorival Caymmi] samba
05 Piano do Pobre [Le Piano Du Pauvre] [Leo Ferré] fox
06 Conversa de Telefone [Steve Allen, versão Lourival Faissal] fox
07 Mamãe Quero Dançar [letra de Lourival Faissal] cha-cha-cha
08 Mambo Rock [B. Reichner, M. Phillips, J. Ayre] mambo rock

este disco é um presente do site bossa-brasileira e não pode ser comercializado.

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acima, a irmã Elvira Pagã no tempo do balacobaco...

abaixo trecho do filme "Alô, Alô Carnaval" de Adhemar Gonzaga, 1936, com as lendárias Irmãs Pagãs

09/11/2010

BossaFilmes apresenta "Noel Rosa" HD 2010


Por ocasião do centenário de nascimento de Noel Rosa a BossaFilmes produziu o curta-metragem documental “Noel Rosa” em HD mesclando imagens de época, fotografias, depoimentos e animações.

As imagens mostram o Rio de Janeiro romântico na década de 30 do século passado, os elementos de uma modernidade recém conquistada, a brasilidade, a faculdade de medicina, o samba do morro descendo ao asfalto e as grandes paixões de Noel Rosa: a poesia, as mulheres da boemia e os automóveis.

“Noel Rosa” foi indicado como finalista para o 6° Prêmio BRAVO! Bradesco Prime, organizado pela revista BRAVO! e teve trechos exibidos na elegante Sala São Paulo, na cerimônia de entrega dos prêmios que teve Noel Rosa como homenageado em apresentações do ator Lázaro Ramos e da cantora Roberta Sá, entre outros.

“Uma aproximação entre o universo do compositor e o do cinema russo dos anos 20.” - Revista BRAVO!

com
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Noel Rosa
Aracy de Almeida
Almirante
Marília Batista
Adoniran Barbosa
Ismael Silva
Elizeth Cardoso
Braguinha
Pixinguinha
Francisco Alves
Carmen Miranda
e os artistas gráficos Lan e Paez Torrez

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Noel Rosa - BossaFilmes HD 2010
direção, edição, restauração de imagens & som, desenho de som por Thiago Mello
restauração de imagens e acervos Luiz Octavio Bueno,
Gabriel Gonzaga
supervisão de áudio
Caique Benigno
agradecimentos Luiz Octavio Bueno, Caique Benigno, Gabriel Gonzaga, Ângela de Almeida & Lira Neto

Noel Rosa da BossaFilmes na Sala São Paulo, outubro 2010, na entrega do Prêmio Bravo! Bradesco Prime dos melhores do ano.

30/03/2010

"A Bossa Brasileira de Heitor Villa-Lobos" [BRLP 004]

É com grande felicidade que trago aqui o álbum “A Bossa Brasileira de Heitor Villa-Lobos”, uma coleção de melodias selecionadas dentro da face, digamos, popular na vasta e pouco conhecida obra de nosso maestro-compositor mais genial. Longe de qualquer pretensão didática, produzimos uma coleção com algumas das nossas melodias favoritas do mestre, na intenção de captarmos um pouco a bossa da sua música. Como colcha de retalhos, há gravações de diferentes artistas registradas em diferentes épocas, selecionadas entre intérpretes que tiveram a trajetória musical de alguma forma ligada à música de Villa-Lobos.

Sob a pauta erudita estão canções populares brasileiras: valsas, canções folclóricas, choros, serestas, modinhas, cirandas, estudos, prelúdios e até uma adaptação de canção indígena. “A Bossa Brasileira de Heitor Villa-Lobos” traz um pouco do mundo genial de melodia, construção e forma que há na música do compositor. Uma música que ao mesmo tempo em que sinaliza ao futuro, com estruturas cíclicas, repetições e dissonâncias, parte de um sólido conhecimento de toda música do passado. Elementos que moldam uma música atemporal.

A coleção está dividida em duas partes, porém propomos uma audição integral dos volumes, a ordem das faixas percorre diversos caminhos indicados pelo mestre em cada composição, como viagem ao mundo dos sonhos. Onde sopranos do quilate de Lia Salgado, Bidú Sayão, Maria Lúcia Godoy e Cristina Maristany, se juntam a vozes populares como as de Inezita Barroso, Maria Bethânia, Cida Moreira, Monica Salmaso e Gisa Nogueira. E os pianos geniais de Alceu Bocchino, Arnaldo Estrela, José Echaniz, Miguel Proença, Homero de Magalhães, Murillo Santos, Antônio Guedes Barbosa e Sonia Maria Strutt, se juntam a perfeição dos violões de Turíbio Santos, Laurindo Almeida, Waltel Branco, Sebastião Tapajós, Antônio Carlos Barbosa Lima e Sérgio Assad.

Todas as faixas merecem audição atenta, mas vale destacar algumas melodias. Como a belíssima “Valsa da Dor”, interpretada por Arnaldo Estrela, de modulação ao mesmo tempo sofisticada e singela. Ou a adaptação da ciranda infantil “Que Lindos Olhos”, interpretada pelo pianista Homero de Magalhães, na qual Villa-Lobos imprime beleza na melodia em diversos fragmentos interligados.

Ary Barroso & Villa-Lobos em 1958.

A belíssima “Evocação” surge grande na voz de Lia Salgado, uma das mais completas intérpretes do Lied Brasileiro. Com ela há ainda uma fantástica adaptação da ciranda “Nesta Rua”, a divertida “Vida Formosa”, a densa “Inhapopê” e numa gravação rara, a minimalista “Canção do Marinheiro” com poema de Gil Vicente.

Nossa querida Lenita Bruno comparece perfeita no “Lundú da Marquesa de Santos” com orquestra sob direção do genial maestro Léo Peracchi. Já Maria Lúcia Godoy, uma das mais belas vozes que a música de Villa-Lobos já conheceu, canta a enigmática “Saudades da Minha Vida”, a bonita “Modinha” com poesia de Manuel Bandeira, “Realejo” e a “Canção da Folha Morta” com letra do poeta Olegário Mariano.

Bidú Sayão, considerada uma das mais completas cantoras líricas de todos os tempos, aparece em gravações onde a orquestra é regida pelo próprio maestro-compositor, a famosa “Ária” da “Bachiana Brasileira no. 5”, com letra de Ruth Valadares Correia, e a belíssima “Melodia Sentimental”, com poesia de Dora Vasconcelos - talvez a mais bela canção brasileira, que também aparece em outra belíssima gravação na voz e na interpretação de Maria Bethânia.


Bidú Sayão e Villa-Lobos em 1959.

A pianista Sonia Maria Strutt, sobrinha de Villa-Lobos, participa com muita competência em gravações datadas do final dos anos 50, como “Artimanhas” e a incrível “Nenê Vai Dormir” ambas da “Suíte Infantil no. 1” composta em 1912. E em “Manquinha” e “Acordei de Madrugada”, ambas do “Guia Prático” de 1932. Tanto nas adaptações quanto nas composições próprias, o ouvido atento perceberá traços de melodias de ninar tradicionais na musica, numa linguagem que se aproxima claramente da usada hoje nos samplers. Já o “Prelúdio no. 1” é interpretado com surpreendente sentimento pelo Antônio Carlos Barbosa e Lima, em gravação de 1959 quando o violonista tinha apenas 13 anos de idade.

“Viola Quebrada” composta sob poema de Mário de Andrade, aparece na voz de Cristina Maristany e no piano de Alceu Bocchino, responsáveis também pela interpretação da canção indígena “Hozani-na” e pelo belo “ponto de macumba” “Estrela É Lua Nova”. Já “Cantilena”, melodia tradicional “de pretos do recôncavo baiano” [como anotado no selo do disco original de 1955] adaptada por Villa-Lobos, é cantada com propriedade por Inezita Barroso.

A canção de ninar “Terezinha de Jesus” desconstruída por Villa, com o auxilio do piano de Homero de Magalhães, abre a segunda parte do álbum e é uma dos momentos mais incríveis da coleção. Outra peça belíssima para violão é o “Prelúdio no. 2” interpretado pelo grande Waltel Branco em uma gravação registrada em 1974. Seguida pelo registro de 1957 do violão de Laurindo Almeida com “Gavotta Choro”.
O famoso ”Trenzinho do Caipira” é totalmente recriado por Egberto Gismonti, em uma gravação radical, onde aparecem sons do sertão brasileiro modulados por sintetizadores.

O grande violonista Turíbio Santos comparece em “Prelúdio no. 5 em Ré Maior”, no “Estudo no. 1 em Mi Menor” e em uma gravação rara de 1960 ao lado de Oscar Caceres “A Lenda do Caboclo”. Há ainda os violões de Sérgio Assad e do mestre Sebastião Tapajós. Além da personalidade de Cida Moreira na recriação da densa “Canção do Amor” e a doçura de Monica Salmaso para “Cai a Tarde”, ambas sob poemas de Dora Vasconcelos.

Encerrando a coleção, Gisa Nogueira canta o samba “Quando Uma Estrela Sorri”, assinado por Villa-Lobos, pelo jornalista e compositor David Nasser e pelo grande sambista Donga. Samba criado nas ocasiões em que Villa ao lado dos bambas subia o morro para beber mais um pouquinho da fonte pura da bossa. Mas esta, já é outra história...

Feche os olhos e ouça.





“A Bossa Brasileira de Heitor Villa-Lobos” - primeira parte BRLP 004/A

“A Bossa Brasileira de Heitor Villa-Lobos” - segunda parte BRLP 004/B

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Primeira Parte

01 Arnaldo Estrela “Valsa da Dor” [Heitor Villa-Lobos] 1958
02 Sonia Maria Strutt “Artimanhas” [Heitor Villa-Lobos] 1959
03 Lia Salgado & Alceu Bocchino “Evocação” [Villa-Lobos, S. Salema] 1957
04 Lenita Bruno “Lundú da Marquesa de Santos” [Villa-Lobos, Viriato Correia] 1959
05 Turíbio Santos “Prelúdio no. 5 em Ré Maior” [Heitor Villa-Lobos] 1971
06 José Echaniz “Boneca de Pano” [Heitor Villa-Lobos] 1955
07 Sonia Maria Strutt “Nenê Vai Dormir” [Heitor Villa-Lobos] 1959
08 Maria Lúcia Godoy & Miguel Proença “Saudades da Minha Vida” [Villa-Lobos, Milano] 1983
09 Bidú Sayão, orquestra reg. Villa-Lobos “Melodia Sentimental” [Villa-Lobos, Dora Vasconcelos] 1959
10 Turíbio Santos “Estudo no. 1 em Mi Menor” [Heitor Villa-Lobos] 1963
11 Inezita Barroso “Cantilena” [adaptação Villa-Lobos, recolhido por Sodré Viana] 1955
12 Antônio Carlos Barbosa Lima “Prelúdio no. 1” [Heitor Villa-Lobos] 1959
13 Maria Lúcia Godoy “Modinha” [Villa-Lobos, Manuel Bandeira] 1977
14 Sebastião Tapajós “Cadência” [Heitor Villa-Lobos] 1968
15 Cristina Maristany & Alceu Bocchino “Viola Quebrada” [Villa-Lobos, Mário de Andrade] 1960
16 Lia Salgado & Murillo Santos “Nesta Rua” [adaptação Villa-Lobos] 1959
17 Maria Lúcia Godoy & Miguel Proença “Realejo” [Villa-Lobos, A. Moreira] 1983
18 Cida Moreira “Canção do Amor” [Villa-Lobos, Dora Vasconcelos] 2007
19 Homero de Magalhães “Que Lindos Olhos” [adaptação Villa-Lobos] 1960



Segunda Parte

01 Homero de Magalhães “Terezinha de Jesus” [adaptação Villa-Lobos] 1960
02 Lia Salgado & Alceu Bocchino “Vida Formosa” [ambientação Villa-Lobos] 1957
03 Maria Lúcia Godoy & Miguel Proença “Canção da Folha Morta” [Villa-Lobos, Olegário Mariano] 1983
04 Sonia Maria Strutt “Manquinha” [Heitor Villa-Lobos] 1959
05 Waltel Branco “Prelúdio no. 2” [Heitor Villa-Lobos] 1974
06 Laurindo Almeida “Gavotta Choro” [Heitor Villa-Lobos] 1957
07 Sérgio Assad “Mazurka Choro” [Heitor Villa-Lobos] 1978
08 Lia Salgado & Murillo Santos “Nhapopê” [adaptação Villa-Lobos] 1959
09 Cristina Maristany & Alceu Bocchino “Hozani-na” [adaptação Villa-Lobos] 1960
10 Egberto Gismonti “O Trenzinho do Caipira” [Heitor Villa-Lobos] 1987
11 Turíbio Santos & Oscar Caceres “Lenda do Caboclo” [Heitor Villa-Lobos] 1960
12 Sérgio Assad “Chorinho” [Heitor Villa-Lobos] 1978
13 Cristina Maristany & Alceu Bocchino “Estrela É Lua Nova” [adaptação Villa-Lobos] 1960
14 Homero de Magalhães “A Condessa” [adaptação Villa-Lobos] 1960
15 Sonia Maria Strutt “Acordei de Madrugada” [Heitor Villa-Lobos] 1959
16 Lia Salgado & Murillo Santos “Canção do Marinheiro” [Villa-Lobos, Gil Vicente] 1959
17 Antônio Guedes Barbosa “Prelúdio, Bachianas no. 4” [Heitor Villa-Lobos] 1986
18 Bidú Sayão, orquestra reg. Villa-Lobos “Ária, Bachianas no. 05” [Heitor Villa-Lobos, Correia] 1959
19 Maria Bethânia “Melodia Sentimental” [Villa-Lobos, Dora Vasconcelos] 2003
20 Monica Salmaso “Cai a Tarde” [Villa-Lobos, Dora Vasconcelos] 1999
21 Gisa Nogueira “Quando Uma Estrela Sorri” [Villa-Lobos, Donga, David Nasser] 1974


Este disco é um presente exclusivo
do site
bossa-brasileira.blogspot.com
e não pode ser comercializado.

25/12/2009

Feliz Natal!

O Bossa-Brasileira deseja aos amigos e visitantes um Feliz Natal!
Nosso muito obrigado a todos que visitam o site, deixam comentários

e nos seguem com interesse e carinho!

Um Feliz Natal brasileiro com muita música, paz e amor a todos!

27/10/2009

"Minha" Dolores Duran

Dolores Duran foi uma das maiores compositoras e intérpretes da Música Brasileira, ouso mesmo dizer que da música mundial. Foi com felicidade que recebi o convite do Milan para elaborar esta coleção de canções para seu site Parallel Realities Studio, que sempre enfoca belas vozes femininas do Brasil.

Dolores Duran é um caso único na história da nossa música. Surgiu como menina-prodígio capaz de impressionar o exigente Ary Barroso na sua primeira aparição frente aos microfones de uma emissora de rádio. Tornou-se, no auge de sua trajetória, uma bela mulher, dona de uma personalidade magnética, mulata de musicalidade absoluta e um par de bochechas que teimavam em sustentar o constante e largo sorriso.
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Sua voz rouquinha de emissão não muito potente cantou a tristeza de maneira impressionante, porém, ao mesmo tempo era capaz de levantar o astral de todos à sua volta com intermináveis anedotas e imitações das manias e trejeitos dos seus colegas da boemia carioca. Era o centro das atenções em todas as mesas que freqüentava, aliando graça, inteligência e sagacidade. Seus versos rebuscados e confessionais em “A Noite do Meu Bem”, são até hoje muitas vezes interpretados em tom de tristeza, sendo a música na verdade, uma ode à alegria de se encontrar o ser amado. Dolores tinha facilidade em aprender línguas e absorveu de maneira genial a música e a cultura de outros países, cantando perfeitamente em inglês, francês, espanhol e italiano. A consciência política a levou a se apaixonar pelo socialismo, e ela chegou a se apresentar na antiga União Soviética ao lado de Nora Ney, Jorge Goulart do Conjunto Farroupilha entre outros artistas. Num mundo profissional totalmente machista e bastante racista, onde a criatividade duelava marcadamente com a competição musical, ela conseguiu impor respeito, dando um passo além de muitos de seus colegas e contemporâneos. Sua arte é atemporal. Dolores Duran é um patrimônio artístico deste país.

Nesta coleção procurei selecionar de seu repertório, as canções baseando a escolha num tom pessoal. O resultado me surpreendeu, pois acabou mostrando o quanto moderna era a sua interpretação, e o quanto modernos eram também os compositores, os arranjos e o repertório escolhido a dedo pela grande sensibilidade da cantora. Para o efeito ser completo, o ideal é ouvir a coleção como um disco, na seqüência, do início ao fim. São sambas, sambas-canção, boleros, jazz e até mesmo baião, em uma viagem por todo o mundo musical particular de Dolores. Os fonogramas também receberam um leve tratamento digital para dar unidade ao som. Entre as canções em outras línguas há até mesmo uma em esperanto - “Nigraj Manteloj”, versão para a famosa “Coimbra” [de Errao, Galhardo, na versão de Baena].
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Não poderiam ficar fora grandes interpretações que se tornaram também sucessos como “My Funny Valentine” [Rodgers, Hart], “Canção da Volta” [Ismael Netto, Antônio Maria], “A Noite do Meu Bem” [Dolores Duran], “Conversa de Botequim” [Noel Rosa e Vadico], “Viva Meu Samba” [de Billy Blanco] e “Por Causa de Você” [a parceria mais famosa de Dolores Duran e Antônio Carlos Jobim]. Ao lado destas, algumas canções menos conhecidas, porém não menos geniais, como “Estranho Amor” [do mestre Garoto com letra de David Nasser], “Quem Foi?” [de Nestor de Hollanda e Jorge Tavares], “Ave Maria Lola” [S. Siaba], “Bom É Querer Bem” [de Fernando Lobo], “Onde Estará Meu Amor?” [da compositora Lina Pesce] e a incrível “Minha Toada” [composição de Dolores Duran e do saudoso Edson França, outro gênio musical, mais conhecido pela bela voz a frente do Trio Irakitan].

Em todos os gêneros e paisagens musicais por onde Dolores Duran passeou, há genialidade, doçura, humor e muita emoção. Modelando assim uma rara perfeição musical capaz de emocionar até mesmo as pedras do caminho. Afinal, passada a tristeza da perda, não importa se ela nos deixou cedo, importa sim, o que ela nos deixou. Divido então, um pouco da “Minha” Dolores, com todos vocês.

“Minha Dolores por Thiago Mello”
2009 [Bossa-Brasileira & Parallel Realities Studio]

01 Bom É Querer Bem [Fernando Lobo]
02 My Funny Valentine [Rodgers, Hart]
03 Solidão [Dolores Duran]
04 A Noite do Meu Bem [Dolores Duran]
05 Estranho Amor [Garoto, David Nasser]
06 Ave Maria Lola [S. Siaba]
07 Minha Toada [Edson França, Dolores Duran]
08 Na Asa do Vento [Luiz Vieira, João do Vale]
09 Viva Meu Samba [Billy Blanco]
10 A Banca do Distinto [Billy Blanco]
11 Conversa de Botequim [Noel Rosa, Vadico]
12 Manias [Flávio Cavalcanti, Celso Cavalcanti]
13 Nigraj Manteloj [Coimbra em Esperanto] [Errao, Galhardo, Baena]
14 Sinceridad [G. Perez]
15 An Affair to Remember [Adamson, Mcarey, Chandler, Warren]
16 Onde Estará Meu Amor? [Lina Pesce]
17 Canção da Volta [Ismael Netto, Antônio Maria]
18 Quem Foi? [Nestor de Hollanda, Jorge Tavares]
19 Pra Que Falar de Mim? [Ismael Netto, Macedo Neto]
20 Por Causa de Você [Dolores Duran, Antônio Carlos Jobim]

Este disco é um presente dos blogs:
Parallel Realities Studio & Bossa-Brasileira
E não pode ser comercializado.

04/09/2009

No Ar! Trailer do documentário "Com Carinho de Maysa"

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É com grande felicidade que trazemos aqui o trailer do primeiro longa-metragem da Bossa Filmes: “Com Carinho de Maysa”, atualmente em fase de produção e ainda sem previsão de lançamento. O primeiro trailer oficial ja está no ar: no youtube e no vimeo. Também está no ar o blog do filme. Nosso muito obrigado à todos os amigos, colaboradores, pesquisadores e envolvidos direta ou indiretamente no projeto!

Este filme é uma declaração de amor que fazemos à Maysa e uma declaração de amor que Maysa faz à seu público.

05/07/2009

Dóris Monteiro 1957 “Dóris Monteiro” [Columbia LPCB 35045]

O Brasil possui cantoras magníficas, mas dentre todas elas, há uma que merece todo o nosso carinho e destaque. Trata-se da grande Dóris Monteiro, que ainda hoje canta, com 55 anos de atividade profissional, ela está cantando lindamente por sinal, com o mesmo brilho, o que mais uma vez nos enche de alegria e orgulho! Por este motivo trazemos este LP aqui - novamente uma colaboração do grande amigo Clóvis de Curitiba, nosso imenso obrigado!

Este é um LP pouco conhecido de Dóris Monteiro, no formato de 10 polegadas, lançado em 1957. No repertório está, entre outras preciosidades, a gravação original de “Mocinho Bonito”, um clássico de Billy Blanco, grande sucesso na época e considerada como uma das gravações inaugurais da bossa nova. A matriz deste disco, se existir, está escondida nas prateleiras empoeiradas do que restou do acervo da Columbia. Apenas mais um exemplo do descaso histórico com a nossa música. Excluindo “Mocinho Bonito” os outros fonogramas não foram até hoje relançados em nenhum formato. Portanto, trata-se de uma jóia rara.
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Em 1957 Dóris Monteiro já era uma grande estrela, e havia sido eleita Rainha do Rádio por dois anos consecutivos. Seu “fio de voz”, como diziam alguns colegas, era também a marca de uma cantora moderna e sofisticada, que sabia ser ao mesmo tempo simples e sofisticada, e muito popular, agradando a todos os ouvintes, técnicos, produtores e colegas músicos da nossa Era do Rádio. Além de cantar também atuou frente ao microfone como locutora e disc-jokey [!] e também fez sucesso nas telas de cinema como atriz, chegando a ganhar prêmios. Uma bela trajetória. Ainda nos anos 40, podia ser apenas uma menina com a mãe sempre ao lado “de guarda”, mas quando cantava, transmitia poesia pelas ondas do rádio. E é assim neste disco. Dos primeiros acordes de “Faça de Conta”, bonita composição de Fernando César, até o último segundo da enfumaçada “Meu Tema”, de Édson Borges, este disco é todo, uma grande beleza.

Aqui, ela registrou duas composições de Maysa, que recém havia surgido no cenário musical como um furacão de sucesso e expressão artística. São duas músicas do primeiro disco da Maysa, lançado um ano antes: “Marcada” e “Resposta”. Duas belas composições, que ao ganharem interpretação da já experiente colega, são prova do quanto reverenciada Maysa foi no meio musical, ao mesmo tempo em que fazia enorme sucesso popular. As interpretações de Dóris Monteiro para estas duas canções são belíssimas, muito particulares, com toda a sua personalidade musical. Vale lembrar que Maysa ainda não havia gravado nem o seu segundo LP quando Dóris Monteiro lançou este. Uma bela homenagem, que deixou Maysa muito feliz. Que compositor não gostaria de ter uma música sua interpretada por Dóris Monteiro? Elas chegaram a dividir o microfone nesta época em programas no rádio.

“Dóris Monteiro” é um LP belíssimo, é a música brasileira elegante dos anos 50. Durante muitos anos se criticou o samba-canção, ainda hoje é tido como um estilo menor, cafona, sem importância. Há quem diz que se aparenta do tango e do bolero, que o piano tem vibrato, que a orquestra desliza, que as letras são melosas, ou até mórbidas o que for... Nada disso importa! Quem não tem sentimentos que não sinta... há quem sente, isso sem dúvida! A voz, mesmo que por “um fio”, tem a toda a doce dimensão da poesia daqueles dias. Mesmo que nem todas as canções sejam espetaculares como “Mocinho Bonito”, “Resposta” ou “Faça de Conta”. A contracapa é outra atração, com texto assinado pelo compositor Fernando César, onde certa altura ele afirma - “...Dóris não é nada daquela ‘figura para Ibrahim ver’... ...humana, dá-se ao luxo de acumular as qualidades de mulher bonita e inteligente...” - impregnado pelo machismo da mentalidade da época.

Dóris Monteiro, o maestro Eleazar de Carvalho e o cantor Lúcio Alves - início da década de 50.

Os arranjos do disco são incríveis, vem com a assinatura da orquestra toda original de Renato de Oliveira. Há violinos, acordeons, sax, percussão em primeiro plano e piano, tudo arranjado no maior capricho, como convém ao maestro, abrilhantando as composições. Uma preciosidade - que mais dizer de um disco que reúne a orquestra de Renato de Oliveira, mais a voz de Dóris às composições de Fernando César, Maysa, Billy Blanco, Édson Borges, Eduardo Luiz e Amado Régis?

Na incrível “Minha Obsessão” [de Nando e J. Marques] a voz cheia de estilo, enche o ambiente atravessando o espaço - chega a arrepiar - Dóris canta uma letra que traduz perfeitamente a atmosfera geral: “...é obsessão / é atroz, é cruel, é fatal / é um doce veneno que embriaga, seduz e afinal / mata lentamente como a flor cheirosa de espinhos mortais... / ...é melhor que eu procure esquecer / o que só desenganos me traz / terminemos sim, e outro amor, nunca mais!”

Dóris Monteiro 1957 “Dóris Monteiro” [Columbia LPCB 35045]

01 Faça de Conta [Fernando César] bolero
02 Marcada [Maysa] samba-canção
03 Real Conclusão [Eduardo Luiz, Amado Régis] toada
04 Mocinho Bonito [Billy Blanco] samba
05 Resposta [Maysa] samba-canção
06 Minha Obsessão [Nando, J. Marques] bolero
07 Só Pode Ser Você [Fernando César] fox
08 Meu Tema [Édson Borges] beguine

Arranjos e orquestra sob regência do Maestro Renato de Oliveira

13/06/2009

Rosa Pardini 1959 “Eu, O Luar & Você” [RCA Victor BBL 1143]

É com emoção que trago mais esta beleza da discografia brasileira, quase perdida no espaço-tempo. Um disco lindo, que deve ser degustado com calma e cuidado, como convém a toda grande obra de arte. Trata-se do terceiro LP da cantora Rosa Pardini, “Eu, o Luar e Você” [BBL 1143] primeiro na gravadora RCA Victor, lançado em 1959, com arranjos e regência do maestro Erlon Chaves, um de seus primeiros trabalhos à frente de uma grande orquestra.

Um mergulho no universo da música brasileira não seria completo se não fossem trazidos à tona artistas que - por puro descaso - caíram no esquecimento, mesmo dotados de características marcantes e trabalhos artisticamente irretocáveis. Para tanto, o trabalho de recuperação dessa memória é indispensável.

Rosa Pardini faz parte deste time de artistas. Cantora nascida em São Paulo em 1926. Teve a voz treinada nos ambientes da música clássica, mas era apaixonada pela música popular. Descoberta em 1943, pelo então diretor artístico da Rádio São Paulo, Oduvaldo Vianna, Rosa Pardini foi durante as décadas de 40 e 50, destaque em emissoras da capital paulista. Gravou diversos 78 rpms e um LP em 10 polegadas com o grande maestro Enrico Simonetti. Apareceu também no cinema e foi apelidada pelo locutor Alberto Nagib de “Pássaro de Ouro”, devido a sua voz cristalina.

Este é seu terceiro disco. São canções, choros e valsas, algumas clássicas do cancioneiro brasileiro, que nas mãos do maestro Erlon Chaves, ganham roupagem ousada e moderna, mesmo respeitando a tradição brasileira das modinhas, valsas e serestas. O resultado é no mínimo fantástico. Há aqui gravações definitivas para grandes clássicos como “Tamba-Tajá” do cancioneiro amazônico de Waldemar Henrique e “Guacyra” de Hekel Tavares e Joraci Camargo.


Registrado em 1959, o disco fez sucesso popular e se destacou numa época em que as gravadoras apostaram em vozes femininas de talento para registrarem discos ousados artisticamente, e se equilibravam entre a música erudita e a popular. Cantoras menos populares como Maria Helena Raposo, Lia Salgado, Leda Coelho e Délora Bueno, conseguiram a proeza de lançar LPs clássicos nestes moldes. Lenita Bruno em 1958 havia registrado pelo selo Festa a obra-prima “Modinhas Fora de Moda”, do qual este disco de Rosa Pardini, é também parente próximo.

Rosa Pardini foi casada com Wanderley Taffo, maestro, clarinetista e arranjador genial, na época conhecido por Siles, líder de um conjunto bastante atuante nas décadas de 40 e 50 em rádios, TVs e discos. Desta união nasceu o guitarrista Wander Taffo. No início dos anos 60 ela diminui a freqüência nas rádios e TVs, mas continua a cantar, infelizmente porém não registra mais discos.

Apenas por ter nos deixado “Eu, o Luar e Você”, Rosa Pardini merece figurar entre as grandes artistas da voz no Brasil. É ouvir, e tirar as próprias conclusões. De minha parte, posso apenas comentar a beleza e a delicadeza dos arranjos e da dicção perfeita da cantora, como na faixa título, que abre o álbum, de autoria de Sivan Castelo Neto - “Eu, o Luar e Você” tem a orquestra discreta emoldurada por harpas, num estilo que apenas na década de 50 seria possível registrar.

“Guacyra” clássico de Hekel Tavares e Joraci Camargo ganha arranjo de bossa, como se dizia na época, com a clarineta - provavelmente o próprio Siles - e um violão já anunciando novos tempos. O arranjo é ousado e brinca de modernidade. Já em “O Que Eu Queria Dizer”, também do mestre Hekel Tavares em parceria com Mendonça Jr, Rosa Pardini surge cheia de ternura transpirando a exata emoção que os autores impregaram tanto na letra quanto na melodia.

Em “Chorinho” o clima se alegra com uma beleza única e o ritmo dolente, Pardini mostra que sua voz também era perfeita para o samba e o chorinho. “...e os três / vão por este mundão que se chama saudade / conduzindo três almas, demais brasileiras /serena tanto / enquanto alguém que ama / abre a janela e espia sobre o luar / que é mesmo um dia / embranquecendo a amplidão...” A poesia é maravilhosa, mas não pára por aqui...

O maestro Waldomiro Lemke, o cantor Agostinho dos Santos e o maestro Erlon Chaves, autor dos arranjos deste disco, foto 1959.

“Se Tu Soubesses” [George Moran, Christóvão de Alencar], traz a cantora de volta ao samba-canção, num arranjo cheio de sutilezas. O lado fecha com “Chuva e Vento” dos consagrados compositores Alberto Ribeiro e José Maria de Abreu. Melodia com não sei o que de moderno, os arranjos novamente na bossa do violão e do clarinete, mas com vibrafone e coro completando a maravilha, tudo soando terrivelmente estranho e moderno: “a chuva cai... / é o pranto amor / da dor universal...”

O lado B abre com “Modinha” de Jayme Ovalle, com letra do poeta Manuel Bandeira, canção que jáhavia sido gravada com grande beleza por Lenita Bruno, e a versão de Rosa Pardini também é belíssima, com destaque para o naipe de cordas. De autoria do maestro Marcelo Tupynambá, de quem Pardini foi crooner em sua orquestra durante anos, está o belíssimo samba “Mal Estar”, com acompanhamento de regional de choro: “Eu não sei bem por que, sinto-me a envolver / um mal estar / sempre que você / sorrindo chega assim a dizer / você como vai?...” Simplesmente lindo!

Harpas e orquestra retornam em “Noite de Garoa” assinada por Amil. Que se para alguns não é uma música brilhante tem pelo menos uma linha na letra, digna de se destacar como fantástica: “...por que soluças tanto ó coração? / não vês que está traçada a minha meta / deixa eu que sofra com resignação /do próprio mal de ter nascido poeta...” Não é incrível?

Há ainda “Tamba-Tajá” de Waldemar Henrique e “A Carícia de Tuas Mãos” valsa pouco conhecida do mestre Joubert de Carvalho. E para encerrar disco, uma canção brejeira - quase um lamento sertanejo - de beleza sublime, composta por outro mestre Laurindo de Almeida [será que ele fez parte na gravação deste disco?]: “Minha Saudade”. “...minha viola não mais geme que maldade / chora tristemente essa saudade... ...quero conviver com a natureza / quero frente a tal beleza / ser menor que não sei que...” Depois disso, não há mais o que dizer, apenas calar e ouvir... Uma boa viagem!

Rosa Pardini 1959 “Eu, O Luar & Você” [RCA Victor BBL 1143]

01 Eu o Luar e Você [Sivan Castelo Netto]
02 Guacyra [Hekel Tavares, Joraci Camargo]
03 O Que Eu Queria Dizer ao Seu Ouvido [Hekel Tavares, Mendonça Jr.]
04 Chorinho [Waldemar Henrique, Bruno de Menezes]
05 Se Tu Soubesses [George Moran, Christóvão de Alencar]
06 Chuva e Vento [José Maria de Abreu, Alberto Ribeiro]
07 Modinha [Jayme Ovalle, Manuel Bandeira]
08 Mal-Estar [Marcelo Tupynambá]
09 Noite de Garoa [Amil]
10 Tamba-Tajá [Waldemar Henrique]
11 A Carícia de Tuas Mãos [Joubert de Carvalho]
12 Minha Saudade [Laurindo de Almeida]

Arranjos e orquestra sob regência do Maestro Erlon Chaves.

Quero agradecer ao amigo e colecionador Clóvis Cordeiro, de Curitiba, quem gentilmente cedeu este e outros discos para digitalização.

Bossa-Brasileira 2009

Queridos amigos, leitores e acompanhantes do Bossa-Brasileira:

Quero informar à todos que não encerramos as atividades!
Porém, estamos totalmente absorvidos por um outro projeto - também sobre música brasileira, do qual falaremos aqui mais adiante - e que tem tomado todo nosso tempo e dedicação. É por uma boa causa, nos intervalos procurarei trazer aqui mais alguns discos, assim que for possível.

Quero deixar pública minha gratidão para com os amigos, colecionadores e pesquisadores Clóvis Cordeiro [de Curitiba] e ao Gabriel Gonzaga [de São Paulo] que gentilmente nos emprestaram alguns de seus raros itens de seus acervos pessoais, discos que assim que for possível, entrarão aqui. Meu muito obrigado à eles e um grande abraço!

E também meu muito obrigado à todos que nos visitam diariamente, mandam emails, comentam, nos enviam sugestões e discos... um abração à todos!

Thiago Mello

18/12/2008

Trio Surdina 1956 "Ouvindo Trio Surdina Volume 2" [Musidisc DL 1009]



Quando Paulo Tapajós pensou em um conjunto instrumental para atuar em seu programa na Rádio Nacional “Música em Surdina”, convidou o amigo Garoto [Aníbal Augusto Sardinha, *1915 +1955] - um dos gênios das seis cordas que o Brasil teve a honra de ver nascer - para organizar o conjunto. Ele então indicou o seu próprio trio, que estava se apresentando com certa regularidade nos estúdios da Nacional. Garoto ao violão, Chiquinho do Acordeon [Romeu Seibel, *1928 +1993] e Fafá Lemos [Rafael Lemos Junior, *1921 +2004] exímio violinista e ex-músico da Orquestra Sinfônica Brasileira, eram a base melódica do conjunto. Uma formação diferente, ainda que acrescida de percussão [no primeiro disco a cargo de Bicalho] e contrabaixo [com Vidal], o foco era mesmo os solistas, e o resultando foi também uma sonoridade diferente. Garoto se empenhava há anos em formações musicais similares, ele parecia buscar um som específico, um dos embriões do Trio Surdina contava com Laurindo de Almeida no segundo violão, o violino de Mesquita e o contrabaixo de Faria: era o Garoto e Suas Cordas Quentes - foto promocional abaixo.

Garoto tanto conseguiu encontrar o som que procurava como também influenciou toda uma geração de músicos, como instrumentista e compositor. Segundo o pesquisador Jorge Mello - que escreve um livro sobre o músico - foi Paulo Gracindo na ocasião apresentador, quem batizou o conjunto de “Trio em Surdina” em 1952, na Rádio Nacional. Pouco tempo depois foram convidados por Nilo Sérgio, amigo, apresentador, cantor e dono do iniciante selo de discos Musidisc, para lançar uma série de LPs no formato ainda experimental de 10 polegadas, com oito faixas rodando em 33 rotações. Fafá Lemos contou que os discos não foram gravados em estúdio, mas sim editados a partir de acetatos gravados na Rádio Nacional, entregues a Nilo Sérgio por Paulo Tapajós.


Um dos embriões do Trio Surdina as “cordas quentes” de Laurindo de Almeida, Mesquita, Faria e Garoto.

Os disquinhos venderam bem, fizeram sucesso e rechearam o catálogo da Musidisc - que em poucos anos se tornaria vasto - com um padrão de extremo bom gosto e delicadeza, tanto no registro da música como também nas capas. Num esquema quase artesanal, infelizmente alguns discos eram prensados em material de baixa qualidade, no entanto Nilo Sérgio foi pioneiro na administração de uma gravadora nacional e esta ainda teve vida longa.

Em 1953 Fafá Lemos acompanha Carmen Miranda em mais uma turnê pelos Estados Unidos, gravando por lá o disco “Jantar no Rio” [1954 RCA Victor BKL 2] já em 12 polegadas - disponível aqui no bossa-brasileira. Em 1955 Garoto falece prematuramente vítima de problemas cardíacos. No mesmo ano o mundo musical brasileiro também cumpre luto por Carmen Miranda. Fafá retorna ao Brasil, mas não volta a gravar na Musidisc. Nilo Sérgio não desiste da “marca” Trio Surdina e remonta o conjunto com auxílio do excelente violonista Nestor Campos, para a gravação de mais LPs. Ao lado dos músicos Auro P. Thomaz, o “El Gaúcho” acordeonista e Joaquim Gonçalves Oliveira Filho, o Al Quincas músico originalmente saxofonista, mas no Trio Surdina encarando o violino com destreza.


O violonista Nestor Campos.

A intenção de Nilo Sérgio foi manter a aura musical criada por Garoto, e claro, impulsionar o sucesso fonográfico do seu selo. E foi bem sucedido. Mesmo sem a genialidade e ecletismo da formação original, o “novo” Trio Surdina, embora mais simples, também possuía brilho. Este disco é a prova. Lançado em 1956, possui uma sonoridade forte, com ênfase na percussão, e nos belos diálogos e fraseado dos solistas. A arrojada capa é assinada por Apolo, num resultado gráfico fora do padrão e absolutamente moderno para a época.

Como nas gravações do trio original, está aqui a mesma atmosfera de cabaré, evocando por vezes a música latina da Europa e suas tradições ciganas e através destas, a raiz árabe da música ibérica. Se a fórmula segue parecida, os músicos são outros - e claro, a visão muda. O destaque é mesmo o violão do Nestor Campos, gostoso de ouvir, preciso e com leveza. Há influencia do estilo todo particular de Garoto, mas Nestor se sai bem ao distanciar do estilo do mestre, buscando linguagem própria. Também o violino e o acordeon possuem momentos sublimes. “Linda Flor” de Henrique Vogeler por exemplo, é belíssima, com o solo de violino vibrante, valorizando a melodia pontuada com precisão pelo violão e o acordeon. “Jelousie”, clássico norte-americano, é revestida com elegância e desenhos sonoros de efeito sublime. O violino se destaca no choro “Comigo É Assim” de Luiz Bittencourt e José Menezes, com a intervenção perfeita do solo ligeiro de Nestor. Há também elegantes releituras para sucessos internacionais, como o fox “Charmaine”, a balada “Moonlight Serenade” e o bolero “Maria-lá-ô” de Ernesto Leucona, em arranjo belíssimo. Surpreendente também é “Iracema na Escócia” com bateria e violino em primeiro plano, soa como um casamento feliz e improvável entre a marcha escocesa e o samba brasileiro. Fechando o disco, um samba-choro assinado por Al Quincas “Você Não Gosta”, com destaque especial para o solo de acordeon do El Gaúcho. Um belíssimo presente aos amigos amantes da boa música!

Trio Surdina “Ouvindo Trio Surdina Volume 2”
1956 Musidisc DL 1009


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01 Jealousie [Jacob Gade]
02 Comigo É Assim [Luiz Bittencourt, José Menezes]
03 Charmaine [E. Rapee, L. Pollack]
04 Linda Flor [Henrique Vogeler]
05 Maria-lá-ô [Ernesto Lecuona]
06 Iracema na Escócia [Pernambuco]
07 Moonlight Serenade [M. Parish, G. Miller]
08 Você Não Gosta [Al Quincas]

Al Quincas: violino
Nestor Campos: violão
El Gaúcho: acordeon

para mais Trio Surdina visite as matérias de Jorge Mello:
Trio Surdina no site Musica Brasiliensis
Cancioneiro de Garoto no site Sovaco de Cobra
O Extraordinário Guitarrista Nestor Campos no Sovaco de Cobra parte 1
O Extraordinário Guitarrista Nestor Campos no Sovaco de Cobra parte 2
blog do Jorge Mello com diversas informações sobre a boa música brasileira
Trio Surdina no site Gafieiras - matéria de Ricardo Tacioli

02/12/2008

Marília Batista 1952 “Poeta da Vila nº 1” [Rádio 0001]

É com grande felicidade que trazemos aos amigos esta jóia da discografia brasileira. Trata-se do disco número um da pioneira gravadora Rádio, editado em 1952, com a cantora Marília Batista interpretando sambas de Noel Rosa em arranjos luxuosos do mestre Aldo Taranto. “Poeta da Vila” é considerado o primeiro long-playing em 33 rpms gravado e produzido no Brasil, ainda no formato inicial em 10 polegadas. Registros apontam que as gravadoras Sinter e Musidisc já haviam se aventurado no formado em 1951. Segundo o pesquisador Egeu Laus, o Brasil foi o quarto país do mundo a colocar no mercado discos em formato long-playing rodando em 33 rotações, depois dos Estados Unidos, Inglaterra e França, em 1951, com uma coletânea de Carnaval no selo Sinter. Tendo sido lançado em 1952, “Poeta da Vila” é comprovadamente um dos primeiros.

A cantora Marília Batista [*13.04.1918 - +09.07.1990] incentivada pela mãe, pianista e pelo pai, médico, desde cedo desenvolveu sua aptidão para música. Empunhando violão [fato incomum para as meninas na época], aos oito anos já compunha e sonhava em ser solista. Aos doze fez seu primeiro recital, apresentando composições suas entre sambas e canções regionais. Aos quinze anos - em 1932 - gravou seu primeiro disco em 78 rpms com duas parcerias feitas com o irmão Henrique Batista. No ano seguinte, já está acompanhada por Noel Rosa, como destaque no famoso Programa do Casé, na Rádio Philips, o mais ouvido na época. A cada programa, novos sambas do também famoso poeta da vila eram apresentados.
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Foto histórica pertencente ao acervo do cantor Almirante, nos estúdios da rádio Mayrink Veiga: Mário Moraes, Cyro de Souza, Henrique Batista [irmão de Marília, também compositor], Marília Batista, Fernando Pereira, Renato Batista [irmão de Marília, também compositor] e Noel Rosa.

Marília Batista e Noel Rosa se conheceram em 1931, ela tinha quatorze anos, quando ele a viu se apresentar em uma festa, a sintonia foi imediata. Ao lado de Aracy de Almeida, Marília Batista foi a mais importante intérprete das composições de Noel Rosa. Boa moça, Marília tricotava nos intervalos da programação, enquanto Aracy acompanhava os rapazes em intermináveis noitadas pelos bares cariocas. Dona de voz e personalidade igualmente fortes, Marília também possuía humor refinado, como seu amigo Noel. No Programa do Casé ela criou o seu próprio prefixo: “Fala o Programa do Casé... / Veja se adivinha quem é... /Faço a pergunta por troça / Pois todo mundo já conhece / A garota da voz grossa...”. Além dos programas de rádio, Noel e Marília também dividiram os microfones em diversas gravações históricas, lançadas em 78 rpms pela Odeon, em algumas acompanhados pelo regional do Benedito Lacerda.

O “garota da voz grossa” não pegou, Marília Batista ficou conhecida mesmo pelo apelido delicado de: “Princesinha do Samba”. Com a inauguração da Rádio Nacional ela passa a integrar o cast como parte do conjunto vocal As Três Marias, que além de estrelas do elenco, também acompanhavam outros artistas. As Três Marias também gravam alguns discos e aparecem no filme “É Proibido Sonhar” de Moacir Fenelon, lançado em 1943.

No início de Maio de 1937, uma notícia nos jornais abala o Rio de Janeiro: Noel Rosa morre aos 27 anos de idade, vítima de sucessivas enfermidades, agravadas pelo estilo de vida boêmio. Marília Batista ainda mantém a carreira com sucesso por mais alguns anos, mas ao casar-se em 1945, se ausenta dos palcos e microfones.

Até 1952, quando é convidada pela gravadora Rádio para estrelar o primeiro LP produzido no Brasil. Uma homenagem a Noel Rosa, com arranjos do maestro Aldo Taranto. Oito sambas, sendo três, instrumentais. O resultado é uma obra-prima. Dos primeiros compassos de “Feitio de Oração” [parceria de Noel com o pianista Vadico], até a última frase de “Dama do Cabaré”, Marília Batista e Aldo Taranto registram versões perfeitas, senão definitivas, em arranjos que ao mesmo tempo evocam e transcendem as gravações originais feitas na década de trinta. As belas “Quando o Samba Acabar”, “Pra Esquecer” e “Dama do Cabaré” são os maiores exemplos. Não há como não destacar a partitura orquestral nas faixas. Nem mesmo o arranjo ousado do pequeno conjunto em “Pela Primeira Vez” [parceria com Cristovão de Alencar], onde Taranto coloca sopros dialogando com uma guitarra elétrica de maneira magistral. “Quem Ri Melhor” sobrepõe o conjunto e a orquestra, com grande beleza nos desenhos melódicos dos violinos - enquanto o samba come solto, com percussão marcada, pandeiros e a participação vocal das Três Marias. Já “Com Que Roupa?” comparece instrumental com solo de guitarra - músico infelizmente não creditado [seria o grande Laurindo Almeida?] - e um solo assombroso de piano do mestre Taranto em pessoa.

Marília Batista 1952 “Poeta da Vila nº 1” [Rádio 0001]

Foram lançadas diferentes edições deste disco, a que usamos para digitalizar possui o vinil perolado nos tons preto, vermelho e branco. Existe também uma edição com o vinil predominante branco, mas perolado em vermelho e preto, outra com o vinil acinzentado, além do vinil normal, inteiramente preto. Se alguém conhecer edições em outras cores deste disco, entre em contato!

Destacar a importância de Noel Rosa é chover no molhado. Faço questão porém, de mostrar aqui um bilhete encontrado na primeira página do álbum de recortes mantido pela mãe do compositor, apenas como ilustração de seu incrível senso de humor:

Imagem pertencente ao acervo de João Máximo e Carlos Didier, autores da caprichada e obrigatória “Noel Rosa, Uma Biografia” editado pela Linha Gráfica em 1990.

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01 Feitio de Oração [Noel Rosa, Vadico]
02 Até Amanhã [Noel Rosa] samba
03 Quando o Samba Acabou [Noel Rosa]
04 Pra Esquecer [Noel Rosa]
05 Com Que Roupa [Noel Rosa]
06 Quem Ri Melhor [Noel Rosa]
07 Pela Primeira Vez [Noel Rosa, Cristóvão de Alencar]
08 Dama do Cabaré [Noel Rosa]

arranjos do maestro Aldo Taranto