06/08/2007

Stellinha Egg 1956 "Músicas do Nosso Brasil" [RCA Victor BLP 3022]

Ao lado de Inezita Barroso e Délora Bueno, Stellinha Egg se dedicou ao universo da música folclórica e chegou a ser reconhecida como principal intérprete do estilo. Nasceu em Curitiba e se destacou no rádio em São Paulo. Em 1945 casou-se com o genial maestro Lindolfo Gaya, que passou a arranjar seus discos, numa união também musical. Ao voltar de uma temporada no exterior, Stellinha ganhou um programa de TV dedicado à música folclórica do Brasil e do mundo. Gravou discos em produção luxuosa, um deles para crianças e lançou diversos clássicos do mestre Dorival Caymmi – alguns presentes aqui. Dorival, na época, declarou ser Stellinha a intérprete preferida de suas músicas.

“Músicas do Nosso Brasil” foi editado pela RCA Victor em 1956 em disco de 10 polegadas. As faixas haviam sido lançadas em diversos 78 rotações entre 1951 e 1954. São gravações antológicas de valor histórico e artístico incontestável. Canções, baiões, toadas e os chamados “batuques” - tudo em coesão impressionante, não parecendo tratar-se de uma coletânea. Ao vestir com tal exuberância algumas destas canções, Gaya não imaginou a dimensão histórica que o trabalho representaria. O disco é uma fusão entre música popular e elementos musicais das religiões afro-brasileiras. Algumas das músicas são adaptações de cantos e batuques apresentados de forma magnífica com orquestra e coral. O resultado chega a ser lisérgico como em “Recado à Yemanjá”, “O Vento” ou “A Lenda do Abaeté”.

Stellinha Egg tinha uma voz incomum, de brasilidade deliciosa. Em “Lamento Negro” [afro-samba muitos anos antes de Baden & Vinicius? Com certeza!] ela faz scats em yorubá, exalta “Xangô” e a certa altura parece estar “tomada”, isso enquanto a orquestra vira e revira do avesso as linhas de sopros e violinos escritos por Gaya em uma explosão de energia impressionante. Já “A Lenda do Abaeté” é lírica, orquestra e cantora em sintonia perfeita: “O luar prateia tudo, coqueiral, areia e mar... Credo-cruz que esconjuro, quem falou no Abaeté?”. Que voz! Caymmi não se rendeu à toa... Do mesmo modo, as versões de “O Mar” e “O Vento” são talvez as mais belas já gravadas.

“Músicas do Nosso Brasil” de Stellinha Egg, arranjos de Gaya é uma obra-prima. Belo, divertido, intrigante e misterioso. E também histórico e fundamental. Como bônus, incluímos duas faixas presentes nos 78 rpms que originaram o LP, mas não entraram na edição final: “Noite de Temporal” e “Nunca Mais” ambas de autoria de Dorival Caymmi. Ganhamos este presente do amigo Simon Boutman que editava o blog microgrooves que infelizmente não existe mais, uma verdadeira esta jóia! Nosso imenso obrigado.

acima: Stellinha no estúdio da TV Rio, em seu programa semanal.

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Stellinha Egg 1956 “Músicas do Nosso Brasil”
RCA Victor [BPL 3022]

01 Luar do Sertão [Catulo da P. Cearense, J. Pernambuco] canção 1952
02 Prenda Minha [Tradicional, adpt. Stellinha Egg] baião 1951
03 Recado à Yemanjá [Roskilde, Stellinha Egg] toada-baião 1954
04 O Vento [Dorival Caymmi] canção praieira 1953
05 Baião de Diamantina [H. de Almeida, R. Paes] baião 1953
06 Lamento Negro [Constantino Silva, H. Porto] macumba 1954
07 Lenda do Abaeté [Dorival Caymmi] batuque 1954
08 O Mar [Dorival Caymmi] canção 1953

09 Nunca Mais [Dorival Caymmi] samba-canção 1954
10 Noite de Temporal [Dorival Caymmi] batuque 1954

Arranjos para orquestra e coro do maestro Gaya.

05/08/2007

Onilda Figueiredo 1957 "A Voz de Onilda Figueiredo" [Mocambo LP 10026]

Este LP de 10 polegadas da gravadora Mocambo é uma das jóias da discografia brasileira nos anos 50. Onilda Figueiredo era quase uma menina quando gravou o bolero “Nunca! Jamais!” em um disco de 78 rpm de 1956. Foi um estrondoso sucesso no país inteiro. A versão feita pelo maestro Nelson Ferreira para o bolero original em castelhano de Lalo Guerrero, foi incluída no repertório de Ângela Maria, Ivon Cury, Neusa Maria, Rosa Pardini, Zezé Gonzaga e outros. Entre 1956 e 1958 a faixa “Nunca! Jamais!” foi uma das músicas mais ouvidas no Brasil. Nenhuma destas gravações no entanto, teve o mesmo êxito que a original lançada por Onilda, fato que levou a Mocambo a editar um long-play completo com sua então estrela, Onilda Figueiredo.

Fundada em Recife por Adolfo Rozenblit e seu irmão, a Mocambo produziu um catálogo bastante expressivo. Nunca ameaçou a hegemonia das “grandes” fábricas, mas no auge de sua atuação [entre 56 e 59] a Mocambo teve filiais em São Paulo, Rio de Janeiro e Porto Alegre, lançou inúmeros discos nacionais, licenciou outras diversas gravações estrangeiras, e ainda pôde contar com a direção artística de ninguém menos que Ary Barroso.

Foi neste cenário que a Mocambo colocou nas lojas do país “A Voz de Onilda Figueiredo” em 1957: registro único desta cantora de voz doce, “rouquinha”, interpretação meiga e um sotaque incrível que só adicionou charme às suas gravações. Vale destacar o trabalho do maestro Nelson Ferreira, que resultou num colorido todo especial às faixas. Piano, naipe de cordas, trompete, sax, flautas e percussão marcada. O repertório é basicamente de boleros, mas é uma delícia e de uma elegância surpreendente. Há uma bela canção de Fernando César, “O Luar e Você” [em orquestração primorosa!] e um divertido “calypso” “Mamãe Quero Dançar” em versão de E. Rodrigo. Além de “Nunca! Jamais!” e do bolero “Se Deus Assim o Quis”, outro belo momento é “À Beira Mar”, versão em português para um grande sucesso de Bienevido Granda, com direito a introdução especial do maestro Nelson Ferreira.

“A Voz de Onilda Figueiredo” é um disco que soa muito bonito passados 50 anos de seu lançamento. É o retrato sonoro de uma época, o registro muito especial de uma grande cantora e merece seu espaço na discografia da boa música brasileira.

No escritório da Mocambo: Adolfo Rozenblit o dono, os jornalistas Ari Vasconcelos, Brício de Abreu e Ary Barroso o diretor.

Onilda Figueiredo 1956 “A Voz de Onilda Figueiredo”
Mocambo [LP 10026]

01 Nunca! Jamais! [L. Guerrero, vrs. Nelson Ferreira]
02 Se Deus Assim o Quis [L. Quintero, vrs. Nelson Ferreira]
03 Loucura [Nelson Ferreira]
04 O Luar e Você [Fernando César]
05 Mamãe Quero Dançar [Manning, Hoffman, vrs. Eduardo Rodrigo]
06 A Beira Mar [José Barros, vrs. Nelson Ferreira]
07 Loucura Passional [Nelson Navarro, vrs. Nelson Ferreira]
08 Tu Em Meus Braços [Margarida Menezes Figueiredo]

Arranjos para orquestra do maestro Nelson Ferreira.

24/04/2007

Melodias Imortais com Pattápio Silva [BRLP 003]

Há exatos cem anos, falecia em Florianópolis, capital de Santa Catarina, um dos maiores músicos que o Brasil já teve. Pattápio Silva era seu nome. Viveu pouco, apenas 27 anos. A maior parte deles, dedicados à música.

Em seu tempo Pattápio, ou Patápio [os dois t's foram abolidos com o passar dos anos], foi considerado um fenômeno musical espantoso, e se tornou mestre de seus mestres. Mais do que virtuose em seu instrumento, a flauta, Pattápio provaria ser um artista extremamente sensível e inspirado, e também um compositor completo. Sua música possuía uma beleza misteriosa, a imprensa de seu tempo atestou: “gênio igual, não mais apareceria neste século”.

Por ocasião do centenário da morte do flautista, o jornal Diário Catarinense, em seu caderno de cultura, publicou uma bela reportagem escrita pelo jornalista Maurício Oliveira, detalhando a passagem de Pattápio Silva pela cidade. A matéria na íntegra pode ser lida aqui. Foram incluídas também, imagens raras pertencentes ao acervo do Instituto Histórico e Geográfico de Santa Catarina.

O músico, em fotografia de Valério Vieira.

Pattápio Silva nasceu na vila de Itaocara, no Rio de Janeiro em 22 de Outubro de 1880. Sua família era simples, o pai barbeiro. O menino que aos 12 anos já trabalhava ao lado do pai, ganhava respeito e admiração dos colegas da pequena vila, tirando som de canudos de madeira ou bambus, com apenas 5 furos. Tocava no intervalo do trabalho e logo a barbearia se via lotada: “Aquêle pobre instrumento serviu para grande reclame, não só dos negociantes do tal artigo, que passou a ser vendido em grande escala a todos os meninos, como também, para demonstrar a grande vocação de Pattápio.” - escreveu seu irmão Cícero Menezes em curta biografia publicada em 1953.

“Com apenas 26 anos Patápio era um célebre concertista, condição que alcançara ao se destacar como aluno do curso de flauta do Instituto Nacional de Música, do Rio de Janeiro, a mais importante escola do gênero no país à época.” – escreve Maurício Oliveira. O jornalista descreve as circunstâncias de sua morte repentina, incluindo fatos pouco esclarecidos até hoje. Mas omite a informação de que os bens do músico [incluindo roupas, flautas e partituras] foram leiloados na capital Catarinense, para pagar uma dívida abusiva cobrada pelo dono do Hotel do Comércio – o prédio está em pé até hoje [foto abaixo] - relacionada a despesas com hospedagem e tratamento médico. Seu enterro na Capital Catarinense no entanto, teve honras de Estado e foi acompanhado por uma multidão comovida. A notícia abalou a pequena cidade que não chegou a ver o famoso músico se apresentar, e também chocou o país. Mais tarde seu padrasto conseguiu recuperar parte destes bens, pagar definitivamente a dívida e fazer o translado do despojos para o Rio de Janeiro.

Fachada do antigo Hotel do Comércio, centro de Florianópolis - hoje.

O gênio de Pattápio Silva ainda teve tempo de fazer as primeiras gravações de um instrumentista solo do país, para a Casa Edison, no selo Odeon. Deixou pouco mais que 15 músicas lançadas em discos de 78 rpms, gravadas a partir de 1904 até o ano de sua morte, 1907. Registro único da dimensão do que foi a sua arte. Pattápio sofreu por conseqüência de sua posição como músico excepcional. No ano de sua morte, estava magoado e sentia-se desiludido com a sociedade musical a que pertencia. Muito jovem ainda, mulato e de origem humilde, ele não era levado a sério pelos maestros e professores, até estes o ouvirem tocar. Foi ovacionado nos salões e banquetes elegantes, mas teve problemas financeiros por toda a vida. Dominou o seu instrumento, mas o julgava imperfeito, a flauta não lhe oferecia todos os recursos e queria mudá-la para que pudesse executar plenamente sua música. Pretendia visitar fábricas na Europa e assim, tentar aperfeiçoar o instrumento. Para bancar a viagem, iniciou uma turnê de excepcional sucesso por diversas cidades entre o Rio de Janeiro, São Paulo, Paraná, e finalmente Santa Catarina. Era o auge e o fim de sua curta, mas espantosa trajetória.

Selo do disco com a música "Só Para Moer" na Odeon.

O Bossa-Brasileira reuniu 12 gravações históricas de Pattápio Silva nesta coleção, todas realizadas para a Casa Edison. Composições para flauta e piano, algumas eruditas, outras populares, numa fusão estética que só um artista genial como Pattápio Silva poderia executar.

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Melodias Imortais com Pattápio Silva

01 Variações de Flauta [Pattápio Silva]
02 Serenata Oriental [Ernesto Kohln]
03 Noturno [Pattápio Silva]
04 Só Para Moer [Viriato Figueira da Silva]
05 Serenata d'Amore [Pattápio Silva]
06 Alvorada das Rosas [Júlio Reis]
07 Serenata [Gaetano Braga]
08 Primeiro Amor [Pattápio Silva]
09 Dueto Para Flauta e Violino [Pattápio Silva] com Serpa ao violino
10 O Sonho [Pattápio Silva]
11 Serenata de Schubert [Franz Schubert]
12 Margarida [Pattápio Silva]

Bossa-Brasileira BRLP 003, gravações realizadas entre 1904 e 1907

Compilado e masterizado por Thiago Mello por ocasião do centenário da morte de Pattápio Silva - Florianópolis em 24 de Abril de 2007. Esta compilação não pode ser comercializada, é um presente do site Bossa-Brasileira.

Foto rara de Pattápio, encontrada no Instituto Histórico e Geográfico de Santa Catarina.

15/02/2007

Carnaval em Bossa

A coletânea Carnaval em Bossa [BRLP 002], parte da coleção Bossa-Brasileira, foi reeditada em Novembro de 2008 e pode ser baixada aqui. Abaixo, texto da postagem original:

“Através da música, o Carnaval do passado pode ser revisto. Algumas das marchas e sambas carnavalescos que se tornaram célebres - na verdade a sua grande maioria - não atravessaram o tempo. É uma produção que ainda está a ser descoberta. O blog Bossa-Brasileira produziu uma coletânea, com exemplos deste rico painel musical, também uma indicação de pesquisa. Aqui, apenas um singelo exemplo, um pequeno painel do que de melhor foi gravado em música de Carnaval no Brasil. São em sua maioria marchinhas, alegres ou melancólicas e alguns sambas. Todos representantes legítimos do som que se fazia e se ouvia no Carnaval Brasileiro de outras épocas...”

17/01/2007

Maysa no "Arquivo N" da Globo News

É com felicidade que anunciamos o especial Arquivo N da TV Globo News que focalizou nossa querida Maysa. A raridade das imagens nem se comenta, o segmento dela cantando em 1960 no Japão [primeira artista de nosso país a se apresentar por lá] é antológico, próximo do que fazia em seus programas de TV semanais no final dos anos 50. É possível através de 22 minutos fazer uma grande viagem e mergulhar na arte de nossa maior estrela. Embarquem nessa onda com Maysa.

* 14.11.07 update - infelizmente a Globo News retirou o especial do ar, esperamos que ele seja disponibilizado novamente via youtube.com. Enquanto não é, nossa filial, Bossa-Filmes possui diversos vídeos da Maysa para o seu deleite AQUI.

16/01/2007

Publicidade Brasileira das Décadas de 30 & 40 - I

Olá pessoal, o Bossa-Brasileira deseja um feliz 2007 à todos! Entramos no ano novo trazendo um pouco da publicidade de épocas passadas feita no Brasil. Na verdade, queremos anunciar que nossa modesta assinatura mudou, e como reflexo desta nova era que entramos, o espaço aqui também está diferente. Nosso trabalho cresceu e atingiu novos campos, muito obrigado à todos...

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Neurobiol, o Tônico do Cerebro já anunciava em 1936 na contra-capa da revista Eu Sei Tudo que o século XX trouxera além dos avanços materiais, novos problemas para a humanidade. Assim, novos remédios para os tais males surgiam, muitas vezes por meio de velhas fórmulas já há muito tempo conhecidas. “No turbilhão da vida moderna, a victoria cabe aos cerebros fortes!” Com exclamação e tudo. A imagem produzida à mão e em cores, assinada por F. Tarquino, possui todos os elementos que caracterizaram a revolução industrial daquele século.

Publicidade assinada por Annibal para a Cia. de Cigarros Souza Cruz, publicada na revista Eu Sei Tudo, edição de Abril de 1942. O artista obteve um belo - e por que não dizer - moderno efeito com a imagem chapada do fumante surgindo da sombra do maço de cigarros.

Na mesma edição da revista Eu Sei Tudo de 1942, havia também este belo exemplo de publicidade genuínamente brasileira. O “xarope para senhoras” Ovariuteran ganhou anúncio de página inteira com imagem “fotográfica”, lettering e reprodução da embalagem, tudo feito a mão e assinado por Sacha, Rio de Janeiro.

Na edição de Agosto de 1936 da revista Eu Sei Tudo, este anúncio de sabonetes já usava uma composição totalmente moderna, estilo usado na publicidade até os dias de hoje. Fotografia, desenho e lettering, com adição de textos informativos em diferentes “tipos”. “...Para a mulher moderna a beleza não termina nos ombros! Ela conserva a pele de todo o seu corpo suave e juvenil com Palmolive, diz a Sta. Madeleine Rosay, primeira bailarina do Teatro Municipal do Rio de Janeiro.” A empresa responsável pelo anúncio [talvez a própria revista] e a bailarina Madeleine Rosay sem saber, protagonizaram uma das primeiras associações que se fez entre o mundo das artes e o da publicidade em nosso país. O “recurso”, importado de modelos estrangeiros, se torna bastante popular um pouco mais tarde, especialmente no final dos anos 40 e é matéria comum hoje em dia.

22/12/2006

Natal no Brasil

Foto da capa disco Natal no Brasil coletânea do selo Copacabana lançada em 1956, que serviu de base e inspiração a coletânea de Natal do Bossa-Brasileira... - post original da coletânea “Natal no Brasil” que pode ser baixada em dois volmes aqui [vol. 1] e aqui [vol. 2].

19/11/2006

Aniversário

Em Novembro o Bossa-Brasileira completa um ano. Primeiro blog brasileiro a trazer música Brasileira, o Bossa-Brasileira não tem pretensões de atingir grandes públicos, não quer fama, e muito menos colocamos ferramentas que possam nos trazer qualquer vantagem monetária. Acreditamos na Arte da mesma forma como acreditavam os artistas [há 50 anos atrás] que aqui são focalizados. Por isso mesmo assinamos com nosso nome verdadeiro e não com pseudônimos. E continuaremos assim. Um grande abraço à todos. Muito obrigado pela participação e apoio de todos vocês, este trabalho é dedicado aos fiéis amigos e à nossa equipe. Vocês sabem quem são...

14/10/2006

Horacina Corrêa & Orquestra de Léo Peracchi 1954 Noel Rosa [Musidisc MV 005]

É com grande felicidade que apresentamos este raro LP de 10 polegadas, gravado em 1954 e lançado pela Musidisc, com sambas de Noel Rosa na interpretação da cantora Horacina Corrêa, e acompanhamento luxuoso da orquestra do maestro Léo Peracchi. Mulata gaúcha, Horacina iniciou a carreira de cantora inspirando-se em Carmen Miranda, atuando da década de 30 até o final dos anos 50. Participou de muitos filmes, incluindo sucessos como “O Cortiço” e “É Com Esse Que Eu Vou”. Se apresentou pela América Latina, sendo muito querida na Argentina. Este é possívelmente seu único long-playing, que aliás não consta nos registros disponíveis sobre a discografia de Léo Peracchi, nem na da cantora, até agora.

Noel Rosa teve a obra marcada pela estética absolutamente moderna para a música popular de sua época. Ainda hoje suas melodias e letras soam atuais e relevantes, sem contar o imenso valor musical. Sem pudores, Noel incluia gírias nas letras de seus sambas, expressões que ele próprio criava e era dono de uma profunda autocrítica. Conta a lenda que a palavra bossa associada à música, é criação dele.

Algumas de suas mais belas criações estão aqui: “Útimo Desejo”, “Feitio de Oração”, “Feitiço da Vila”, “Pra Que Mentir”, “O Orvalho Vem Caindo”, “De Babado”, “Até Amanhã” e “Silêncio de Um Minuto”. O som está próximo daquele que se extraía dos 78 rotações, mas o brilhantismo de Peracchi e de Horacina fazem deste, um dos melhores albuns gravados com a obra de Noel nos anos 50. Dos arranjos sofisticados, destacam-se o solo de oboé que acompanha a melodia em “Feitiço da Vila”, os sopros na introdução de “Silêncio de Um Minuto”, os metais em “De Babado”, o diálogo inusitado entre metais e cordas em “Feitio de Oração” ou a trama orquestral de “Último Desejo”, tudo com assinatura de Léo Peracchi. Brilhante, obra-prima... qualquer adjetivo aqui é pouco.
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1954 Musidisc [MV 005]



01 Até Amanhã [Noel Rosa]
02 Feitiço da Vila [Vadico, Noel Rosa]
03 Silêncio de Um Minuto [Noel Rosa]
04 Pra que Mentir [Noel Rosa, Vadico]
05 De Babado [Noel Rosa, João Mina]
06 Último Desejo [Noel Rosa]
07 Feitio de Oração [Noel Rosa]
08 O Orvalho Vem Caindo [Noel Rosa, Kid Pepe]

Arranjos e Regência do Maestro Léo Peracchi.

Poly, sua Guitarra Havaiana e Conjunto 1960 compacto-duplo [Chantecler C336056]

O maestro Poly [Angelo Apolonio] foi mestre na guitarra-havaiana, hoje também chamada de slide-guitar. O colorido inusitado que seu instrumento dá aos sambas e sambas-canção que executa, atinge seu auge entre 1956 e 1960. Época em que atua com seu Conjunto em incontáveis apresentações ao vivo, no rádio e em discos. Sua guitarra-havaiana ponteia diversas gravações clássicas da nossa canção acompanhando os mais os mais importantes artistas.
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Apresentamos aqui a sonoridade exótica do Poly e Seu Conjunto, neste compacto-duplo da gravadora Chantecler, gravado entre 1959 e 1960. As faixas saíram originalmente no disco “Ouvindo-Te” [1960 Chantecler CMG 2088] e são: “O Ébrio” grande sucesso de Vicente Celestino; “Favela” samba-canção dos compositores Roberto Martins e Waldemar Silva; “Perdão Emília” curiosamente creditada como de autoria de N. N.; e “Longe dos Olhos” de autoria de Christóvão de Alencar e Djalma Ferreira. Como bonus incluímos a belíssima seresta de Paraguassú, “Nunca Mais”, igualmente extraída do disco “Ouvindo-Te”. Tudo em perfeita alta-fidelidade sonora.
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[Chantecler C336056]
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01 O Ébrio [Vicente Celestino]
02 Favela [Roberto Martins, Waldemar Silva]
03 Perdão Emília [N. N.]
04 Longe dos Olhos [Christóvão de Alencar, Djalma Ferreira]
05 Nunca Mais [Paraguassú] [bonus]

10/10/2006

Nora Ney 1953 [78 RPM Continental 16726]

A música “De Cigarro Em Cigarro” fez grande sucesso na voz quente de Nora Ney, cantora das mais importantes do período entre os anos 40 e 60. Composição de um Luiz Bonfá quase em início de carreira, a canção teve grande repercussão, talvez por conta de sua letra que retrata a desilusão amorosa de forma um tanto quanto “moderna" para a ocasião: “... outra noite esperei / outra noite sem fim / aumentou meu sofrer / de cigarro em cigarro / olhando a fumaça no ar se perder...” Para o registro, a gravadora Continental contou com a regência do maestro Nicolino Cópia, grande instrumentista de sopros, que gravou com todos os nomes importantes da música brasileira dos anos 30, chegando até os 60 onde abraçou a bossa nova.

Nora Ney [Iracema de Souza Ferreira, 1922 - 2003] cantou com sua voz marcante toda a angústia de seu tempo. Fez sucesso com sambas-canções, boleros e sambas sincopados. Foi uma das primeiras cantoras a gravar músicas de Antônio Carlos Jobim, antes mesmo deste ter conhecido Vinicius de Moraes. Atuou em filmes, gravou muitos 78 rpms e alguns LPs. Casou-se com o cantor Jorge Goulart, com quem viveu por quase 40 anos. Na época da ditadura militar, exilou-se do país por conta de sua ligação com o Partido Comunista Brasileiro. Seu canto forte em meio a uma voz “pequena” influenciou uma geração de cantoras posteriores como Maysa e Sylvia Telles, por exemplo. Sua interpretação única é registrada neste 78 rpm histórico: “De Cigarro em Cigarro” de Luiz Bonfá, seguida por “Onde Anda Você?” de Reinaldo Dias Leme e Antônio Maria, com arranjos e orquestra de Nicolino Cópia, gravado e lançado em 1953 pela gravadora Continental.
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01 De Cigarro em Cigarro [Luiz Bonfá] samba-canção
02 Onde Anda Você? [Antônio Maria, Reinaldo Dias Leme] samba-canção

08/10/2006

Dalva de Andrade 1959 [78 RPM Polydor 305]



Neste 78 rotações da gravadora Polydor, Dalva de Andrade mostra seu registro para duas pérolas de nossa música, uma bastante conhecida, outra pouco: “Brigas Nunca Mais” de Antônio Carlos Jobim e Vinicius de Moraes e “História” de Luiz Cláudio e Fernando César [que aparece também no disco do Luiz Cláudio postado aqui]. Os arranjos e direção de orquestra ficaram a cargo do maestro Peruzzi. É o nascimento da Bossa Nova, exatamente 1959. Cantora de muita classe, Dalva de Andrade já era veterana quando gravou estas faixas, porém ela só vai ganhar mais destaque quando passa a gravar na Odeon, no ano seguinte, 1960.

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01 Brigas Nunca Mais [Antônio Carlos Jobim, Vinicius de Moraes] samba
02 História [Luiz Cláudio, Fernando César] rumba-calypso

Helena de Lima 1956 "Dentro da Noite" [Continental LPP 38]

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Uma Deusa da Noite, assim era chamada a cantora de voz profunda e emocionada Helena de Lima. Iniciou profissionalmente nos anos 40, frequentando os habituais programas no rádio. Foi também crooner, atuando no famoso Copacabana Palace, ainda nesta mesma década. Alternou temporadas entre o Rio de Janeiro e São Paulo, sempre com muito sucesso. Em discos, acompanhou o conjunto de Djalma Ferreira, gravou diversos 78 rpms, e muitos LPs com orquestrações luxuosas na RGE. Admirada por Ary Barroso, foi também compositora, o samba-canção “Ausência” presente neste disco é de sua autoria em parceria com Maria Eugênia. Neste 10 polegadas [Continental LLP 38, de 1956], Helena de Lima teve a honra de registrar sua bela voz ao lado do pianista e compositor Ribamar, em uma sessão de estúdio intimista, no intuito de reproduzir suas apresentações ao vivo, numa atmosfera que remete ao cool-jazz. Ribamar foi um pianista lendário, acompanhou as maiores divas de nossa música, e se eternizou também como compositor, com suas parcerias com Dolores Duran. Além do piano, Helena é acompanhada por um baixo acústico e uma discreta percussão - músicos não creditados. Oito composições de nomes como Marino Pinto [assina quatro faixas e também o texto da contracapa], Vadico [parceiro de Noel Rosa], Mário Rossi, Paulo Soledade, o próprio Ribamar e finalmente - no grande destaque do disco, e que o dá uma importância histórica - a primeira gravação do clássico “Foi A Noite”, de Antônio Carlos Jobim e Newton Mendonça. Helena de Lima foi uma de nossas maiores cantoras, e este seu “Dentro da Noite” ao lado do grande Ribamar, é um dos melhores de seus LPs e também um álbum fantástico.
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Continental LPP 38
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01 Antigamente [Jarbas Melo, Vadico]
02 Abandonado [W. Barros, Esdras P. da Silva, Ribamar]
03 Renúncia [Marino Pinto]
04 Não Há de Que [Marino Pinto, M. Rossi, Helena de Lima]
05 Foi a Noite [Antônio C. Jobim, Newton Mendonça]
06 ... E Nada Mais [César Siqueira, Maria Rita]
07 Foi você [Marino Pinto, Paulo Soledade]
08 Revolta [Marino Pinto, Vadico]

03/09/2006

Maysa Relançada

A Som Livre está colocando no mercado um CD que reedita os dois primeiros discos gravados por Maysa. São dois LPs em formato de 10 polegadas num único CD, o “Convite Para Ouvir Maysa” [RLP 013] de 1956 e “Maysa” [RLP 015] de 1957 lançados originalmente pela gravadora RGE. O primeiro LP contém apenas composições de Maysa, clássicos como “Tarde Triste”, “Adeus” e “Resposta”. O segundo LP trazia “Ouça”, grande sucesso também de sua autoria, além de clássicas como “Se Todos Fossem Iguais a Você” de Antônio Carlos Jobim & Vinicius de Moraes, “Franqueza” de Denis Brean & Oswaldo Guilherme, “To the Ends of the Earth” de J. Sherman e N. Sherman, “Un Jour Tu Verras” de Van Parys e Mouloudji, “O Que”, da própria Maysa mesmo e outras. São ao todo 16 faixas neste CD, um presentes aos fãs de Maysa, e da boa música.

27/08/2006

Edith Veiga 1960 "Faz-Me Rir" [Chantecler C 33602]

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Este compacto-duplo traz a interpretação e a voz única de Edith Veiga, uma das muitas cantoras brasileiras que são hoje pouco lembradas. Nascida no interior de São Paulo, a tímida Edith Veiga fez muito barulho com esta canção “Faz-Me Rir”. Versão em português de Teixeira Filho para o bolero “Me Dá Risa” de F. Yoni e E. Arias, grande sucesso internacional que se repetiu no Brasil com esta versão de Edith. A música foi destaque e título de seu primeiro LP, lançado pela gravadora Chantecler em 1960, disco que contou com orquestrações e arranjos de nomes incríveis como Guerra-Peixe, Poly e Élcio Alvarez. Maestros estes, que também podem estar presentes neste raro compacto-duplo.
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Além de “Faz-Me Rir” há mais três canções que não fazem parte do primeiro disco de Edith Veiga, o bolero “Sòzinha” - composição de nuances primorosas assinada por Rago e Teixeira Filho; “Acho Graça”, um bolero de Arquimedes Messina e Jucata, e finalmente “Maldito” - grande destaque do disquinho, com um arranjo orquestral no mímino exótico e a voz de Edith deslizando na canção com propriedade - os compositores são os mestres do samba-canção Jair Amorim e Evaldo Gouveia.
Como bônus, incluímos mais uma canção gravada no mesmo ano por Edith Veiga, o sucesso “Conselho”, de Dênis Brean e Oswaldo Guilherme, gravado anteriomente por cantoras como Maysa, Morgana, Nora Ney e outras.
Edith Veiga apresenta “Faz-Me Rir”, presente exclusivo do Bossa-Brasileira aos amantes da boa música.




01 Faz-Me Rir [F. Yoni, E. Arias]
02 Sòzinha [Rago, Teixeira Filho]
03 Acho Graça [Arquimedes Messina, Jucata]
04 Maldito [Jair Amorim, Evaldo Gouveia]
05 Conselho [Denis Brean, Oswaldo Guilherme] [bônus]

20/08/2006

O Bossa-Brasileira quer agradecer a visita de todos os amigos que desde o início, em Dezembro de 2005 estão acompanhando nossas postagens. Este blog é todo artesanal, o material encontrado aqui é exclusivo. Por tratarmos e digitalizarmos todo o material pessoalmente, não há postagens com frequência diária ou semanal, mesmo porque também possuímos outras ocupações. Também não apenas indicamos material já existente na internet, procuramos trazer informação e Cultura Brasileira à todos. Sempre para sermos o Bossa-Brasileira que os amigos conhecem e apreciam, uma filosofia de vida presente em tudo o que pode ser encontrado aqui.

15/07/2006

Baden Powell & Vinicius de Moraes 1966 compacto-duplo [Forma FS 100.001]

Contra quaisquer más vibrações, nada mais eficaz que a velha sabedoria da nossa querida África. Vinicius de Moraes sabia disso e Baden Powell também. As meninas-cantoras do Quarteto em Cy, aprenderam com eles... Já o maestro Guerra-Peixe, não. Esse já sabia de tudo, desde o início.
Este raro compacto-duplo lançado pelo selo Forma em 1966, trazia quatro canções que haviam sido lançadas originalmente no lendário disco “Os Afro-Sambas” [Forma FM 16, 1966]. “Canto de Ossanha” é o clássico mais conhecido, sucesso absoluto nas melhores vozes da nossa canção, aqui está em seu estupendo arranjo original. “Tristeza e Solidão” é a pura melodia de Baden, talvez sua mais bela. Canto de Yemanjá” e Lamento de Exú” arrepiam a alma com sua força metafísica, para colocar tudo em seu devido lugar. Um pouco de lucidez, e dos originais dos “Afro-Sambas”, um dos discos mais importantes já gravados em nosso belo país.
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01 Canto de Ossanha [Baden Powell, Vinicius de Moraes]
02 Tristeza e Solidão [Baden Powell, Vinicius de Moraes]
03 Canto de Yemanjá [Baden Powell, Vinicius de Moraes]
04 Lamento de Exú [Baden Powell, Vinicius de Moraes]

13/07/2006

Fafá Lemos & Sua Orquestra 1954 "Jantar No Rio" [RCA Victor BLK2]

Fafá Lemos [Rafael Lemos Júnior, *1921 - +2004] foi um dos grandes mestres da nossa música. Como compositor e solista de violino, foi responsável por popularizar o uso do instrumento como elemento solo na música popular. Se aventurou como cantor de voz bem colocada, baixinha e também é um dos grandes precursores da Bossa Nova. Fafá acompanhou Carmen Miranda em discos e turnês pelo mundo e também em diversos filmes, gravou com os violonistas Laurindo de Almeida e Luiz Bonfá, com a cantora Linda Batista e formou o lendário Trio Surdina, ao lado de Chiquinho [acordeon] e Garoto [violão], músicos também presentes no disco que apresentamos aqui.
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“Jantar No Rio” é um verdadeiro clássico, foi gravado nos Estados Unidos em 1954, entre Março e Abril, nos estúdios da RCA Victor em Hollywood. O LP passeia com leveza por sambas-canções, marchinhas, sincopados, toadas e até um baião. Aqui está uma das mais belas versões instrumentais já registradas de “Ninguém Me Ama” clássico de Antônio Maria e Fernando Lobo, onde o violino de Fafá ganha contornos orientais, como na música indiana e o violão de Garoto se aproxima da sonoridade do alaúde árabe. Outro grande destaque é “Na Baixa do Sapateiro”, do grande Ary Barroso, com assovios e um solo de violino simplesmente fantástico. “Madalena” de Ary Macedo e Ayrton Amorim é um convite à dança, com direito a um lindo diálogo entre o violino e um oboé. E “Risque”, das mais lindas entre as melodias de Ary Barroso, aqui ganha um arranjo fantástico. Há também “Copacabana”, de João de Barro e Alberto Ribeiro, obra-prima do cancioneiro nacional, onde novamente o oboé brinca com o violino de Fafá Lemos em fraseados incríveis. Esperamos que este álbum traga tanta felicidade à vocês, quanto trouxe a nós, na primeira vez que o ouvimos.
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RCA Victor BLK2

01 Aquarela do Brasil [Ary Barroso]
02 Nem eu [Dorival Caymmi]
03 Peguei um Itá no Norte [Dorival Caymmi]
04 Mamãe eu quero [Jararaca, Vicente Paiva]
05 Risque [Ary Barroso]
06 Madalena [Ary Macedo, Ayrton Amorim]
01 Na Baixa do Sapateiro [Ary Barroso]
02 Nós três [Fafá Lemos, Garoto, Chiquinho do Acordeon]
03 Gracioso [Fafá Lemos]
04 Ninguém Me Ama [Antônio Maria, Fernando Lobo]
05 Copacabana [João de Barro, Alberto Ribeiro]
06 Paraíba [Humberto Teixeira]

10/07/2006

Maysa 1963 "Les Inconscients" [Barclay France Compact 70526]

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Maysa teve intensa carreira internacional e durante uma de suas temporadas na Europa, em 1963, ela registrou este compacto duplo com auxílio dos compositores Michel Magne e Eddy Marnay. No disco, é acompanhada por F. Aussman e orquestra, em quatro faixas inéditas no Brasil e nunca relançadas em nenhum formato. Um verdadeiro tesouro.
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Três das faixas são cantadas em francês: as belas “Fin Du Jour” e100.000 Chansons” ou “Cent Mille Chansons” [música que foi tema do filme “Le Repos du Guerrier”, no Brasil O Repouso do Guerreiro” de Roger Vadim, 1962] e a bossa “Les Inconscients”, com lindo trabalho de violão - músico não creditado. A única em português é “Chega de Saudade”, clássico da Bossa Nova de Antônio Carlos Jobim e Vinicius de Moraes, que Maysa nunca mais registraria, e aqui está em uma versão de arrepiar.
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Barclay France Compact 70526
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01 Les Inconscients [G Magenta, E Marnay]
02 Fin Du Jour [M Magne, E Marnay]
03 Cent Mille Chansons [M Magne, E Marnay]
04 Chega de Saudade [Vinicius de Moraes, Antônio Carlos Jobim]

06/06/2006

Viva Maysa!!

Maysa estaria completando 70 anos de idade hoje, dia 06 de Junho de 2006, se estivesse viva. A personalidade marcante da cantora carioca, determinou sua produção musical arrojada e elegante. Mulher à frente de seu tempo, Maysa nos deixou uma obra de incontestável qualidade. Artista completa, muito mais que a cantora de fossa que se eternizou no imaginário popular, ela foi a compositora privilegiada. Como intérprete deu forma a mais uma infinidade de clássicos de nossa música popular. Como seus poetas e compositores prediletos, Maysa foi cronista de seu tempo, sua voz rouquinha de registro forte podia ser doce e delicada e mesmo profundamente emocional. Sua interpretação é única. A moldura musical para seu canto foi também exuberante, seja em ritmo de bossa nova, velha, samba-canção, jazz... Um dia confessou em uma entrevista “Não tenho medo da morte. Tenho a impressão de que jamais morrerei...” E assim é. Viva Maysa!